24 de ago de 2009

UMA VELA A DEUS, OUTRAS AO DIABO



por Luiz Rogério de Carvalho


Depois de vários dias dizendo que deixaria a liderança do PT, por não ter sido ouvido no partido, sobre sua intenção de investigar o senador Sarney, o senador Aloisio Mercadante, como menino obediente, depois de ter levado um "pito" do chefe Lula, voltou atrás e disse que continuava na liderança, alegando, para isto, motivos nada convincentes.

A atitude da senador, tão ambígua quanto incoerente, já havia acenado para este fim, pois, no Conselho de Ética, quando a ex-secretáriada Receita Federal, Lina Vieira, afirmou que estivera no Palácio do Planalto, atendendo a um chamado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que negou o encontro, Mercadante, fazendo parte da tropa de choque, como fiel escudeiro da ministra, na tentativa de desmentir Lina Vieira, foi de uma grosseria, falta de educação e destempero a toda prova, só faltando agredir fisicamente Lina Vieira, que, com muita segurança e convicção, com a serenidade de quem fala a verdade, mostrou que não se intimidava.

A incoerência do senador está refletida na ambiguidade de sua atitude que, por um lado dizia querer que Sarney fosse investigado e, por outro, com todas as "armas" atacava Lina Vieira, que afirmava que a ministra havida pedido para "agilizar" o processo contra Sarney, na Receita Federal.

Isto revela que o senador Mercadante jogava para a torcida, pois, dizendo querer a investigação de, pelo menos uma denúncia contra Sarney, fazia acreditar que estava ao lado dos que defendem a seriedade, a ética, a moral e decência na administração pública, quando, o que está verdadeiramente implícito, é que o objetivo final era defender o arquivamento das denúncias contra o aliado José Sarney, bem como blindar a ministra Dilma, contra a possibilidade de maior desgaste político, visto ser ela a candidata do presidente Lula.

Esta postura do senador Mercadante, que defendia tanto Sarney, comandante da base aliada do Planalto, quanto a pré-candidata à sucesão presidencial, ficou evidente quando o PT, sob o comando de Lula, rasgando a bandeira da defesa da ética e da moral na política, com os votos do senadores João Pedro (AM), Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC) determinou o arquivamento de todas as denúncias contra o senador José Sarney.

Ideli Salvatti, representante de Santa Catarina, assim como os outros senadores que votaram pelo arquivamento, devem ter sido motivo de arrependimento de muitos dos seus eleitores.

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13 de ago de 2009

PALAVRA CONTRA PALAVRA?



por Luiz Rogério de Carvalho


É mais que óbvio que a ministra Dilma vai continuar negando o encontro no Planalto com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, demitida pelo ministro Guido Mantega, porque multou a Petrobrás, por causa de uma manobra contábil indevida, para pagar menos impostos e contribuições.

Embora possa ser verdade que o encontro existiu, e que a ministra teria pedido aceleração nas investigações que a Receita Federal vinha fazendo em negócios da família Sarney, um “jeitinho” na solução do caso Sarney, a ministra-chefe da casa civil, que já disse em seu curriculum que tinha doutorado, quando não era verdade, também pode estar negando o encontro por pura conveniência política. “Cesteiro que faz um cesto faz um cento”.

O fato da secretaria-executiva, Erenice Guerra, negar ter estado no gabinete da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, também não é relevante, pois a regra é o subordinado ficar sempre ao lado do chefe, por motivos óbvios.

Sendo a ministra-chefe da casa civil a candidata do presidente Lula, era de se esperar que ele saísse em sua defesa. E foi o que aconteceu, quando, lá do exterior, apressou-se em dizer que não acreditava que sua candidata estivesse interferindo em favor de Sarney. Que era “ledo engano” de quem assim estava pensando.

A imediata e apaixonada manifestação do presidente é compreensível, pois a comprovação da intervenção da ministra, em defesa de Sarney, poderia produzir grande perda para sua candidata, cuja imagem já vem sofrendo acentuado desgaste.

Além de tudo, é do maior interesse, tanto de Lula quanto de Dilma, que Sarney, mesmo com todos os fatos escabrosos de que vem sendo acusado, permaneça na presidência do Senado, pois seu afastamento implicaria na condução para a presidência da casa, do senador Marconi Perilo, um adversário, possibilidade esta que, só de pensar deve causar arrepios em Lula e em Dilma.