29 de set de 2007

VIOLONISTAS


por Luiz Rogério de Carvalho

Os amantes da boa música, especialmente aqueles que gostam da música instrumental, certamente têm na Internet um grande aliado, pois basta um pouco de paciência para que sejam encontradas nos diversos sites, músicas de todos os gêneros.

Para quem, entre os vários instrumentos musicais existentes, tem preferência pelo violão, é muito fácil encontrar um verdadeiro manancial de instrumentistas que, com seus estilos próprios, e competência de gênio, deleitam nossos ouvidos.

Há pouco tempo encontrei o site http://www.luckysevenradio.com/ que, entre os muitos estilos musicais que oferece, destaco, para meu gosto, “Easy Classical”, "Solo Piano, “Piano Jazz” e “Guitar”. Este último toca a maioria dos grandes violonistas, mortos e vivos, de todo o mundo.

Ali, a gente tem a oportunidade de ouvir excelentes e famosos violonistas como Paco de Lucia, John Willians, Estéban, Julian Brean, Alex Fox, e muitos outros que, pelo seu virtuosismo, já são consagrados no mundo inteiro.

Foi ali, que conheci boa parte da obra musical do brasileiro Carlos Barbosa-Lima, radicado nos Estados Unidos, que vem sendo aclamado pela crítica especializada por suas interpretações, que vão de obras eruditas de Bach, Handel e Scarlatti, a contemporâneas da área popular de autores como Antônio Carlos Jobim e Bobby Scott.
Sua habilidade ao violão provocou de Tom Jobim o seguinte comentário: “Nas mãos de Carlos Barbosa-Lima, o violão se transforma numa orquestra”.

No site, a gente também ouve músicas tocadas pelo extraordinário músico brasileiro Laurindo Almeida que, radicado nos Estados Unidos desde 1.947, já falecido, e pouco conhecido no Brasil.
Para se ter idéia da importância de Laurindo Almeida, na música instrumental, basta dizer que ao longo de sua carreira participou da trilha sonora de cerca de 800 filmes, ganhou 6 prêmios Grammy, além de uma série de outros prêmios da indústria fonográfica e cinematográfica, consolidando uma respeitável carreira como compositor e arranjador, além de instrumentista.

Só lamento não ter ouvido ainda, neste ótimo site, músicas executadas pelo mestre Baden Powell, assim como também senti a falta de músicas tocadas pelo extraordinário, e precocemente falecido, aos 32 anos de idade, o brasileiro Rafael Rabelo, violonista que Antônio Carlos Jobim dizia ser o melhor do Brasil, e que Paco de Lucia disse ser o melhor do mundo.

26 de set de 2007

FLORIANÓPOLIS - URGENTE



por Luiz Rogério de Carvalho


Florianópolis, esta bela ilha, privilegiada pela natureza, foi dotada de montes, praias e rios, num desenho tão lindo que encanta e seduz todos os visitantes.

Essa beleza, que tem sido cantada e divulgada como forma de propaganda, para atrair turistas e novos moradores, tem sido usada, também, como meio de atrair investidores, especialmente na área da construção civil.

Para esse segmento econômico essa política tem sido altamente positiva, pois o que se vê é um surto de construções, em todas as regiões da ilha.

Entretanto, como em tudo existem dois lados, também aqui temos que ver o outro lado, o negativo.

Nossa linda ilha cresceu, mas, infelizmente, não teve das autoridades responsáveis a necessária preocupação de dotá-la de um eficiente sistema de esgoto, para dar à população um serviço de saneamento a altura de suas necessidades, e compatível com as belezas naturais tão decantadas.

A omissão do poder público, em muitos casos agravada pela ação de alguns de seus representantes, em concessões indevidas, com certeza tem sido responsável pelo fato de que, hoje, nossa ilha conte com menos de 20% da população atendida com serviço de esgoto, índice inferior ao de capitais do nordeste.

O resultado desse descaso pode ser verificado na situação de muitas de nossas praias, que não apresentam condições ideais de serem freqüentadas, assim como na catinga que temos de suportar na avenida Beira-Mar Norte, a mais badalada, e também no aterro da Baía Sul, onde foi instalada uma usina de fedor, que funciona muito bem.

Agravando a situação de nossa maltratada bela ilha, temos a expansão das invasões nas encostas dos morros, aonde as áreas verdes, de preservação permanente, aos poucos vão sendo engolidas pelo avanço dos casebres, que a deterioração do tecido social obriga as pessoas pobres a construir.

Portanto, para que nossa linda ilha possa ser legada aos nossos sucessores com a beleza que encontramos, e com a qualidade de vida que alardeamos, é urgente que as autoridades responsáveis, especialmente aquelas eleitas com o compromisso de bem gerir a coisa pública, se conscientizem de que as obras públicas necessárias devem ser construídas, o meio ambiente respeitado, e que o bem comum deve estar sempre à frente dos interesses particulares.

25 de set de 2007

TV CULTURA




por Luiz Rogério de Carvalho


Os programas de televisão apresentados pela TV CULTURA de São Paulo, que em muitas cidades brasileiras vêm sendo retransmitidos por estações de TVs públicas locais, diferenciados da maioria da programação da televisão brasileira aberta, são de inquestionável utilidade, desempenhando um papel educativo de extraordinário valor no desenvolvimento cultural de nossa gente.

Entretanto, aqui em Florianópolis, capital catarinense, parece que ainda não existe um real interesse na retransmissão desse valioso canal de televisão cultural e educativa, pois mesmo existindo uma estação retransmissora aqui, é péssima a qualidade das imagens que transmite, fazendo com que poucas pessoas mantenham seus aparelhos ligados no Canal 2.

8 de set de 2007

VIVENDO NO INTERIOR



por Luiz Rogério de Carvalho


Meu sogro, fazendeiro já nos seus 88 anos, um dia chamou os filhos e disse que estava decidido em vender a fazenda, e foi logo dizendo que parte do resultado seria dividido entre os filhos.

Diante dessa decisão tomei a iniciativa de pedir para que a parte que tocaria à minha mulher não fosse vendida, pois eu desejava construir uma casa no terreno, que fica na bela região da Coxilha Rica. Isso porque eu já pensava no que fazer na minha aposentadoria, que era viver uma boa parte dela em contato com a natureza, longe do barulho e dos problemas da cidade.

O projeto foi feito, e a casa foi construída. Ficou uma beleza e, com o tempo, ainda ficou mais bonita, pois melhoramentos e embelezamentos foram agregados.

É verdade que durante vários anos, antes de mudar-me para lá, a propriedade dos sonhos funcionou como uma amante argentina, pois morando em Blumenau a cerca de 300 quilômetros de distância, no máximo uma vez por mês gozava as delícias da região serrana. Isto sem contar com as despesas sempre crescentes, para a manutenção e conservação do imóvel que, por ser pequeno, não dava retorno econômico apreciável. Valia muito mais pelo sossego e a paz de espírito que o lugar oferecia.

Depois de aposentado ainda advoguei durante alguns anos, até que resolvi fechar o escritório e ir morar no sítio, que fica a 50 quilômetros da cidade de Lages.

Com a intenção de morar dez anos na tranqüilidade da doce vida do campo, o tempo corria rápido e eu já pensava em segurá-lo, pois era muito boa a vida no interior. Mas, como nos nossos planos nem sempre conta só a nossa vontade, a morte de minha sogra, que era nossa companheira no sítio fez com que minha mulher ficasse com muito medo de continuar morando longe da cidade e de familiares.

Dizia que dois velhos sozinhos são muito vulneráveis. Acabou vencendo, e hoje moramos em Florianópolis, nesta bela e agradável capital que, com seus encantos, procura me fazer esquecer da nossa morada ao lado de lindas araucárias, onde as gralhas, as curucacas e os sabiás faziam mais belas as nossas manhãs.

Foram seis, dos dez anos programados para morar naquele pequeno paraíso, onde a paz e a tranqüilidade fazem parte da verde paisagem serrana. O que ficou foram as amizades feitas ao longo desse tempo inesquecível, pois a gente do interior, simples e sincera, ainda sem a necessidade de viver correndo, dedica mais tempo aos amigos, as prosas são mais longas, os "causos" mais interessantes.

7 de set de 2007

A CEGUEIRA EVITÁVEL



por Luiz Rogério de Carvalho


Consta que aproximadamente uma criança fica cega a cada minuto no planeta.

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) revela que 80% da cegueira mundial poderiam ser evitadas, sendo 60% curáveis e 20% previsíveis, se o teste do reflexo vermelho, ou simplesmente o “teste do olhinho” fosse adotado como medida de rotina em todas as maternidades.

Estima-se que existam cerca de 400 mil crianças cegas no mundo, e 94% estão nos paises em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que existam entre 25 e 30 mil crianças cegas.

Esta estatística, que é assustadora, revela também que na maioria dos serviços de neonatologia do Brasil os olhos dos recém-nascidos não são adequadamente examinados.

Como resultado, mais de 50% dos recém-nascidos só têm a alteração descoberta quando estão cegos ou quase cegos para o resto da vida. Revela o estudo da SBOP , que as seqüelas seriam prevenidas em grande parte se o problema fosse tratado no tempo certo.

O “teste do reflexo vermelho” recebe esse nome porque, quando a luz é projetada no olho do bebê sadio, um reflexo vermelho ou amarelo-avermelhado proveniente da retina se apresenta. Tanto a intensidade como a coloração do reflexo devem ser semelhantes em ambos os olhos, ou seja, simétricos.

A reflexão da coloração avermelhada normal da retina ocorre porque os meios oculares (córnea, cristalino e vítreo) encontram-se transparentes. “A ausência do reflexo ou a presença de reflexos diferentes em um ou outro olho podem significar alguma alteração congênita. Neste caso, a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista com urgência”. É o que explica Célia Nakanami, chefe do setor de oftalmopediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O teste também pode ser realizado nas consultas rotineiras em crianças maiores, de qualquer idade, e não só no berçário, pois muitas doenças passíveis de diagnóstico pelo método podem aparecer tardiamente.

Estima-se que atualmente 0,4% dos recém-nascidos seja portador de catarata congênita. Esse número é decorrente da alta incidência de infecções congênitas como a rubéola. Já nos paises desenvolvidos sua maior causa é genética.

A catarata congênita é detectada pelo teste do olhinho, quando apresenta um reflexo vermelho que não é visto de maneira clara ou uniforme. Daí a importância do diagnóstico precoce desse tipo de catarata, para a eficácia do tratamento cirúrgico, procedimento que poderá deixar danos irreversíveis se realizados muito mais tarde. Outras doenças dos olhos também podem ser diagnosticadas precocemente através do “teste do olhinho”

O teste, que dizem ser simples e rápido, pode ser feito pelo próprio pediatra do hospital ou da maternidade, e o único equipamento necessário para o exame é um oftalmoscópio direto, cujo investimento, pelo custo-benefício é muito baixo.

Pela importância de que o “teste do olhinho” se reveste, o município de São Paulo, a capital carioca, e várias outras cidades do Brasil já adotaram esse procedimento nos seus sistemas de saúde. Espera-se que sejam seguidos pelos demais municípios brasileiros.