15 de out de 2007

O CHEQUE



por Luiz Rogério de Carvalho

Era o único filho de um pai muito rico que, mesmo sabendo que o moço era um baita malandro, nunca deixou de fazer até o impossível, para ver se o danado acertava o rumo na sua doida vida.

Para estudar, foi colocado no melhor colégio da região serrana, que era dirigido pelos padres franciscanos, conhecidos como bons educadores e disciplinadores. Foi pura perda de tempo, pois o rapaz, nem tinha chegado à metade do ano, e já estava de volta à casa paterna, alegando que não dava para agüentar aqueles padres loucos de bravos.

Ficando em casa, agora sem estudar, tinha todo o tempo para incomodar os pais, que já não sabiam mais o que fazer para encaminhar o meninão.

Completando dezoito anos, a primeira coisa que fez foi pedir ao pai, que lhe comprasse um caminhão, pois sua vocação era ser um caminhoneiro, e viajar pelas estradas do Brasil, transportando mercadorias.

Sem convicção, mas na esperança de que o filho, que não queria mesmo estudar, se realizasse nessa atividade, comprou o desejado caminhão, e lá se foi o nosso personagem fazer sua viagem inaugural.

Depois de duas semanas, quando o pai começava a acreditar que tinha encontrado o meio de vida ideal para o filho tornar-se independente, e deixar de incomodar, como era o seu costume, eis que ele chega em casa, de ônibus, dizendo que tinha quebrado o caminhão e, por isso o vendera. Só que dinheiro já não tinha mais, pois, soube-se depois, tudo fora perdido no jogo, e gasto em festas na zona, quando dizia que, com ele, não tinha puta pobre.

Agora queria comprar um automóvel, pois dizia que o aluguel de carro de praça era um bom negócio. Tanto insistiu, que conseguiu convencer o pai a comprar o tal automóvel.

Antes de por o carro na praça para alugar, numa curva, perdeu a direção e bateu num muro destruindo toda a frente do veículo. Para não mandar consertar, vendeu o carro por menos de 10% do valor. O que sobrou torrou à noite numa mesa de jogo de cartas.

Desta vez, o pai perdeu a paciência e resolveu admoestá-lo severamente, dizendo que não daria mais nem um tostão para ser gasto irresponsavelmente. O velho já estava cansado de tanto pagar as dívidas que o filho fazia, e que não pagava. Já era conhecido como o pai do maior caloteiro da cidade.

Os cheques que ele dava, freqüentemente voltavam por falta de fundos. Notas Promissórias, assinadas por dívidas de jogo, já não eram mais aceitas, por isso até andou apanhando de um credor numa certa madrugada.

Sem crédito nem com o pai, o nosso personagem, bom de conversa, resolveu ir para o interior, na tentativa de ali enganar alguém que não o conhecesse. Conseguiu.

Comprou à prazo, uma égua muito bonita, que levou para disputar uma corrida na raia da cidade. Pois a égua ganhou a penca, e logo apareceu alguém interessado em comprá-la. Depois de muita pechincha, resolveu vendê-la por 1.200,00

O comprador disse que daria 800,00 em dinheiro, à vista, e o restante seria pago com um cheque de terceiro. O negócio foi fechado, mas, quando o comprador da égua entregou o cheque de 400,00, a resposta veio rápida, e taxativa: cheque meu eu não aceito.

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