23/10/2009

"PERDÃO" INDEVIDO

por Luiz Rogério de Carvalho

O governo do Estado de Santa Catarina, através de medida provisória que está enviando à Assembléia Legislativa, está “perdoando” as dívidas de ICMS, IPVA e ITCMD até o valor de R$ 5.000,00, alegando economia processual, já que as despesas com a cobrança teriam valor superior ao que seria arrecadado. Alega que cada processo de cobrança custaria aos cofres públicos R$ 1.600,00, e, que o objetivo é também descongestionar o Poder Judiciário e a Procuradoria Geral do Estado.

A medida, a meu ver, não se justifica, pois o valor do custo atribuído para cada processo é fictício, apenas para impressionar os legisladores. O trabalho, para a recuperação do crédito, é desenvolvido pelos procuradores do Estado, bem remunerados, que, atualmente, substituem advogados credenciados que, no passado, representavam o Estado na cobrança destas dívidas.

Entretanto, o pior efeito desta “generosidade”, representada pelo “perdão” da dívida dos inadimplentes, é o péssimo precedente e o estímulo ao calote, pois daqui para frente muitos deixarão de pagar suas obrigações na certeza de que, no futuro, serão “perdoados”. Isto, sem mencionar o fato de que o perdão aos devedores também representa um castigo aos bons pagadores, pois só estes, agora, têm o dever de custear a máquina pública. Sem dizer, também, que uma medida dessa natureza, num ano pré-eleitoral, tem fins nitidamente eleitoreiros, assim como foi a isenção do IPVA para motocicletas até 125 cilindradas, também às vésperas de eleições.

24/08/2009

UMA VELA A DEUS, OUTRAS AO DIABO



por Luiz Rogério de Carvalho


Depois de vários dias dizendo que deixaria a liderança do PT, por não ter sido ouvido no partido, sobre sua intenção de investigar o senador Sarney, o senador Aloisio Mercadante, como menino obediente, depois de ter levado um "pito" do chefe Lula, voltou atrás e disse que continuava na liderança, alegando, para isto, motivos nada convincentes.

A atitude da senador, tão ambígua quanto incoerente, já havia acenado para este fim, pois, no Conselho de Ética, quando a ex-secretáriada Receita Federal, Lina Vieira, afirmou que estivera no Palácio do Planalto, atendendo a um chamado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que negou o encontro, Mercadante, fazendo parte da tropa de choque, como fiel escudeiro da ministra, na tentativa de desmentir Lina Vieira, foi de uma grosseria, falta de educação e destempero a toda prova, só faltando agredir fisicamente Lina Vieira, que, com muita segurança e convicção, com a serenidade de quem fala a verdade, mostrou que não se intimidava.

A incoerência do senador está refletida na ambiguidade de sua atitude que, por um lado dizia querer que Sarney fosse investigado e, por outro, com todas as "armas" atacava Lina Vieira, que afirmava que a ministra havida pedido para "agilizar" o processo contra Sarney, na Receita Federal.

Isto revela que o senador Mercadante jogava para a torcida, pois, dizendo querer a investigação de, pelo menos uma denúncia contra Sarney, fazia acreditar que estava ao lado dos que defendem a seriedade, a ética, a moral e decência na administração pública, quando, o que está verdadeiramente implícito, é que o objetivo final era defender o arquivamento das denúncias contra o aliado José Sarney, bem como blindar a ministra Dilma, contra a possibilidade de maior desgaste político, visto ser ela a candidata do presidente Lula.

Esta postura do senador Mercadante, que defendia tanto Sarney, comandante da base aliada do Planalto, quanto a pré-candidata à sucesão presidencial, ficou evidente quando o PT, sob o comando de Lula, rasgando a bandeira da defesa da ética e da moral na política, com os votos do senadores João Pedro (AM), Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC) determinou o arquivamento de todas as denúncias contra o senador José Sarney.

Ideli Salvatti, representante de Santa Catarina, assim como os outros senadores que votaram pelo arquivamento, devem ter sido motivo de arrependimento de muitos dos seus eleitores.

.

13/08/2009

PALAVRA CONTRA PALAVRA?



por Luiz Rogério de Carvalho


É mais que óbvio que a ministra Dilma vai continuar negando o encontro no Planalto com a ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, demitida pelo ministro Guido Mantega, porque multou a Petrobrás, por causa de uma manobra contábil indevida, para pagar menos impostos e contribuições.

Embora possa ser verdade que o encontro existiu, e que a ministra teria pedido aceleração nas investigações que a Receita Federal vinha fazendo em negócios da família Sarney, um “jeitinho” na solução do caso Sarney, a ministra-chefe da casa civil, que já disse em seu curriculum que tinha doutorado, quando não era verdade, também pode estar negando o encontro por pura conveniência política. “Cesteiro que faz um cesto faz um cento”.

O fato da secretaria-executiva, Erenice Guerra, negar ter estado no gabinete da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, também não é relevante, pois a regra é o subordinado ficar sempre ao lado do chefe, por motivos óbvios.

Sendo a ministra-chefe da casa civil a candidata do presidente Lula, era de se esperar que ele saísse em sua defesa. E foi o que aconteceu, quando, lá do exterior, apressou-se em dizer que não acreditava que sua candidata estivesse interferindo em favor de Sarney. Que era “ledo engano” de quem assim estava pensando.

A imediata e apaixonada manifestação do presidente é compreensível, pois a comprovação da intervenção da ministra, em defesa de Sarney, poderia produzir grande perda para sua candidata, cuja imagem já vem sofrendo acentuado desgaste.

Além de tudo, é do maior interesse, tanto de Lula quanto de Dilma, que Sarney, mesmo com todos os fatos escabrosos de que vem sendo acusado, permaneça na presidência do Senado, pois seu afastamento implicaria na condução para a presidência da casa, do senador Marconi Perilo, um adversário, possibilidade esta que, só de pensar deve causar arrepios em Lula e em Dilma.

13/06/2009

POLICIAMENTO E SISTEMA CARCERÁRIO



por Luiz Rogério de Carvalho


O sistema carcerário brasileiro, que deveria ser um dos principais pilares para a sustentação da segurança pública, de responsabilidade dos governos estaduais, que, nas campanhas eleitorais aparece no primeiro plano do programa, passadas as eleições, logo cai no esquecimento, e o que se vê é o completo abandono dos compromissos assumidos.

O resultado desse abandono, fruto de promessas demagógicas, é uma população desprotegida, com o patrimônio e a vida das pessoas à mercê de bandidos que, por falta de estabelecimentos penais adequados continuam livres, praticando toda espécie de crimes, atormentando a vida da população ordeira, que já não tem mais segurança nem para andar pelas ruas das cidades.

Os assaltos às residências, os seqüestros de pessoas e os latrocínios viraram uma triste rotina, e ninguém tem mais a quem apelar, pois sem policiais em número suficiente para garantir a segurança, chegamos também à falência do sistema carcerário, o que já levou o judiciário, no Rio Grande do Sul, a não decretar a prisão de criminosos, mesmo os que praticaram crimes de homicídio, porque inexiste vagas nos presídios, que já são verdadeiros depósitos de gente.

Aqui em Florianópolis, o aumento da criminalidade que, de um ano para o outro teve aumento de mais de 50%, leva os moradores ao desespero, diante da incapacidade da polícia para conter o que, hoje, representa uma das principais preocupações de uma população desprotegida.

O policiamento, feito com número de homens infinitamente inferior ao necessário para garantir a segurança da cidade, não aparece nas ruas, a não ser quando chamado, e para registrar a ocorrência, depois do crime praticado. Uma atividade de prevenção eficiente, com efetivo policial suficiente, parece não estar na preocupação do governo estadual, que teve a segurança pública como uma das suas principais propostas na campanha eleitoral.

Passadas as eleições, foram esquecidas as promessas, e a população para ter um mínimo de segurança, tem que se aprisionar em suas casas e apartamentos, sempre ameaçada pela livre ação dos bandidos, enquanto que o governo, este, está “se lixando” para o povo, pois sua segurança parece estar garantida pelo policiamento oficial.

10/06/2009

O CORRUPTO BRASILEIRO




por Luiz Rogério de Carvalho


Os recentes acontecimentos, nada dignificantes, promovidos por deputados federais brasileiros, como aqueles do castelo medieval, construído em Minas Gerais, o do senador Sarney, que disse não saber que recebia, mensalmente, em sua conta, uma importância superior à renda mensal de mais de 50% dos brasileiros, agora a descoberta do decreto secreto nomeando seu neto, o caso do deputado federal que declarou estar “se lixando” para a opinião pública, o fato relacionado com o senador que recebia propina de empreiteira, para pagar pensão alimentícia, e mais centenas de fatos escabrosos, que a imprensa brasileira vem noticiando, tudo isso nos leva à reflexão, que enseja comparação com os recentes fatos políticos ocorridos na Inglaterra, e que levou à renúncia vários de seus protagonistas.

Parece que a corrupção, o desejo de levar vantagem em tudo, enfim, o enriquecimento a qualquer custo, é algo imanente ao ser humano, uma tentação que está sempre presente, que muitos não resistem, e acabam preferindo aumentar seu patrimônio usando esse maldito atalho.

Nos paises de tradição democrática mais antiga, excetuando alguns, onde tradições mafiosas ainda prevalecem, os freios e contra pesos, enfim os meios aplicados para conter essa maldita tendência de usar a coisa pública como se fosse sua, quando aplicados, têm levado os corruptos à prisão ou, antes, à renúncia de seus cargos e a execração pública, sendo que muitos, como já vimos, chegaram ao ponto de cometer suicídio, diante da vergonha e da repulsa geral.

Pois o corrupto brasileiro é feito de outra matéria, com a maior cara de pau nega tudo, mesmo fatos evidentes e comprovados e, se alguém pensa que algum político, apanhado com a mão na botija, seria capaz de tirar a própria vida, para livrar-se da desonra, está redondamente enganado, pois é mais provável que ele mande “suicidar” quem o acusou.

28/05/2009

QUE MACACO?



por Luiz Rogério de Carvalho


A desfaçatez, com que muitos políticos brasileiros tentam justificar irregularidades por eles praticadas só é comparável aos depoimentos de marginais, quando interrogados pela autoridade policial.

Ainda hoje, vi e ouvi o senador José Sarney, presidente do Senado, interrogado por um repórter sobre o fato de que vários senadores, embora morando em apartamentos funcionais, pagos pelo Senado, estavam recebendo auxílio moradia. Ele, que tem residência própria, tentando se desculpar para o repórter e a opinião pública, disse que iria devolver o valor recebido irregularmente, e que nem sabia que esse valor, três mil e oitocentos reais, vinha sendo depositado em sua conta.

É do conhecimento de todos que os órgãos públicos, ao pagar seus servidores, em formulário especial descriminam todos os valores pagos.

Esta desculpa esfarrapada lembrou-me do excelente humorista brasileiro, José Vasconcelos que, em suas apresentações, entre as engraçadas estórias e piadas, contava a de um larápio que, ao ser surpreendido por um policial, quando furtava um macaco hidráulico e o levava às costas, tentando livrar-se do flagrante, quando lhe foi dito que estava preso porque furtara um macaco, disse simplesmente: que macaco? Não furtei nada, tire esse bicho das minhas costas.


23/05/2009

REFLEXÃO

.



por Luiz Rogério de Carvalho


Chegando aos setenta e um anos de idade, o homem, olhando pelo retrovisor da existência, é levado a rever e avaliar o que fez ao longo de sua vida. É um balanço geral, no sentido de encontrar um resultado, não sob o ponto de vista material, pois este tipo de resultado pouco acrescenta, além de conforto para si e seus descendentes e, geralmente, muita encrenca entre eles.

Será que, embora lutando para aplainar suas imperfeições, chegou a imprimir em alguém o selo da bondade, da virtude, da moral e da razão? Terá ele conseguido, pelos seus atos, convencer alguém de que nossa vida vale mais pelo que somos e praticamos, do que pelo fato de que adquirimos e possuímos muitos bens materiais?

Refletindo, lembrei-me de um fato acontecido numa cidade onde morei: no velório de um homem muito conhecido na comunidade, que enriquecera na prática da agiotagem, que, emprestando dinheiro a pobres e viúvas em dificuldades financeiras, garantindo-se com uma hipoteca, acabava sempre aumentando seu patrimônio à custa do ainda maior empobrecimento de seus devedores. Pois, na madrugada de seu velório, quando as poucas pessoas que ali estavam nada de positivo tinham para dizer em seu favor, eis que entra um bêbado, muito conhecido, e depois de algum tempo olhando para o morto, sentindo que ninguém manifestava o menor elogio à sua vida, quebrando o silêncio, sem mais nenhum comentário, disse simplesmente: sabe que ele até não era tão ruim!

.

02/05/2009

O AVAL DO PRESIDENTE

.


por Luiz Rogério de Carvalho


O brasileiro comum, ainda estarrecido com as recentes divulgações de atos de corrupção praticados pelo ex-diretor geral do Senado que, durante anos, sob o manto da impunidade locupletou-se com o dinheiro público, agora, vê ainda aumentada sua descrença nas instituições e, especialmente nos políticos que dirigem o país.

É o caso da orgia das passagens aéreas, quando parentes e amigos de políticos se beneficiavam viajando pelo país e para o exterior usando a “generosidade” de muitos deputados federais, entre eles um daqui de Santa Catarina, Fernando Coruja, em quem votei, e até escrevi neste Blog, sob o título “O Recado das Urnas”, dizendo que ele, não tendo sido eleito para o cargo de Prefeito de sua cidade, o povo ganhou, por não perder um bom e sério legislador. Ledo engano, pois foi um dos campeões da farra das passagens aéreas com o dinheiro público.

Agora, quando pela atuação da imprensa livre a nação tomou conhecimento de tantos descalabros, e o próprio Congresso Nacional, para não sofrer ainda um maior descrédito, adotou algumas tímidas medidas para moralizar a indecente e costumeira prática de financiar turismo com o dinheiro público, eis que o presidente Lula, numa atitude que não serve de exemplo para nenhum governante, vem dizer que não vê nada de errado ou crime no fato de políticos levarem suas mulheres para Brasília, com a passagem aérea paga com o dinheiro do contribuinte.

Tal declaração, vinda do supremo mandatário da Nação, parece pretender jogar um balde de água fria nas campanhas que várias entidades vêm promovendo no combate à corrupção e na retomada da moral e da ética na política e na administração pública brasileira.
.

31/03/2009

LULA E UM MILHÃO DE MORADIAS


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
Dizem as más línguas, que o Presidente tem dificuldade para conjugar um verbo no presente do indicativo. Mas, que tem habilidade política para lidar com eleitores, especialmente aqueles que não sabem conjugar o verbo, isto é inegável.

É o caso do programa habitacional, lançado com grande alarde, para construir um milhão de casas. Ele sabe que é impossível construir um milhão de residências em dois anos, pois os recursos são escassos, e a crise financeira internacional ainda vai agravar a situação. Por isso ele diz, com ênfase, que não lhe cobrem a construção dentro desse prazo.

Lula não parece nem um pouco preocupado com a construção de um milhão de casas em dois anos, pois, pelo que tem demonstrado na sua peregrinação nacional, sempre acompanhado, sua real preocupação é com a campanha eleitoral da ministra Dilma, sua candidata.

Ele sabe que, assim como o programa “bolsa família”, também um plano para construir um milhão de moradias tem enorme força eleitoral. Mesmo que a construção das prometidas residências, por falta de recursos, fique adiada para as calendas gregas, a propaganda para a sua candidata já está lançada, e com grande apelo popular.

.

15/03/2009

PRISÃO ESPECIAL


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
A existência de prisão especial para quem tem curso superior e para religiosos, sempre soou como um privilégio odioso, verdadeira discriminação, que vai contra a própria Constituição Federal, que diz que todos são iguais perante a lei. È a consagração de duas classes de cidadãos: os privilegiados, por que tiveram oportunidade de estudar e de melhor colocar-se na sociedade, e os outros, cidadãos que embora mesmo dando duro para vencer na vida, não tiveram a oportunidade de receber um diploma, que lhes garantisse o privilégio.

Isto, sem falar de que aquele, detentor de uma diploma de curso superior, por ter sido melhor informado da existência de normas que regulam a vida em sociedade, quando delinque o faz mais consciente do erro e, só por isso, já deveria ter punição exemplar.

Concordo com a posição da OAB, quando diz que os presos no Brasil “são tratados como verdadeiros dejetos humanos”, havendo necessidade de criação de prisões que garantam um mínimo de dignidade aos detentos.

O projeto de lei em discussão no Senado, a meu ver, acertadamente, acaba com a prisão especial para quem tem curso superior e para religiosos.

Entretanto, peca quando estabelece a prisão especial para ministros de Estado; governadores, senadores, deputados federais e estaduais; prefeitos e vereadores; membros das Forças Armadas; magistrados, delegados e membros do Ministério Público e da Defensoria Pública; membros dos Tribunais de Contas; e de cidadão que já tenha exercido efetivamente a função de jurado.
Ora, se todos são iguais perante a lei por que prisão especial para quem, sabendo da responsabilidade do cargo delinquiu, e foi condenado?

A nova lei proposta, acabando com o privilégio da “prisão especial” para quem tem curso superior, cria um novo privilégio para verdadeiras “castas”, sendo o principal alvo a dos políticos, especialmente os corruptos, que ali se encastelam para gozar do benefício da impunidade que, na prática, está instalada no Brasil.
.

20/02/2009

VISUAL VALE MAIS QUE VIDA?


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
Desde a construção, as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos, que ligam o Continente à Ilha de Santa Catarina, tinham em suas laterais proteções tão baixas, que de nada serviam para amparar um veículo desgovernado que viesse a colidir com a mureta.
Como consequência, muitas pessoas morreram quando seus veículos despencaram das pontes, que não contavam com proteção adequada.

Em 2007, depois que um caminhão caiu da ponte Colombo Salles, matando seu motorista, embora tardiamente, por um acordo judicial entre o Tribunal de Contas (TCE), o Ministério Público e o Deinfra foi decidida a modernização da proteção das pontes, para evitar novos acidentes com mortes.

Depois de todos os demorados trâmites burocráticos, finalmente a obra foi iniciada e, um lado de uma das pontes já estava quase concluído, aparentando boa perspectiva de segurança, quando, alegando que o muro de proteção prejudicaria o visual que os motoristas teriam da Ponte Hercílio Luz, a Prefeitura de Florianópolis embargou a obra.

É inaceitável o argumento de que o visual da ponte Hercílio Luz ficaria prejudicado, pois, sabe-se que o motorista, dirigindo, tem de estar atento é ao movimento do trânsito, preocupado unicamente com sua segurança e dos demais, jamais desviando sua atenção para atrativos visuais laterais. Sabe-se também, que a maioria dos veículos que transitam sobre as pontes, leva unicamente o motorista.

Portanto, a interrupção, pelo embargo, de uma obra que só viria trazer benefícios aos usuários, que não está sendo construída com recursos da Prefeitura de Florianópolis, só pode ser fruto da arrogância da administração pública municipal que, acima dos interesses públicos parece preferir uma discussão desnecessária e sem motivos justificados. É de pasmar.
.

17/02/2009

"A VELHA DO SACO"


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
A condição de vida miserável, nas mais diversas circunstâncias, pode fazer do ser humano um elemento que passa a ser visto por todos, não como estorvo, mas diferente, e até mesmo como motivo de diversão, para uns poucos.

Assim foi que, em Blumenau, durante muitos anos tornou-se conhecida de todos a “Velha do Saco”. Sempre carregando um saco de estopa, cheio não se sabe de quê, pela mão uma linda menina, loirinha, que lhe fizera algum desalmado e irresponsável, ela perambulava pelas ruas da cidade e, sem incomodar, abordava todas as pessoas, pedindo algum dinheiro. De origem alemã, mal falando português, pedia num linguajar enrolado, que saía algo assim como “smol?”.

Como em torno dessas pessoas sempre circulam histórias diferentes, uns diziam que ela e filha dormiam debaixo de uma ponte, enquanto outros afirmavam que ao longo dos anos, com o produto de tantas esmolas, tinha adquirido uma bela casa, onde morava confortavelmente.

Também esta era mais uma fantasia, inventada para tornar ainda mais diferente a triste figura da pobre “Velha do Saco”, pois, na realidade, ela e filha moravam num mísero casebre, em um bairro distante do centro da cidade, para onde rumavam todos os dias, ela sempre carregando às costas seu pesado fardo.

Tantos foram os anos em que se viu aquela pobre figura, com seu pesado saco, perambulando pelas ruas da cidade, antes sozinha, depois acompanhada da pequena filha, que alguém tomou a iniciativa de lhe retirar a menina, e procurar, para ela, um lugar num asilo, para abrigá-la em sua velhice, que precocemente já havia chegado.

Depois de uma longa espera por uma vaga, a “Velha do Saco”, com o enxoval que lhe foi doado por membros da comunidade, foi conduzida para o “Asilo São Simeão” para, na companhia de outros velhinhos, com um pouco mais de conforto terminar seus dias.

Pouco mais de um ano foi o tempo que ela ficou no asilo, pois, pelas ruas da cidade logo foi notada a sua presença e, novamente, voltava a abordar as pessoas, sempre com seu lacônico pedido: “smol?”.
.

15/02/2009

MULTA INDEVIDA


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
Acabo de receber do CETRAN-SC comunicação de que meu recurso foi deferido.
Isto, depois de ter ingressado com recurso de Defesa Prévia instruída com provas robustas (atestado médico), atestando que eu estava doente, acamado, e também declaração de morador do meu prédio, comprovando que no dia e hora da suposta infração, meu carro estava estacionado na garagem. O recurso de Defesa Prévia foi indeferido.

Seguindo os trâmites legais, ingressei com recurso na JARI. Também indeferido, sob a alegação de que o Guarda de Trânsito, que lavrou o auto de infração tem fé pública, e contra esta “presunção de verdade” não há o que alegar. É como se um ato equivocado, ou uma inverdade do Guarda valesse mais que dez verdades do cidadão.

Pois bem, inconformado, diante da convicção de que jamais havia cometido a infração, depois de recolher o valor da multa (excrescência legal), ingressei com recurso junto ao Centran-SC, última instância administrativa.

Eu já tinha passado por situação idêntica, pois, cerca de dois anos antes, tinha sido multado, em Chapecó-SC, sem nunca ter estado naquela cidade com o veículo autuado.
Em ambas ocasiões, tive os recursos deferidos pelo Centran-SC, em última instância, depois de ter recolhido o valor das multas, aquela já ressarcida, esta, ainda por receber.

A impressão que fica é de que os julgadores do Cetran-SC são mais bem dotados de bom senso, têm mentes mais arejadas e maiores conhecimentos jurídicos.

Acredito que a maioria das pessoas multadas indevidamente, pelo fato de que, geralmente, não compensa pagar os honorários de um defensor, acabam não recorrendo e pagando a multa, concorrendo assim, para um aumento indevido da receita pública.
.

08/02/2009

A VITÓRIA DA IMPUNIDADE

.

.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
A morosidade do Judiciário Brasileiro que, em grande parte, deve-se ao excessivo número de recursos existentes no nosso ordenamento jurídico, fazendo com que os processos arrastem-se por anos sem fim, levando os autores ao desespero, quando têm a expectativa de recebimento rápido da prestação jurisdicional, em direitos civis legítimos e claros, agora, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, de que réus, mesmo já condenados pela prática de crimes, permanecerão em liberdade até o julgamento final do processo, em última instância, representa, na prática, um “liberou geral” a impunidade no Brasil, especialmente para quem tem recursos e pode pagar bons advogados.

Exemplos do que isto pode causar não faltam, um é o homicida Antônio Pimenta Neves, o jornalista que, com cinco tiros, tirou a vida da namorada e, julgado e condenado, continua em plena liberdade, até que, sabe-se lá quando, seja julgado o último recurso.
A competência de bons advogados, que não faltam no Brasil, pode fazer com que ele morra de velho, sem cumprir a pena que a sociedade, pelo júri popular, lhe impôs como pagamento de seu bárbaro crime.

É o Brasil, andando na contra-mão do que ocorre em países de cultura jurídica avançada, onde, crimes de natureza grave não têm o benefício de tantos procrastinadores recursos, os réus permanecem detidos até final decisão, que é rápida, e a impunidade, na prática, não se institucionaliza.
.

29/01/2009

SERIA BOM, SE FOSSE VERDADE.


por Luiz Rogério de Carvalho
.
Confesso, gostaria de escrever no meu Blog somente sobre assuntos que dissessem coisas bonitas e amenas, assim como: A selva Amazônica está finalmente preservada, os índios, sem serem molestados vivem alegres e felizes, caçando na selva que já era deles quando os portugueses aqui chegaram. Todos respeitam o meio-ambiente, pois sabem que de sua saúde depende a vida das próximas gerações. Os políticos brasileiros, especialmente aqueles que exercem cargos eletivos, atuam em suas funções com o pensamento voltado unicamente para o bem de suas comunidades, jamais se imiscuindo em atos desonestos, pois a corrupção foi banida definitivamente do país. O Judiciário é extremamente célere e atuante, nenhum brasileiro morre esperando dez anos, ou mais, por uma sentença. A renda nacional está bem distribuída, pois ninguém ganha mais que dez vezes o menor salário, e este é suficiente para uma família viver com dignidade, suprindo suas necessidades básicas de alimentação, moradia, educação, saúde e lazer.
Sonha Juquinha, pois a realidade é muito diferente.
Por isso, sou obrigado a continuar trilhando o mesmo caminho, criticando as mazelas do nosso país, como a destruição da selva Amazônica que, diariamente, é empobrecida com a retirada ilegal de milhares de árvores, sem que as autoridades responsáveis adotem medidas repressivas, concretas e severas, para punir os predadores.
O meio-ambiente é agredido todos os dias, com os mares e rios sendo poluídos com dejetos humanos, por falta de esgotos que, enterrados não aparecem, não dão votos.
Os atos de corrupção praticados por homens que, na administração pública, ou eleitos prometendo seriedade no desempenho do mandato, usam o cargo para o enriquecimento fácil e desonesto, fazendo com que o Brasil ocupe a 5ª posição no ranking mundial da corrupção.
Como falar bem do Judiciário se uma velhinha, de 85 anos de idade, com direito a prioridade processual, há oito anos espera pelo julgamento de um processo onde pleiteia uma verba alimentícia?
Como silenciar diante de uma realidade tão desumana, com uma concentração de renda tão absurda, que condena a esmagadora maioria da população a uma perpétua condição de pobreza que, se não fosse a existência da criticada “Bolsa Família”, que não é solução, e teríamos um país de milhões de miseráveis, beirando à condição dos países mais pobres da África?
Há poucos dias, minha filha, falando sobre o lado crítico do meu Blog, em tom de brincadeira disse: você devia mudar o título do seu Blog para “Metendo o Pau”, ao que discordei, pois ainda tenho a esperança de um dia escrever sobre o lindo verde das florestas, e sobre a alegria das crianças brincando no parque.
.

28/01/2009

CESARE BATTISTI

.
.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
A decisão do ministro da justiça, Tarso Genro, concedendo ao italiano Cesare Battisti a condição de refugiado político, depois de ter sido condenado pela Justiça da Itália à prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas, afronta e desrespeita o judiciário de um país que, mesmo tendo passado por instabilidades políticas no pós-guerra, sempre teve, no conceito universal, uma cultura jurídica de onde nos inspiramos para construir nossa ciência e nossa dogmática jurídicas.
A desastrada e equivocada decisão do ministro, joga no colo do STF um problema para ser resolvido. E, ao entendimento do ministro para conceder o asilo político ao autor de quatro homicídios, pode-se atribuir a uma interpretação analógica com a luta armada contra a ditadura militar brasileira, quando, atos também terroristas foram praticados por indivíduos que, na opinião do ministro, também foram perseguidos políticos.
.

13/01/2009

OLIGOPÓLIO NA COMUNICAÇÃO


.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
Em outubro de 2007, neste Blog, depois de tomar conhecimento de que o Grupo RBS acabara de comprar o jornal A Notícia, de Joinville, manifestei minha tristeza e preocupação, pelo fato de que aquele jornal que, por mais de 80 anos serviu aos interesses do Estado de Santa Catarina, especialmente à região norte do Estado, passava a pertencer ao oligopólio RBS que, no Estado, com esta aquisição, veio a deter o quase monopólio da informação.

Hoje, lendo o Jornal on line da OAB/SC, com satisfação tomei conhecimento de que o Ministério Público Federal em Santa Catarina propôs ação civil pública contra a aquisição do jornal A Notícia pelo Grupo RBS, ou Rede Brasil Sul, que atualmente detém no Estado o controle de seis emissoras de televisão, os jornais Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina e Jornal de Santa Catarina, além de três emissoras de rádio.

A petição é assinada pelos ilustres e laboriosos procuradores da República Analúcia Hartmann, Celso Antônio Três, Marcelo da Mota e Mário Sérgio Ghannagé Barbosa, e aguarda recebimento pela Justiça Federal.

Espero que o pedido seja recebido e, que a Justiça Federal, que em suas decisões tem-se mostrado sensível aos verdadeiros e justos anseios da sociedade, mais uma vez venha restabelecer o equilíbrio, fazendo com que a informação, bem como a formação de opinião, que exerce a imprensa em suas várias modalidades, não seja privilégio de oligopólios.
.

10/01/2009

PÉSSIMO EXEMPLO

.
.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
Flagrada pela reportagem de emissora de televisão (RBS), em Florianópolis, uma escola municipal vinha transformando as salas de aula, e demais dependência do prédio, em “colônia de férias” para turistas, pois, cobrando diária de R$ 15,00 por pessoa, alugava as instalações públicas para pessoas do interior do Estado, que vinham veranear nas praias da capital.

Pior que a atitude de privatizar o patrimônio público, alugando o imóvel, é o fato de que dirigente e professores consideram a coisa normal, num estabelecimento de ensino onde, além da educação formal, os estudantes deveriam receber também exemplos de cidadania, aprendendo a separar o que é público do que é privado.

Para agravar ainda mais a situação, consta que a Secretaria de Educação do município tinha conhecimento da irregularidade e, pecava pela omissão que, em administração pública, representa conivência.
.

06/01/2009

DEMISSÕES NA PREFEITURA DE JOINVILLE

.

.
.por Luiz Rogério de Carvalho

.
No ano em que a economia mundial apresenta séria crise, que terá reflexos em todos os países, e o fantasma do desemprego assusta grande número de trabalhadores, o prefeito petista de Joinville, como um dos primeiros atos administrativos, exonerou 404 funcionários comissionados.

Resta saber, se as demissões são parte de um programa de enxugamento da máquina administrativa, possivelmente inchada na administração anterior, ou uma mera limpeza de área, para abrigar membros da militância petista.
.

22/12/2008

AVENIDA BEIRA-MAR NORTE, FECHADA.

.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
A realização de eventos festivos promovidos pela Prefeitura Municipal de Florianópolis é uma forma de proporcionar aos munícipes momentos agradáveis, possibilitando, especialmente às pessoas de menor poder aquisitivo a possibilidade de assistir shows com artistas “Globais”. Foi o que aconteceu nos dias 20 e 21 de dezembro, quando a Prefeitura Municipal de Florianópolis gastou mais de um milhão de reais na promoção “Parada dos Sonhos”.

Entretanto, quando essas promoções são feitas em avenidas principais, sendo o trânsito fechado na maioria das pistas, como foi na Avenida Beira-Mar Norte, principal via de escoamento da cidade, dificultando ainda mais a circulação dos automóveis, numa cidade que já sofre por causa do grande número de veículos, então, a promoção que deveria ser motivo de festa passa a ser um grande aborrecimento para muitos.

Outro fato, que deve ser levado em consideração, é a existência de um local próprio para acontecimentos festivos que atraem grande público. A passarela “Nego Quirido”, construída com recursos públicos municipais é que deveria ser o local para tais eventos, pois, com arquibancadas que abrigam grande número de pessoas, confortavelmente sentadas, é o lugar ideal. Só os promotores dos eventos ainda não sabem disso, e preferem, provincianamente, fechar a principal avenida da cidade, formando enorme, demorado e estressante congestionamento de trânsito.
.

19/12/2008

O TRÂNSITO

.
por Luiz Rogério de Carvalho

.
É notório, que o trânsito de Florianópolis está atingindo seu ponto de saturação. O número de novos veículos que, diariamente, são lançados em nossas ruas faz com que nossa cidade seja uma das capitais brasileiras que tem o maior número de carros por habitante.

O pior é sabermos que, em futuro muito próximo, se medidas não forem adotadas no sentido priorizar o transporte coletivo, medidas paliativas de contenção do movimento, como o rodízio, nos moldes adotado em São Paulo, também aqui deverão ser implantadas.

Não dispondo de um eficiente transporte coletivo de massa, tipo metrô de superfície, ou transporte marítimo, o ônibus é único meio de transporte coletivo para quem precisa se deslocar.

Para agravar a situação, ainda que seja o único meio de transporte coletivo urbano, o ônibus não dispõe de faixa exclusiva, tendo que disputar espaço com o grande número de veículos que transitam pelas ruas.
.

28/11/2008

TSE - BATE E ASSOPRA

.
.por Luiz Rogério de Carvalho

.
A Justiça Eleitoral brasileira é mesmo muito engraçada, bate e assopra. O TSE, julgando processo de corrupção eleitoral, cassou o mandato do governador Ronaldo Cunha Lima.

Agora, o mesmo TSE concede liminar, para que o governador cassado continue no cargo até o julgamento do mérito.

Era tudo o que o governador queria. Com o costumeiro atraso do judiciário, mais a enxurrada de recursos, que o nosso ordenamento jurídico permite, é possível que o governador transmita o cargo ao seu sucessor, eleito no próximo pleito, e o mérito ainda não tenha sido julgado. Para ir empurrando com a barriga, de bons advogados ele dispõe.
.

20/11/2008

NOVO ASSALTO AO CONSUMIDOR



por Luiz Rogério de Carvalho

.
Instituído no Estado de Santa Catarina mais um “tributo camuflado”, a ser pago pelos compradores de veículos novos, deixou todos os interessados revoltados com mais este artifício “legal”, que vai assaltar o bolso do consumidor.

Alegam os defensores do Detran, órgão arrecadador da odiosa “taxa”, que se trata de cobrança legal, que já existe em outros Estados. Esquecem, entretanto, de dizer que, em vários desses Estados, através de medidas judiciais, ela já foi considerada ilegal e, portanto, proibida sua cobrança.

Esperamos que o judiciário, uma vez acionado, venha proibir também aqui em Santa Catarina, mais este ato de ganância arrecadadora do Estado que, na sua sede insaciável, desconsidera o fato de que o Brasil é um dos países que têm a maior carga tributária, cujo retorno ao contribuinte, é escandalosamente desproporcional.
.

06/10/2008

RECADO DAS URNAS



por Luiz Rogério de Carvalho


Muitas vezes, a manifestação do eleitor nas urnas é a resposta e o recado aos políticos sobre situações que não estão sendo consideradas.

Veja-se o resultado das eleições para a Prefeitura da cidade de Lages-SC. O candidato Fernando Coruja representando uma poderosa coligação, PPS, DEM e PMDB (partido do Governador), levou uma histórica surra do candidato do PP, o Prefeito Renato Oliveira, o Renatinho.

Ocorre, que Fernando Coruja, na sua passagem pela Prefeitura de Lages, teve uma administração que não deixou saudades.

Por outro lado, eleito deputado federal, com a inteligência que lhe é peculiar, tornou-se um brilhante legislador, e sua atividade na Câmara tem sido das mais profícuas.

Portanto, é necessário que o recado seja entendido, para que Santa Catarina continue com seu combativo representante na Câmara de Deputados, e que os municípios sejam dirigidos, com competência, por quem é do ramo na administração pública.
.

05/10/2008

CÓDIGO DA VIDA



por Luiz Rogério de Carvalho


Emprestado por um vizinho, que teve a gentileza de trazer até meu apartamento, acabei de ler o livro “Código da Vida”, escrito pelo jurista Saulo Ramos.

Confesso que comecei a leitura sem muito entusiasmo, entretanto, já nas primeiras páginas fui tomado de grande interesse, pois, tanto o tema central do livro, o drama de um litígio de família, quanto a “radiografia” política do Brasil, desde Jânio Quadros, situações pessoais, e casos jurídicos defendidos e acompanhados pelo autor, narrados de forma clara e ao alcance de todos, prendem o leitor do começo ao fim do livro. Recomendo.


.

03/10/2008

A PIZZA



por Luiz Rogério de Carvalho


Recentemente, depois de uma reunião, vários amigos resolveram ir a uma pizzaria e, por sugestão de um deles, decidiram saborear a tal “pizza na pedra”.

O ambiente e a música eram bastante agradáveis. A pizza, sem ter nada de extraordinário, era boa. Pizza, são todas feitas praticamente com a mesma massa, que é básica, o detalhe está na cobertura, o que a torna um pouco diferente das outras, portanto, grande diferença não existe entre umas e outras.

A grande diferença, a surpresa, estava reservada mesmo para o final, na hora de pagar, pois, a tal da “pizza na pedra”, pelo tamanho da conta que foi apresentada virou "pizza folheada a ouro".

De pedra mesmo foi o dissabor, que todos sentiram como uma tremenda pedrada no bolso.


30/09/2008

BANCOS EM "CRISE"



por Luiz Rogério de Carvalho


A atual crise financeira americana, originada de empréstimos para aquisição de imóveis, que não foram pagos, levando à quebra de vários Bancos, assim como aquela crise de alguns Bancos brasileiros, no governo FHC, que levou à criação do famoso Proer, quando, mais de 10 bilhões foram aplicados para salvá-los, está deixando os americanos revoltados com a possibilidade de que o dinheiro público seja usado para salvar Bancos mal administrados.

Historicamente, pelo menos no Brasil, os banqueiros representam a classe econômica que tem os maiores lucros em seus negócios. É só ver os balanços.

Para o cidadão comum, é incompreensível que os cofres públicos, com o dinheiro dos contribuintes, tenham que socorrer instituições financeiras que, por serem mal geridas, apresentam prejuízos, enquanto que, em outros ramos de negócio as empresas mal administradas são penalizadas com a falência.

É essa coisa esquisita do neo liberalismo que, às vezes, tem a aparência de um socialismo às avessas, onde o contribuinte pobre, que representa a maioria, através do Estado, tem de ajudar o rico.


26/09/2008

VIVER (para um amigo)



por Luiz Rogério de Carvalho


Nas coisas lindas da vida, a alegria de amar e ter sido amado, de ter tido amigos, ter podido apreciar e amar a natureza que nos envolve, consciente de que a vida é bela, mesmo com os obstáculos e espinhos que, muitas vezes encontramos em nosso caminho, a chegada ao fim da jornada, quando estamos certos de que em nossa passagem pelo mundo procuramos, acima de tudo, praticar o bem, então, encontramos enfim, não a morte, mas, o podium dos vencedores.

Até o momento da chegada, ofegante, cansado, naquele esforço supremo, quando, num leito de hospital, ligado por dezenas de aparelhos, estamos cercados de parentes e amigos que, chorando clamam por nossa permanência neste mundo, nós, só nós, podemos sorrir, por que temos a certeza de que nossa vida não foi vazia, e estamos partindo na certeza de ter sempre procurado fazer o melhor.
.

GENÉRICOS



por Luiz Rogério de Carvalho


A preocupação com o custo dos remédios, especialmente para as pessoas e famílias de baixa renda, considerado que representam importante parcela nas despesas, foi que levou o governo a criar a categoria de remédios “genéricos”, que seriam identificados, nas embalagens, apenas pelos princípios ativos contidos em suas fórmulas.

O anúncio foi de que os preços dos genéricos seriam uma alternativa nos custos de tratamentos de saúde, uma vez que seriam, em média, 40% mais baratos que os remédios de referência.

Entretanto, hoje, não é o que se constata quando se vai à farmácia para adquirir um medicamento genérico, pois, embora muitos sejam mais baratos que aqueles de referência, não raro, encontra-se medicamento genérico custando até o dobro do mesmo medicamento de referência, de marca.

Tem alguma coisa errada que precisa ser explicada pela ANVISA, ou outro órgão governamental regulador.
.
.

22/09/2008

A QUALIDADE PODE PIORAR.



por Luiz Rogério de Carvalho


A operação “Moeda Verde” que, realizada em Florianópolis pela Polícia Federal, levantou a existência de um grande número de pessoas, da administração pública, e particulares que, conluiados, na meta do enriquecimento a qualquer preço, estão fazendo de nossa encantadora ilha um lugar que, em poucos anos, terá os seus encantos transformados em pesadelo para os seus habitantes.

Na ocasião da operação, nas pessoas que desejam ver as belezas desta encantadora ilha perpetuadas para que gerações futuras também possam gozá-las, houve um momento de esperançosa expectativa. Os corruptos e os corruptores, seriam punidos independente do poder político e econômico que ostentam.

Ledo engano, pois os depredadores do meio-ambiente, aqueles que corrompem políticos para construir em áreas preservadas, e invadindo e aterrando mangues, continuam construindo fora de padrões legais, sempre acobertados por funcionários públicos e políticos desonestos, continuam livres e, até estimulados, tendo até vereador que, acusado de intermediar crime ecológico, defendendo construções irregulares em troca de benefícios pessoais, depois de ter seu mandato cassado, por meio de decisões judiciais, está de volta, para tudo continuar como antes.

Agora, a Polícia Federal fazendo a sua parte, na “Operação Dríade”, levantou a existência de novas safadezas contra o meio-ambiente, na região da Grande Florianópolis, onde, entre outras falcatruas, empresa teria subornado vereador de Biguaçú, com 1 milhão de reais. Loteamentos em área de preservação permanente estavam sendo aprovados para 3 empresas, por meio de alteração do plano diretor. A PF concluiu que houve a formação de quadrilha para a obtenção de licenças ambientais falsas.

Diante de tantas evidências, a PF pediu a prisão preventiva de 22 pessoas, que estariam envolvidas no esquema. A Juíza Federal justificando sua decisão, decretou a prisão temporária de 14 pessoas. Entre os presos, todos já libertados por força de medidas judiciais, estão dois funcionários da empresa Proactiva, multinacional responsável pelo transporte do lixo de Florianópolis para o aterro sanitário de Tijuquinhas, que estaria poluindo rios e, por conseqüência o mar da região, onde está localizada a Reserva do Arvoredo, unidade de preservação federal. Um empresário, já preso na operação moeda verde, agora voltou para a carceragem da PF, desta vez, por que, como dono da empresa Implac, do ramo de plásticos, teria incorrido em graves irregularidades ambientais. Ficou pouquíssimo tempo preso, pois, logo de início, seu advogado conseguiu que, por motivos de saúde, fosse transferido para uma clínica particular de onde saiu beneficiado por habeas-corpus.

Pois é, assim se agride o meio-ambiente, construindo em mangues aterrados, em áreas de preservação permanente, beira da Lagoa da Conceição, e forçando a alteração de plano diretor, para satisfazer a incontrolável ganância da construção civil que, sem a menor preocupação com as condições de infra-estrutura das cidades, promove, não o crescimento, mas sim, o inchaço urbano.

Enquanto isso, em propaganda na mídia nacional, Florianópolis é cantada como a capital que oferece a melhor qualidade de vida do Brasil, e o Estado de Santa Catarina é tido como um Estado progressista, com um dos melhores índices de alfabetização nacional, e apresentando qualidade de vida entre os melhores do país.

Em contra-ponto, a imprensa nacional tem noticiado que somos o 3º Estado que mais consome madeira ilegal, vinda da Amazônia, e a Mata Atlântica, localizada em nosso Estado, é a que apresenta maior índice de desmatamento em todo o país, a água potável, especialmente a do oeste catarinense, está próxima do comprometimento, por causa da enorme quantidade de dejetos suínos, que são lançados nos rios da região. Nem as matas ciliares de nossos rios estão sendo respeitadas, pois são derrubadas, para, em seu lugar, plantar pinus eliotis, árvore exótica que, em mata homogênea, acaba com a flora e a fauna regionais.

Para mudar este quadro, que lamentamos expor, esperamos que ocorra mudança de atitude de muitos políticos, e sejam punidos os corruptos e corruptores, pois, a continuar a situação como está, somos forçados a admitir que, os anunciados encantos de nosso Estado e de sua Capital, não passam de mera propaganda enganosa.

06/09/2008

EXCESSO DE ALUMÍNIO NA ÁGUA DA CASAN



por Luiz Rogério de Carvalho


Se, comprovadas as denúncias, da existência excessiva de sulfato de alumínio na água que a Casan fornece à população de Florianópolis, fica em todos um temor justificado, pois, é sabido que essa substância, usada para tirar a turbidez da água, se adicionada em quantidade fora da recomendada pela Anvisa, pode causar sérios danos à saúde, incluído o mais temido dos males, o câncer.

Estranha é a atitude de diretor da Casan que, diante da existência de cinco exames laboratoriais, que mostram a existência de alumínio, em excesso, simplesmente nega o fato. Melhor seria mandar fazer uma análise oficial, para um completo esclarecimento.

Confiante que a água fornecida pela Casan era de boa qualidade, há bastante tempo abandonei o hábito de tomar água mineral, instalei um filtro de parede, e passei a tomar a água da Casan, vinda da Serra do Tabuleiro, parque ecológico protegido, achando que fosse bem tratada e passível de ser tomada, sem nenhum risco para a saúde humana. Temo ter caído do cavalo.

07/08/2008

UDESC - SUPERFATURAMENTO



por Luiz Rogério de Carvalho

Caiu, como uma bomba, a divulgação pelo TCE de Santa Catarina, do superfaturamento na aquisição, sem licitação, de equipamentos de laboratório, nas unidades de Lages e Joinville, a preços escandalosamente superiores aos de mercado.

A manifestação do reitor, criticando a divulgação pelo TCE, alegando que a instituição UDESC está sendo colocada sob suspeita, a meu ver, não procede, pois, atos fraudulentos praticados por dirigentes de instituições comprometem as pessoas que os praticaram que, de forma clara e transparente, devem ser investigadas e punidas, quando comprovada a culpa.

Portanto, ao examinar a documentação, e constatar irregularidade de tamanho porte na aquisição de equipamentos, não poderia o Presidente do TCE de Santa Catarina deixar de tornar pública tão grave improbidade administrativa. O silêncio, neste caso, seria contribuir para varrer a sujeira para debaixo do tapete.

06/08/2008

VAI FALTAR ÁGUA




por Luiz Rogério de Carvalho


Recente estudo, apresentado pela ONG WWF, em São Paulo, nos mostra que, a continuar o desmatamento na Amazônia, é iminente a falta de água na região que é abastecida pela Bacia do Rio da Prata e, esta região inclui o Estado de Santa Catarina onde, importante parte da economia, especialmente do agro-negócio, poderá ser afetada, pois depende do precioso líquido para irrigar plantações e alimentar criações, de bovinos, aves e suínos. Os estudos mostram que isto já poderá ocorrer dentro dos próximos 12 anos, com o seu agravamento para o futuro, comprometendo a produção de alimentos.

Para meteorologistas e estudiosos do assunto, o problema existe, e as possibilidades de agravamento são reais, pois a umidade que, por meios peculiares, vem da Amazônia é responsável por significativa quantidade de chuvas, que caem em nosso Estado.

O estudo, realizado por membros da ONG WWF, competentes e responsáveis, antes de ser alarmista, visa abrir os olhos das autoridades, com vistas à prevenção, enquanto ainda é tempo.

O que impressiona, também, é a manifestação de empresários catarinenses, entre eles o vice-presidente da FAESC que, parece, mais preocupado com os lucros imediatos, como o avestruz, que esconde a cabeça para livrar-se dos perigos, prefere desqualificar o estudo, taxando de exagero, e sem embasamento científico.

Nossa preocupação não pode ser apenas com o presente, com a boa saúde financeira das empresas e o lucro imediato. Devemos agir com responsabilidade e bom senso, para legar aos nossos filhos e sucessores um Estado, senão melhor, pelo menos nas condições em que recebemos.

02/08/2008

TAPETE PRETO = TAPEAR DE PRETO



por Luiz Rogério de Carvalho


A Prefeitura de Florianópolis, no seu programa “tapete preto”, prometeu asfaltar ruas que ainda se ressentiam desta melhoria, que o progresso, às vezes, proporciona aos moradores das cidades.

Entretanto, desde o início, pela qualidade do serviço apresentado, ficou evidente a intenção política do “programa”. Aquilo que deveria ser um melhoramento logo ficou claro não ser mais que uma forma de mostrar “obra”, com a intenção inconfessada de ganhar votos para a próxima campanha eleitoral. Com um agravante, pois o custo da “pintura de asfalto” certamente está sendo pago como se fosse asfaltamento de primeira qualidade.

Na semana passada, no bairro de Coqueiros, onde algumas ruas já foram pintadas com asfalto, na rua Pascoal Simone, onde está a UDESC, foi feita mais uma “tapeação de preto”. Desta vez abusaram, pois a camada de pintura de asfalto é tão fina que as lajotas, que são ecológicas, pois permeáveis à água, e que deveriam servir de base para o enganoso asfaltamento, em muitos lugares estão aparentes.

Apresentar serviço de tão baixa qualidade, e ainda pensar que estão convencendo os eleitores, de que estão atendendo reclamos dos munícipes é, no mínimo, subestimar a inteligência das pessoas. O tiro pode sair pela culatra.
.
.

LEI SECA



por Luiz Rogério de Carvalho


São muitas as pessoas que reclamam do rigor da lei que estabeleceu a tolerância zero para os motoristas brasileiros. Bebedores inconformados, comerciantes, donos de bares, enfim todos aqueles que têm seus negócios ligados ao consumo de bebidas alcoólicas são os que engrossam a fila dos reclamantes.

O principal argumento, é que o número de mortes no trânsito diminuiu por causa do aumento da fiscalização, que hoje é exercida com maior rigor pelos policiais rodoviários, e não pela existência da nova lei.

No meu entendimento, é um argumento que não se sustenta, pois a fiscalização no trânsito continua sendo feita da mesma forma que antes, visto que o número de policiais rodoviários continua o mesmo de sempre. Tenho andado pelas nossas estradas e não observei, até agora, nenhum aumento da fiscalização que represente intimidação aos motoristas infratores das leis de trânsito.

Se, é verdade que a nova lei nos priva do consumo de até uma taça de vinho que, “conscientemente” achamos que em nada altera nosso comportamento no trânsito, por outro lado, sabemos que existem pessoas muito sensíveis que, com o mínimo teor alcoólico, ficam alteradas, como alterada fica sua conduta no volante, expondo-se e expondo outros ao risco de graves acidentes.

Sempre tomei uma taça de vinho durante o almoço, por prazer e para prevenir doenças coronarianas, seguindo orientação de meu bom e amigo cardiologista.

Agora, meio chateado mas, certo de que a lei seca trás mais benefícios, para todos, do que a privação de meu bom vinho durante o almoço, mudei meu velho hábito.

É à noite ou, na volta do restaurante, quando chego em casa, que o vinho será tomado, com o mesmo prazer de sempre e, na certeza de que nenhuma mudança haverá no meu comportamento na direção do veículo, que possa vir a trazer tristeza para muitos.
.

14/06/2008

VOTO FACULTATIVO



por Luiz Rogério de Carvalho


Como defensor do voto eleitoral facultativo, sempre achei ser este o critério mais consentâneo com a democracia, pois não obriga ninguém a fazer o que não deseja, nem deixa aos políticos inescrupulosos a total liberdade de manipular os eleitores, especialmente os mais carentes e menos esclarecidos, comprando votos como se fossem mercadorias.

O constrangimento do voto obrigatório, no Brasil, onde a esmagadora maioria do eleitorado não tem a plena consciência do que ele representa, tem servido a muitos políticos que, sem a menor preocupação com a boa e decente administração da coisa pública, mas sim, com o objetivo inconfessado de chegar ao poder e usá-lo em benefício próprio, tendo como meta o enriquecimento a qualquer preço.

É verdade que o voto plenamente consciente só existirá quando o povo tiver um bom nível de educação, e condição econômica que lhe permitam escolher com discernimento e independência. Isto, certamente só teremos quando tivermos todas as nossas crianças em escolas de boa qualidade, e a economia tendo como meta o homem, num regime de justa distribuição da renda nacional.

Às vezes um pouco descrente, mas, consciente de que a utopia deve ser cultivada, por mais que a crueza da realidade tente matá-la, continuo torcendo para que nossos eleitores façam a melhor escolha, e não continuem sendo tão enganados.

Enquanto isso, tendo chegado aos setenta anos de idade, adquiri o direito de tornar meu voto facultativo e, sem omissão, mas podendo exercer como um direito, quando achar necessário, continuarei a acalentar a utopia de ver um país justo, sendo dirigido só por homens de bem.
.

10/06/2008

A FARRA CONTINUA...




por Luiz Rogério de Carvalho



A decisão do TSE, por 4 votos a 3, permitindo que os políticos, mesmo aqueles com ficha mais suja que “pau de galinheiro” mas, que ainda não tenham sentença transitada em julgado, podem concorrer em novas eleições, se, por um lado, confirma o preceito legal de que ninguém pode ser considerado culpado antes de sentença definitiva, em última instância, por outro lado nos frustra, tirando-nos a esperança de que em tempo mais curto teríamos fora da vida pública elementos de “ficha suja” que as evidências mostram não serem dignos da representação popular.


A morosidade do judiciário, aliada ao excessivo número de recursos, muitos protelatórios, que chegam levar crimes à prescrição, são armas poderosas usadas por profissionais competentes, que garantem aos “fichas sujas” eleições e reeleições sem conta.


Uma vez eleitos, encontram no foro privilegiado a proteção do manto da impunidade, no corporativismo que tem sido a tônica da política brasileira.
.

04/06/2008

O CELULAR



por Luiz Rogério de Carvalho


Como um dos grandes avanços tecnológicos dos últimos tempos, o telefone celular foi um invento que transformou as comunicações pessoais, trazendo enormes benefícios para todos e, também, algumas inconveniências, para muitos.

Nada mais desagradável do que estar almoçando e, na mesa ao seu lado, alguém que transferiu o escritório para o restaurante, insiste em confirmar uma transação comercial, iniciada uma hora antes. Ou então, aquela mocinha que brigou com o namorado e, sem se preocupar com os circunstantes, chorosa, em longas explicações, em voz alta, procura reatar a relação.
Não sei se essa falta de educação é brasileira, ou foi uma praga que nasceu com o aparelhinho e, sem fronteiras, incomoda todo mundo.

A verdade é que, há muitos anos, depois que troquei a cozinha de casa pela do restaurante, tenho procurado administrar esse problema e, para não ser taxado de “chato”, numa rápida olhada, escolho a mesa mais conveniente, pois não pretendo ter indigestão, e reativar uma gastrite de origem nervosa, que há tempo está adormecida.


.

01/03/2008

BOMBA E ALCOOL NO FUTEBOL




por Luiz Rogério de Carvalho

Jornal de hoje publica notícia de que, em reunião realizada entre o comandante da Polícia Militar de Santa Catarina e os presidentes de clubes filiados à Federal Catarinense de Futebol, quando, pelo comandante, foi apresentada portaria que proibiria o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica dentro dos estádios.

A medida teve origem no fato amplamente divulgado pela imprensa e televisão nacional, quando um torcedor de 62 anos de idade perdeu a mão, atingido por uma bomba durante uma briga de torcidas, no final de um jogo de futebol, em Criciúma-SC.

A proibição do consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica dentro dos estádios, implementada, seria uma medida elogiável, pois é sabido que o álcool exacerba a emoção, assim com é capaz de despertar instintos incompatíveis com a diversão sadia que o esporte deve proporcionar.

Entretanto, para espanto e perplexidade, a mesma notícia informa que o comandante da Polícia Militar, diante dos argumentos dos presidentes de clubes, e de diretores da Federação Catarinense de Futebol, de que existem contratos entre os clubes de futebol com as distribuidoras de cerveja, resolveu adiar a vigência da resolução para o próximo campeonato, mantendo a proibição só para as bebidas destiladas.

É o caso de perguntar: Para o Estado, vale mais o interesse comercial das distribuidoras de cerveja, e dos clubes de futebol, ou a segurança e a vida do cidadão?

22/02/2008

FOTOGRAFIA - Coxilha Rica


por Luiz Rogério de Carvalho


Acabo de receber, presente de meu filho, o livro fotográfico “Coxilha Rica”, com o magnífico trabalho executado pelo fotógrafo Ricardo Bampi que, em boa hora, escolheu para tema de sua obra uma região de beleza única, a Coxilha Rica, nos campos de Lages, região serrana catarinense generosamente dotada pela natureza com um relevo maravilhoso, com campos e matas que abrigam uma das mais ricas e lindas floras e faunas do sul do país.

Obra fotográfica de tamanha envergadura, foi prefaciada pelo mestre e incentivador da fotografia artística brasileira, Presidente da Confederação Brasileira de Fotogafia, o indaialense Sidney Luis Saut que, com sabedoria e competência, destacou a dimensão do trabalho realizado por Ricardo Bampi.

O trabalho de Bampi, que nos premia e encanta com as cenas maravilhosas captadas pela lente de sua máquina, tão bem manejada, também nos leva à reflexão sobre os perigos a que está exposta tão bela região. É o temor de que a febre do reflorestamento homogêneo, feito com a exótica pinus elliotis, como está acontecendo em quase todo o planalto catarinense, mudando a sua paisagem original, também venha a sacrificar aquela linda região, que o escritor Érico Veríssimo disse ser a mais bela que conheceu.


01/02/2008

NOVA LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO




por Luiz Rogério de Carvalho


Num país, como o Brasil, onde a cultura da velocidade está arraigada nos costumes dos motoristas, especialmente dos mais jovens, e o consumo de bebidas alcoólicas, como mostram as estatísticas, sãos os grandes responsáveis pela maioria dos acidentes de trânsito, a mudança na legislação, que possibilite a aplicação de penalidades severas, e multas pesadas que sejam sentidas no bolso, é o único meio de tentar humanizar o trânsito nas estradas brasileiras, enquanto a educação não seja a ideal.
A MP que proibiu a venda de bebidas alcoólicas às margens das estradas federais, embora elogiável quanto ao objeto que procurava atingir mostrou que, para inibir o consumo de bebidas alcoólicas pelos motoristas, a medida veio atingir um importante segmento econômico, que vende bebidas também, e principalmente, para pessoas que não estão envolvidas no trânsito.
Assim, como deve que ser reprimido o consumo de bebidas alcoólicas entre os motoristas, uma das principais causas de acidentes nas estradas e ruas de nossas cidades, parece que enquanto a educação não alcança todos, o remédio é a fiscalização intensa e a aplicação de elevadas multas para os infratores, e penas pesadas para os crimes de trânsito, pois a sensação de impunidade continua sendo estímulo aos irresponsáveis.

06/01/2008

IL CAMPANARIO



por Luiz Rogério de Carvalho

Mesmo morando nesta maravilhosa cidade de Florianópolis, poucas vezes tenho ido à praia, pois, na minha idade, ser queimado pelo sol, nestes tempos de UV elevada, não é mais a minha praia.

Entretanto, fugindo à regra, às vezes dou uma escapada, mais para curtir a companhia de amigos ou familiares, e lá estou eu, por teimoso, sendo assado e virando croquete.

Há poucos dias, numa dessas exceções, na bela praia de Jurerê Internacional, sentado numa cadeira de praia, com amigos tomando uma geladinha, quando olhei para trás levei um baita susto com o horrível visual que defrontei, que é absolutamente contrastante com a beleza do mar e da natureza verde que o emoldura.

É a construção de um edifício de apartamentos, o tal “Il Campanário” no estilo horroroso de um pombal, obra cuja autorização de construção está sendo investigada pela operação “moeda verde” desencadeada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, sob suspeita de graves irregularidades.

Até pode ser que aquela coisa feia esteja sendo feita “regularmente”, com projeto aprovado dentro de normas “legais”. Entretanto, o mau gosto é flagrante, pois destoa do conjunto arquitetônico e urbanístico que, harmoniosamente embeleza toda a praia.

21/12/2007

VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO


por Luiz Rogério de Carvalho

É realmente assustador, quando vemos as estatísticas de mortes ocorridas no trânsito, nas estradas e cidades brasileiras, onde milhares de vidas todos os anos são ceifadas, levando a dor e a tristeza a muitas famílias.

Em nosso país, campeão de mortes no trânsito, morre por ano, mais gente do que morreu em toda a guerra do Vietnã. Isso tem que ter um fim, pois, além da perda e da dor que a morte causa, o número de vítimas por morte de trânsito está levando a saúde, no Brasil, a uma situação insustentável, fazendo com que os serviços públicos de atendimento à saúde da população logo entrem em colapso, pois os hospitais e serviços de pronto-socorro, em quase todo o país já atendem número exagerado de acidentados no trânsito.

Numa tentativa de também reduzir o número de acidentes de trânsito, o Ministro da Saúde, em boa hora, está iniciando uma campanha para mudar as normas de publicidade de bebidas alcoólicas, responsáveis pela maioria dos acidentes, embora sabendo que vai encontrar enorme resistência por parte do lobby dos fabricantes, e também por parte da mídia, que tem nesse segmento importante faturamento.

Preocupado com esta triste realidade, o Grupo RBS, numa elogiável iniciativa, lançou a campanha “VIOLÊNCIA NO TRÃNSITO. ISSO TEM QUE TER FIM”, visando uma conscientização de todos os motoristas, para a gravidade do problema, e também estimulando a educação de trânsito, que deve começar já na família e na escola.

Entendemos, ser a educação e a conscientização o melhor caminho para se chegar a um trânsito ideal, humanizado. Entretanto, diante da realidade que temos, com motoristas que não respondem positivamente a uma proposta civilizada, a pesada punição, com multas e penas severas, que sejam aplicadas independente da condição social do infrator, é o mais forte argumento para inibir, ou reduzir, essa carnificina em que se transformou o trânsito no Brasil.

19/12/2007

ENGANAÇÃO


por Luiz Rogério de Carvalho


É incrível a desfaçatez, com que alguns ditos homens públicos tentam iludir as pessoas, o contribuinte, o consumidor de serviços públicos.

Ainda ontem, aqui em Florianópolis vi, na TV, uma advertência da CASAN aos consumidores, para que aumentem a capacidade de seus reservatórios, para evitar a falta d’água, especialmente nos dias de verão, que se aproxima.

Como é que a população vai armazenar água, de forma abundante, se ela já é escassa nas estações de tratamento e nos reservatórios da CASAN? Só mesmo se algum milagre está sendo planejado pelos seus dirigentes, pois, objetivamente, nada tem sido feito para aumentar a produção e distribuição, e nos livrar desse terrível mal anunciado, que inferniza todos os habitantes desta linda e mal cuidada Capital, ameaçando o ramo turístico, importante setor de nossa economia.

Em entrevista na TV, o presidente da CASAN justificava a possível e eminente falta d’água na cidade de Florianópolis durante o verão de 2008, alegando que o aumento do número de turistas, esperados para a temporada de verão, será o grande vilão, e único responsável pela escassez do produto.

Esses homens públicos, na campanha eleitoral prometem resolver os problemas como o da energia elétrica, para evitar a repetição de apagões; nos palanques e nos comícios, anunciam que falta d’água será coisa do passado, pois a produção será aumentada e a rede ampliada, para atender à demanda, aumentada com fluxo do turismo, “verdadeira vocação de nossa cidade”.

Eleitos e reeleitos, esquecem as promessas e, achando que somos todos idiotas e desmemoriados, inventam desculpas as mais esfarrapadas, para esconder sua incompetência e despreocupação com a causa pública. A população que, esperançosa, acreditou nas anunciadas soluções para os problemas existentes, continua sofrendo as agruras que lhe são impostas por “administradores” que, mais parecem preocupados com seus interesses pessoais, e com a reeleição.

Esta preocupação, agora parece ainda mais evidente, pois, com o anúncio às vésperas de um ano eleitoral, da construção, em Florianópolis, de um metrô de superfície, cuja licitação já está sendo anunciada, antes mesmo de ter sido ouvida a comunidade, através de seus órgãos representativos, como orienta o Estatuto das Cidades e o bom senso, para que uma obra dessa proporção somente seja executada, se provada que é a melhor alternativa para a solução dos graves problemas do nosso trânsito já caótico.

E ainda querem que acreditemos na sinceridade de intenção, quando, nos debates na televisão, nos comícios eleitorais nas praças públicas, prometem tudo fazer para o progresso do Estado, das cidades, e o bem estar de seus habitantes. É querer demais.

06/12/2007

PRESOS ACORRENTADOS



por Luiz Rogério de Carvalho


Palhoça é um município que faz parte da grande Florianópolis, esta, uma cidade cuja propaganda, além de destacar as belezas paradisíacas, tem sido mostrada como a capital brasileira que apresenta a melhor qualidade de vida.

Tanto Florianópolis quanto Palhoça, sua interligada vizinha, são cidades privilegiadas pela natureza, com uma orla marítima de uma beleza de causar inveja. Entretanto, a propaganda superlativa não me parece que esteja em consonância com a realidade destas duas cidades catarinenses.

Há algum tempo, aqui neste Blog, escrevi sobre a carência de esgoto sanitário na cidade de Florianópolis, o mau cheiro reinante na Avenida Beira Mar Norte, e uma usina de tratamento do esgoto ilhéu, instalada no aterro da Baia Sul, de onde é exalada uma catinga insuportável.

Confirmando o que escrevi, há poucos dias, enorme mancha preta apareceu próximo daquela usina, gerando a suspeita de que resíduos sólidos do esgoto estão sendo jogados no mar pela CASAN, poluindo, ainda mais, as praias da ilha e do continente, nas proximidades.

Agora, para desencanto de quem vive na Grande Florianópolis e, com orgulho, admira as belezas naturais regionais, cultura e história, surge na imprensa nacional e internacional, a notícia de que aqui, bem juntinho a nós, na cidade de Palhoça, por que numa cela de Delegacia de Polícia, de nove metros quadrados, apinhada com dezessete presos, por já não ter mais ar respirável, resolveu-se o problema acorrentando os presos em pilares, na área externa do prédio.

Há poucos dias, os brasileiros de boa índole, foram surpreendidos com a notícia, também internacional, de que uma menor, no Pará, fora mantida presa em uma cela com outros dezessete homens, que a estupraram da forma mais humilhante possível.

Agora, é o Estado de Santa Catarina que, de forma vergonhosa, é exposto ao mundo por ter voltado aos tempos do Brasil colônia, ou à era medieval, e manter acorrentados em áreas externas de uma delegacia, presos que não cabiam numa cela de nove metros quadrados, que já abrigava 17 pessoas.

Convém salientar que a Polícia Militar está cumprindo o seu dever, prendendo bandidos, a maioria produtos da exclusão social, que levam o tormento da insegurança a toda a sociedade.

A Delegada, que determinou o acorrentamento dos presos, melhor teria feito, como forma de protesto pela omissão do Governo do Estado , se os tivesse encaminhado para o Centro Administrativo do Governo, pois é dele a responsabilidade e a obrigação de construir presídios. Aliás, essa foi uma das promessas de duas campanhas eleitorais – aumentar o efetivo policial e construir presídios - para dar à população a segurança almejada, e merecida.

24/11/2007

A PRÓSTATA



por Luiz Rogério de Carvalho


Idoso, acostumado a conviver com os pequenos problemas de saúde, próprios da sua idade, de repente sente que seu nariz já não é o mesmo, pois uma rinite inesperada, coisa que desconhecia, o obriga a procurar um otorrinolaringologista, para livrar-se de terrível mal-estar.

O médico, jovem atencioso, depois das perguntas e exames de praxe, emite a receita com o medicamento indicado, e que deveria livrá-lo da incômoda rinite.

O tratamento tem início com a ingestão e aplicação da medicação prescrita. Os sintomas, extremamente desagradáveis, pouco a pouco vão cedendo à ação dos remédios, cujo gosto mais desagradável já foi sentido na farmácia, na passagem pelo caixa.

Passados alguns dias, já aliviado dos incômodos nasais, subitamente é surpreendido por enorme desconforto urinário. Paciente disciplinado que, religiosamente, uma vez por ano, enfrentando o constrangimento do exame visita o urologista, para saber da situação de sua próstata, apressadamente, procura seu médico na ânsia de voltar a urinar bem. Não agüentava mais aquele sofrimento.

O médico, competente, com experiência de longos anos, e sabendo do tamanho da próstata do seu paciente, depois do novo e desagradável exame e, diante de todas as queixas, sentencia: cresceu muito, é benigna, mas é possível que seja necessária uma cirurgia. Recomenda exames complementares, e o retorno após a conclusão dos exames.

Passados poucos dias, eis que tudo volta ao normal. Urina fácil, alegre e feliz, quase como um garotão. Também, nem tanto...

Curioso, vai ler a bula do remédio receitado pelo jovem médico, para a cura da rinite e, surpreso, lê: “este medicamento pode causar distúrbios na micção, como retenção urinária, não indicado a quem tem hipertrofia prostática”.

Respira aliviado, e pensa: “O diabo sabe mais por ser velho que por ser diabo”.

23/11/2007

A LEI...



por Luiz Rogério de Carvalho

A notícia foi amplamente divulgada pelos jornais de todo o mundo. Aquela da jovem que, na Arábia Saudita, depois de estuprada 14 vezes, mas por estar acompanhada de um homem, em público, contrariando as leis do país, foi condenada pela Suprema Corte à prisão de 6 meses, e a receber 200 chibatadas.

A repercussão da notícia, em quase todos os paises, revoltou as pessoas, pela violência, desumanidade e discriminação da mulher que, em muitos paises do oriente, ainda é considerada objeto.

Nos Estados Unidos, onde, apesar de todas as mazelas existentes, pode-se dizer que existe democracia, o Presidente Buch, campeão do intervencionismo, que se preocupa, prioritariamente, com a situação econômica de seu país, ignorando problemas mundiais, como o aquecimento global, onde o seu país é o maior responsável pelas emissões de gás, depois de todos os apelos recebidos para interferir junto ao Governo Saudita, para que a Corte reverta a decisão, ele insiste em omitir-se, para não perder o apoio dos sauditas à política intervencionista no Iraque.

A indignação de todos diante da desumanidade da decisão da Suprema Corte saudita é compreensível, especialmente no ocidente, onde cresce a preocupação pela igualdade de direitos.

Embora criticando e não aceitando a lei saudita, que discrimina de forma desumana e vergonhosa a mulher, temos de admitir que, mesmo diante da condenação de muitos paises, a Corte Suprema aplicou a lei, porque ela existe, e lei é para ser cumprida.

Bem diferente do que acontece no Brasil, onde muitas leis não são sequer regulamentadas e, quando são, ficam longe de serem cumpridas, pois aqui existe a cultura da lei que pega, e da lei que não pega. Isto, sem considerar que, para tangenciar a lei, no Brasil existe a influência do poder político ou do poder econômico, muitas vezes dos dois.

22/11/2007

TRANSFERÊNCIA DE ÍNDICE DE CONSTRUÇÃO



por Luiz Rogério de Carvalho

floripamanha.org / A cidade que queremos. » Blog Archive » CPE sugere alterar índice de construção

Um comentário para 'CPE sugere alterar índice de construção'
Luiz Rogério de Carvalho Diz: 22/11/07 às 15:10

Vejo a "transferência de índice de construção" como uma excrescência jurídica, idéia que mais parece ter saído da cabeça de mafiosos que de legisladores; um artifício que só beneficia o setor imobiliário, pois, por seu intermédio, o ramo imobiliário amparado por lei, na ganância do lucro, vem construindo gigantescos espigões, em bairros que tinham gabaritos já regulamentados, e compatíveis com suas infra-estruturas: de esgoto, água e trânsito, entre outras.

Sou proprietário e morador do bairro de Coqueiros e, ontem, dia 21/11/2007, participei de uma reunião promovida pelo núcleo distrital Abraão, Bom Abrigo, Coqueiros e Itaguaçú, com o objetivo de discutir o Plano Diretor Participativo, que contou com a presença de técnicos do IPUF e da SUSP.

Foi uma apresentação da legislação existente, com os técnicos do IPUF mostrando também a necessidade de algumas modificações no Plano Diretor. Já o técnico representante da SUSP, limitou-se a uma apresentação da legislação existente, como funciona o Órgão e, subliminarmente, fez a defesa da "transferência de índice de construção".

Os bairros de Coqueiros, Itaguaçú, Bom Abrigo e Abraão, por suas belezas naturais, aliadas à proximidade do centro da capital, têm sido o foco dessa famigerada lei, apresentando, como resultado, uma verdadeira esplosão de construções que, hoje, já é responsável pelo caos no trânsito que, sem alternativa de novas vias de escoamento, está infernizando a vida dos moradores desses bairros.

28/10/2007

A GÊNESE E O CRIME


por Luiz Rogério de Carvalho

Cesare Lombroso, professor, e respeitado criminologista italiano, foi autor da teoria de que o criminoso tem um biótipo característico, e que a descendência tem grande influencia no seu comportamento anti-social. Relacionou as características físicas do indivíduo à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos com comportamento criminal.

Não obstante a importância que o Dr. Lombroso teve na sua época, hoje a sua teoria está totalmente descartada, pois sabe-se que o fator preponderante na formação da conduta criminosa é, indubitavelmente, o meio ambiente em que o indivíduo nasce, cresce e vive.

De uma família bem estruturada, com pai e mãe de boa formação moral, e renda suficiente para alimentar, vestir e educar os filhos, salvo as exceções, que confirmam a regra, só pode-se esperar o surgimento de bons elementos, úteis à sociedade.

Isto acontece quando a sociedade organizada, através de seus órgãos representativos, tem a preocupação de criar e manter escolas, creches, hospitais e toda a estrutura de proteção social, que a Constituição Federal estabelece como direito do cidadão.

No Brasil, onde o modelo econômico, historicamente, tem a renda nacional concentrada nas mãos de poucos, durante décadas não houve a preocupação de estabelecer políticas que visassem a diminuir a distância que separa os ricos dos pobres.

Hoje, como resultado, enfrentamos os mais agudos problemas sociais, com um enorme contingente de jovens oriundos das camadas mais pobres que, sem educação formal, e sem trabalho, portanto sem oportunidade de ascender socialmente, enveredaram para a criminalidade, levando à classe trabalhadora e ordeira a angustia da insegurança.

Aqui no Estado de Santa Catarina o Governador, quando assumiu, disse que a segurança seria uma das prioridades no seu governo, entretanto, até agora o projeto de construção de novas unidades, para abrigar e recuperar os menores infratores, ainda não saiu do papel, se é que existe tal projeto.

Entendemos que a delinqüência juvenil é um cancro social sim, que tem de ser combatido pelo Estado, com políticas efetivas de segurança, mas também, e sobretudo, de inclusão social.

Ainda há poucos dias, no Jornal do Almoço da TV RBS, líder de audiência em Florianópolis, uma reportagem mostrava um menor infrator que, por falta de vaga em estabelecimento de reeducação do Estado, estava algemado no porta-malas do veículo policial à espera de um lugar para recebê-lo.

O comentarista do jornal, de dedo riste, manifestava sua posição no sentido de que os menores infratores devem ser tratados como bandidos. Devem ser colocados em reformatórios, no estilo antigo, com tratamento unicamente policial.

Batendo na mesa, espumando de raiva, dizendo ser maldito o Estatuto da Criança e do Adolescente , o comentarista, provavelmente saudoso dos tempos dos porões da ditadura militar, dizia que tais reformatórios deveriam receber o nome de general Golbery do Couto e Silva.

Pelo nome sugerido, certamente tais reformatórios preconizados pelo comentarista, teriam suas câmaras de tortura equipadas com instrumentos como “choque elétrico”, “pau de arara”, “pimentinha”, “cadeira do dragão”, "afogamento" e outros, que foram usados nos porões do famigerado DOI CODI.

24/10/2007

CRIME ECOLÓGICO



por Luiz Rogério de Carvalho


Em matéria divulgada no Jornal Nacional, no dia 20/10/2007, foi mostrada a situação em que se encontra a Mata Atlântica, no Estado de Santa Catarina que, devido ao desmatamento indiscriminado, conta com menos de 7% de florestas, da mata original.

A reportagem é importante, para mostrar que depois da destruição de 93% da mata atlântica, ainda continua o desmatamento, caminhando para a rápida extinção de várias espécies, como as remanescentes araucárias, canelas e imbuias, para dar lugar à plantação de pinus.

É inacreditável que esse crime ecológico esteja sendo praticado sem o conhecimento do IBAMA e da FATMA(Fundação Catarinense para Defesa do Meio Ambiente), pois basta transitar pelas rodovias BR 282, 116 e 470 para ver que, mesmo às suas margens, no lugar das muitas matas antes existentes, hoje estão sendo plantados milhares de pinus, essa árvore exótica, verdadeira praga para a natureza, pois embaixo dela nada cresce. A fauna e a flora tornam-se praticamente impossíveis.

A Região Serrana do Estado de Santa Catarina onde a paisagem destacava-se pela beleza do verde de seus campos, e pela imponência de exuberantes araucárias, mescladas com a diversidade de outras árvores nativas, hoje está vestida de um verde sem esperança, representado por uma mata homogênea, com finalidade econômica sim , mas, sem levar em conta o alto custo para o meio ambiente, pois até as margens de rios e ribeirões estão sendo desmatadas.

Se, ao longo das rodovias, é visível o desmatamento para o plantio de pinus, é fácil imaginar o tamanho do dano ambiental que vem ocorrendo mais para o interior do Estado, onde a fiscalização deve ser praticamente inexistente, pois, conforme mostrou o Jornal Nacional, o desmatamento e os mares verdes de pinus, que estão invadindo as remanescentes matas nativas do Estado de Santa Catarina só foram descobertos por meio de fotografias feitas por satélite.

Uma das partes mais bonitas da Região Serrana Catarinense, a Coxilha Rica, abriga uma rica fauna e diversificada flora, e é conhecida pela beleza e qualidade de seus campos. Ali, a criação de gado de corte sempre representou a força da pecuária regional.

Pois até aquela maravilhosa região está sendo invadida pela febre do pinus e, se não for controlado o seu plantio, logo a veremos transformada numa imensa floresta de árvores exóticas, ilegalmente substituindo os verdes campos, e a mata nativa, habitat natural de tantos animais selvagens, incluindo o Leão Baio, o puma brasileiro.

22/10/2007

A ARTE DE SER FELIZ



por Mauro Roberto Cunha - Outubro/1964 - (In Memoriam)


NASCER, VIVER e MORRER – imperativo da natureza que tem acompanhado a marcha da humanidade na consecução de seu fim, estabelecido pelo Criador.

As plantas brotam da terra, reproduzem-se e murcham. Os animais procriam, proliferam a espécie, e desaparecem no mesmo anonimato em que nasceram.

O homem, entretanto, se tem idêntico princípio e o mesmo fim, se vem do pó e ao pó retorna, é o único ser vivo a quem foi dada a bela e difícil tarefa de VIVER. Viver, em sua acepção mais ampla, não significa anteceder a morte, mas tem um sentido que muitas vezes escapa à medida comum de nossos sentidos, de nossa percepção consciente.

VIVER é lutar sem, contudo, deixar escravizar-se pelos louros da vitória ou pela humilhação da derrota. É combater o vício praticando a virtude. É proteger os fracos sem tornar-se poderoso.

VIVER é semear o amor sobre a terra para que as gerações alimentem-se de seus frutos. É ver no Belo e no Perfeito um estímulo, mas jamais pretender igualar-se a eles. Viver é o mesmo que pisar no mundo sendo senhor de seus passos, contemplar o infinito sem prostrar-se à incredulidade.

VIVER é enfim, nascer todos os dias, para si mesmo e para a vida, descobrindo e valorizando o tesouro que há em cada uma de nós.

É nesse complexo sistema de atos em que o fenômeno humano atua com força criadora, porque uma lei colocou no homem um enigmático tesouro jacente e mandou que ele o descobrisse, medindo seu valor, avaliando sua extensão e projetando-o multidimensionalmente .

E quem agiu de acordo com a vontade dessa lei, terá cumprido a sua inalienável missão, terá acendido sobre a terra uma centelha de eternidade. Terá conseguido desvendar, finalmente, o segredo da verdadeira ARTE DE SER FELIZ.

19/10/2007

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO



por Luiz Rogério de Carvalho

O Governo, após constatação, em auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União, acaba de proibir, pelo prazo de 90 dias, a concessão de empréstimos consignados - aquele com desconto direto em folha de pagamento - a funcionários públicos federais, pois existe a suspeita de que graves irregularidades estão ocorrendo, especialmente, o desconto superior a 30% do salário do aposentado.

Oxalá, essa proibição temporária seja transformada em definitiva, estendendo-se aos funcionários públicos estaduais e municipais, pois esse tipo de empréstimo consignado tem sido motivo da desgraça de grande número de aposentados que, pressionados pelas dificuldades, ingenuamente, assumem compromissos acima de suas possibilidades, cujos descontos em folha de pagamento representam significativo desfalque no orçamento, já apertado.

É comum ouvir que aposentados, sensibilizados com as dificuldades dos filhos, netos ou amigos, fizeram empréstimos em seus nomes, e que tiveram de pagar, pois o repasse prometido não foi cumprido.

Para as instituições financeiras, cuja voracidade não tem limite, essa modalidade de empréstimo, sem nenhum risco, representa um excelente negócio, que tem contribuído, de forma substancial, para engordar ainda mais os seus lucros.

Para os Bancos e Financeiras, o empréstimo consignado, por ser seguro e gerar um enorme volume de negócios, é tão importante que, nas esquinas das principais cidades brasileiras, já é comum ver pessoas entregando folhetos convidando os aposentados a contrair o famigerado empréstimo.

Em uma das mãos, está a oferta do DVD pirata, na outra, a propaganda do empréstimo consignado.

15/10/2007

O CHEQUE



por Luiz Rogério de Carvalho

Era o único filho de um pai muito rico que, mesmo sabendo que o moço era um baita malandro, nunca deixou de fazer até o impossível, para ver se o danado acertava o rumo na sua doida vida.

Para estudar, foi colocado no melhor colégio da região serrana, que era dirigido pelos padres franciscanos, conhecidos como bons educadores e disciplinadores. Foi pura perda de tempo, pois o rapaz, nem tinha chegado à metade do ano, e já estava de volta à casa paterna, alegando que não dava para agüentar aqueles padres loucos de bravos.

Ficando em casa, agora sem estudar, tinha todo o tempo para incomodar os pais, que já não sabiam mais o que fazer para encaminhar o meninão.

Completando dezoito anos, a primeira coisa que fez foi pedir ao pai, que lhe comprasse um caminhão, pois sua vocação era ser um caminhoneiro, e viajar pelas estradas do Brasil, transportando mercadorias.

Sem convicção, mas na esperança de que o filho, que não queria mesmo estudar, se realizasse nessa atividade, comprou o desejado caminhão, e lá se foi o nosso personagem fazer sua viagem inaugural.

Depois de duas semanas, quando o pai começava a acreditar que tinha encontrado o meio de vida ideal para o filho tornar-se independente, e deixar de incomodar, como era o seu costume, eis que ele chega em casa, de ônibus, dizendo que tinha quebrado o caminhão e, por isso o vendera. Só que dinheiro já não tinha mais, pois, soube-se depois, tudo fora perdido no jogo, e gasto em festas na zona, quando dizia que, com ele, não tinha puta pobre.

Agora queria comprar um automóvel, pois dizia que o aluguel de carro de praça era um bom negócio. Tanto insistiu, que conseguiu convencer o pai a comprar o tal automóvel.

Antes de por o carro na praça para alugar, numa curva, perdeu a direção e bateu num muro destruindo toda a frente do veículo. Para não mandar consertar, vendeu o carro por menos de 10% do valor. O que sobrou torrou à noite numa mesa de jogo de cartas.

Desta vez, o pai perdeu a paciência e resolveu admoestá-lo severamente, dizendo que não daria mais nem um tostão para ser gasto irresponsavelmente. O velho já estava cansado de tanto pagar as dívidas que o filho fazia, e que não pagava. Já era conhecido como o pai do maior caloteiro da cidade.

Os cheques que ele dava, freqüentemente voltavam por falta de fundos. Notas Promissórias, assinadas por dívidas de jogo, já não eram mais aceitas, por isso até andou apanhando de um credor numa certa madrugada.

Sem crédito nem com o pai, o nosso personagem, bom de conversa, resolveu ir para o interior, na tentativa de ali enganar alguém que não o conhecesse. Conseguiu.

Comprou à prazo, uma égua muito bonita, que levou para disputar uma corrida na raia da cidade. Pois a égua ganhou a penca, e logo apareceu alguém interessado em comprá-la. Depois de muita pechincha, resolveu vendê-la por 1.200,00

O comprador disse que daria 800,00 em dinheiro, à vista, e o restante seria pago com um cheque de terceiro. O negócio foi fechado, mas, quando o comprador da égua entregou o cheque de 400,00, a resposta veio rápida, e taxativa: cheque meu eu não aceito.

12/10/2007

JORNAL A NOTÍCIA



por Luiz Rogério de Carvalho

Na democracia, pressupõe-se, além da plena liberdade de pensamento e expressão, também a possibilidade de externar o pensamento das diferentes correntes de opinião, através dos meios de comunicação, sem que haja cerceamento ou patrulhamento ideológico.

Nesse contexto, a diversidade dos meios de comunicação é fator importante para a divulgação das idéias, sejam elas de esquerda ou de direita.

Assim, por mais que se queira defender o direito de grupos econômicos, de se expandir no ramo das comunicações, adquirindo empresas de televisão ou jornais regionais, quando essa expansão se apresenta de forma a permitir que determinado grupo detenha, na prática, o quase monopólio da comunicação, especialmente da imprensa escrita, onde os jornais, inegavelmente, representam relevante papel na formação da opinião, então, pode-se dizer que alguma coisa está errada.

A liberdade de expressão, embora existente, nem sempre é acompanhada pela possibilidade de acesso aos meios de divulgação, quando estes são oligopólios.

É inegável que os meios de comunicação, especialmente a imprensa escrita, através dos jornais, são fortes formadores de opinião na região em que atuam.

Assim sendo, quanto maior o número de jornais existentes em determinada região, maior é a possibilidade de criação e divulgação de idéias.

Por entender a imprensa, especialmente o jornal, com essa dimensão na construção e defesa de uma democracia sólida, foi que tomei conhecimento, com tristeza e preocupação, da transferência do jornal A Notícia, veículo de comunicação regional que, durante mais de 80 anos, serviu ao Estado, especialmente à região norte de Santa Catarina, com independência e eficiência, para um poderoso grupo de comunicação que, com muita competência, vem tornando-se hegemônico no sul do país.

29/09/2007

VIOLONISTAS


por Luiz Rogério de Carvalho

Os amantes da boa música, especialmente aqueles que gostam da música instrumental, certamente têm na Internet um grande aliado, pois basta um pouco de paciência para que sejam encontradas nos diversos sites, músicas de todos os gêneros.

Para quem, entre os vários instrumentos musicais existentes, tem preferência pelo violão, é muito fácil encontrar um verdadeiro manancial de instrumentistas que, com seus estilos próprios, e competência de gênio, deleitam nossos ouvidos.

Há pouco tempo encontrei o site http://www.luckysevenradio.com/ que, entre os muitos estilos musicais que oferece, destaco, para meu gosto, “Easy Classical”, "Solo Piano, “Piano Jazz” e “Guitar”. Este último toca a maioria dos grandes violonistas, mortos e vivos, de todo o mundo.

Ali, a gente tem a oportunidade de ouvir excelentes e famosos violonistas como Paco de Lucia, John Willians, Estéban, Julian Brean, Alex Fox, e muitos outros que, pelo seu virtuosismo, já são consagrados no mundo inteiro.

Foi ali, que conheci boa parte da obra musical do brasileiro Carlos Barbosa-Lima, radicado nos Estados Unidos, que vem sendo aclamado pela crítica especializada por suas interpretações, que vão de obras eruditas de Bach, Handel e Scarlatti, a contemporâneas da área popular de autores como Antônio Carlos Jobim e Bobby Scott.
Sua habilidade ao violão provocou de Tom Jobim o seguinte comentário: “Nas mãos de Carlos Barbosa-Lima, o violão se transforma numa orquestra”.

No site, a gente também ouve músicas tocadas pelo extraordinário músico brasileiro Laurindo Almeida que, radicado nos Estados Unidos desde 1.947, já falecido, e pouco conhecido no Brasil.
Para se ter idéia da importância de Laurindo Almeida, na música instrumental, basta dizer que ao longo de sua carreira participou da trilha sonora de cerca de 800 filmes, ganhou 6 prêmios Grammy, além de uma série de outros prêmios da indústria fonográfica e cinematográfica, consolidando uma respeitável carreira como compositor e arranjador, além de instrumentista.

Só lamento não ter ouvido ainda, neste ótimo site, músicas executadas pelo mestre Baden Powell, assim como também senti a falta de músicas tocadas pelo extraordinário, e precocemente falecido, aos 32 anos de idade, o brasileiro Rafael Rabelo, violonista que Antônio Carlos Jobim dizia ser o melhor do Brasil, e que Paco de Lucia disse ser o melhor do mundo.

26/09/2007

FLORIANÓPOLIS - URGENTE



por Luiz Rogério de Carvalho


Florianópolis, esta bela ilha, privilegiada pela natureza, foi dotada de montes, praias e rios, num desenho tão lindo que encanta e seduz todos os visitantes.

Essa beleza, que tem sido cantada e divulgada como forma de propaganda, para atrair turistas e novos moradores, tem sido usada, também, como meio de atrair investidores, especialmente na área da construção civil.

Para esse segmento econômico essa política tem sido altamente positiva, pois o que se vê é um surto de construções, em todas as regiões da ilha.

Entretanto, como em tudo existem dois lados, também aqui temos que ver o outro lado, o negativo.

Nossa linda ilha cresceu, mas, infelizmente, não teve das autoridades responsáveis a necessária preocupação de dotá-la de um eficiente sistema de esgoto, para dar à população um serviço de saneamento a altura de suas necessidades, e compatível com as belezas naturais tão decantadas.

A omissão do poder público, em muitos casos agravada pela ação de alguns de seus representantes, em concessões indevidas, com certeza tem sido responsável pelo fato de que, hoje, nossa ilha conte com menos de 20% da população atendida com serviço de esgoto, índice inferior ao de capitais do nordeste.

O resultado desse descaso pode ser verificado na situação de muitas de nossas praias, que não apresentam condições ideais de serem freqüentadas, assim como na catinga que temos de suportar na avenida Beira-Mar Norte, a mais badalada, e também no aterro da Baía Sul, onde foi instalada uma usina de fedor, que funciona muito bem.

Agravando a situação de nossa maltratada bela ilha, temos a expansão das invasões nas encostas dos morros, aonde as áreas verdes, de preservação permanente, aos poucos vão sendo engolidas pelo avanço dos casebres, que a deterioração do tecido social obriga as pessoas pobres a construir.

Portanto, para que nossa linda ilha possa ser legada aos nossos sucessores com a beleza que encontramos, e com a qualidade de vida que alardeamos, é urgente que as autoridades responsáveis, especialmente aquelas eleitas com o compromisso de bem gerir a coisa pública, se conscientizem de que as obras públicas necessárias devem ser construídas, o meio ambiente respeitado, e que o bem comum deve estar sempre à frente dos interesses particulares.

25/09/2007

TV CULTURA




por Luiz Rogério de Carvalho


Os programas de televisão apresentados pela TV CULTURA de São Paulo, que em muitas cidades brasileiras vêm sendo retransmitidos por estações de TVs públicas locais, diferenciados da maioria da programação da televisão brasileira aberta, são de inquestionável utilidade, desempenhando um papel educativo de extraordinário valor no desenvolvimento cultural de nossa gente.

Entretanto, aqui em Florianópolis, capital catarinense, parece que ainda não existe um real interesse na retransmissão desse valioso canal de televisão cultural e educativa, pois mesmo existindo uma estação retransmissora aqui, é péssima a qualidade das imagens que transmite, fazendo com que poucas pessoas mantenham seus aparelhos ligados no Canal 2.

08/09/2007

VIVENDO NO INTERIOR



por Luiz Rogério de Carvalho


Meu sogro, fazendeiro já nos seus 88 anos, um dia chamou os filhos e disse que estava decidido em vender a fazenda, e foi logo dizendo que parte do resultado seria dividido entre os filhos.

Diante dessa decisão tomei a iniciativa de pedir para que a parte que tocaria à minha mulher não fosse vendida, pois eu desejava construir uma casa no terreno, que fica na bela região da Coxilha Rica. Isso porque eu já pensava no que fazer na minha aposentadoria, que era viver uma boa parte dela em contato com a natureza, longe do barulho e dos problemas da cidade.

O projeto foi feito, e a casa foi construída. Ficou uma beleza e, com o tempo, ainda ficou mais bonita, pois melhoramentos e embelezamentos foram agregados.

É verdade que durante vários anos, antes de mudar-me para lá, a propriedade dos sonhos funcionou como uma amante argentina, pois morando em Blumenau a cerca de 300 quilômetros de distância, no máximo uma vez por mês gozava as delícias da região serrana. Isto sem contar com as despesas sempre crescentes, para a manutenção e conservação do imóvel que, por ser pequeno, não dava retorno econômico apreciável. Valia muito mais pelo sossego e a paz de espírito que o lugar oferecia.

Depois de aposentado ainda advoguei durante alguns anos, até que resolvi fechar o escritório e ir morar no sítio, que fica a 50 quilômetros da cidade de Lages.

Com a intenção de morar dez anos na tranqüilidade da doce vida do campo, o tempo corria rápido e eu já pensava em segurá-lo, pois era muito boa a vida no interior. Mas, como nos nossos planos nem sempre conta só a nossa vontade, a morte de minha sogra, que era nossa companheira no sítio fez com que minha mulher ficasse com muito medo de continuar morando longe da cidade e de familiares.

Dizia que dois velhos sozinhos são muito vulneráveis. Acabou vencendo, e hoje moramos em Florianópolis, nesta bela e agradável capital que, com seus encantos, procura me fazer esquecer da nossa morada ao lado de lindas araucárias, onde as gralhas, as curucacas e os sabiás faziam mais belas as nossas manhãs.

Foram seis, dos dez anos programados para morar naquele pequeno paraíso, onde a paz e a tranqüilidade fazem parte da verde paisagem serrana. O que ficou foram as amizades feitas ao longo desse tempo inesquecível, pois a gente do interior, simples e sincera, ainda sem a necessidade de viver correndo, dedica mais tempo aos amigos, as prosas são mais longas, os "causos" mais interessantes.

07/09/2007

A CEGUEIRA EVITÁVEL



por Luiz Rogério de Carvalho


Consta que aproximadamente uma criança fica cega a cada minuto no planeta.

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) revela que 80% da cegueira mundial poderiam ser evitadas, sendo 60% curáveis e 20% previsíveis, se o teste do reflexo vermelho, ou simplesmente o “teste do olhinho” fosse adotado como medida de rotina em todas as maternidades.

Estima-se que existam cerca de 400 mil crianças cegas no mundo, e 94% estão nos paises em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que existam entre 25 e 30 mil crianças cegas.

Esta estatística, que é assustadora, revela também que na maioria dos serviços de neonatologia do Brasil os olhos dos recém-nascidos não são adequadamente examinados.

Como resultado, mais de 50% dos recém-nascidos só têm a alteração descoberta quando estão cegos ou quase cegos para o resto da vida. Revela o estudo da SBOP , que as seqüelas seriam prevenidas em grande parte se o problema fosse tratado no tempo certo.

O “teste do reflexo vermelho” recebe esse nome porque, quando a luz é projetada no olho do bebê sadio, um reflexo vermelho ou amarelo-avermelhado proveniente da retina se apresenta. Tanto a intensidade como a coloração do reflexo devem ser semelhantes em ambos os olhos, ou seja, simétricos.

A reflexão da coloração avermelhada normal da retina ocorre porque os meios oculares (córnea, cristalino e vítreo) encontram-se transparentes. “A ausência do reflexo ou a presença de reflexos diferentes em um ou outro olho podem significar alguma alteração congênita. Neste caso, a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista com urgência”. É o que explica Célia Nakanami, chefe do setor de oftalmopediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O teste também pode ser realizado nas consultas rotineiras em crianças maiores, de qualquer idade, e não só no berçário, pois muitas doenças passíveis de diagnóstico pelo método podem aparecer tardiamente.

Estima-se que atualmente 0,4% dos recém-nascidos seja portador de catarata congênita. Esse número é decorrente da alta incidência de infecções congênitas como a rubéola. Já nos paises desenvolvidos sua maior causa é genética.

A catarata congênita é detectada pelo teste do olhinho, quando apresenta um reflexo vermelho que não é visto de maneira clara ou uniforme. Daí a importância do diagnóstico precoce desse tipo de catarata, para a eficácia do tratamento cirúrgico, procedimento que poderá deixar danos irreversíveis se realizados muito mais tarde. Outras doenças dos olhos também podem ser diagnosticadas precocemente através do “teste do olhinho”

O teste, que dizem ser simples e rápido, pode ser feito pelo próprio pediatra do hospital ou da maternidade, e o único equipamento necessário para o exame é um oftalmoscópio direto, cujo investimento, pelo custo-benefício é muito baixo.

Pela importância de que o “teste do olhinho” se reveste, o município de São Paulo, a capital carioca, e várias outras cidades do Brasil já adotaram esse procedimento nos seus sistemas de saúde. Espera-se que sejam seguidos pelos demais municípios brasileiros.

20/08/2007

FLORIANÓPOLIS, O PARAÍSO

Ponte Hercílio Luz / foto de Flávio Oliviera


por Luiz Rogério de Carvalho


Aposentado, vindo do interior do Estado, moro na cidade de Florianópolis, no lindo Bairro de Coqueiros onde, além de curtir, extasiado, as belezas naturais das “Praia da Saudade”, “Praia do Meio”, “Itaguaçú” e “Bom Abrigo”, sempre ouço, no rádio e na televisão, assim como também leio nos jornais, que Florianópolis é a mais bela e atraente capital brasileira, a que oferece a melhor qualidade de vida.

Bela e atraente, sem dúvida, a capital catarinense é. Suas mais de quarenta lindas praias, da ilha e do continente, e uma topografia privilegiada fazem desta cidade, um cartão postal capaz de encantar qualquer visitante.

Os visitantes, especialmente aqueles que moram em grandes capitais, sufocados com a poluição, com a insegurança, com o trânsito, congestionado e desumano, desejosos de encontrar o lugar ideal para morar, e pensando no melhor para os seus filhos, muitas vezes levados também pela propaganda, voltando para as suas cidades, muitos tem buscado um meio de mudar para Florianópolis, para viver neste paraíso, abençoado pela natureza com tantas belezas, e lindos ocasos.

Entretanto, esta cidade, que tem nas belezas naturais seu principal atrativo e, por isso, de tão divulgada, hoje já é o refúgio de brasileiros de todas as partes, também sofre por ser bela e encantadora; parte da construção civil vendo na expansão imobiliária grandes possibilidades de negócios, ao lado do progresso que promove, também tem sido a grande vilã na degradação do meio ambiente, e do crescimento desordenado. Para tanto, muitos não se pejam e, para a construção de obras inadequadas e irregulares, que agridem o meio ambiente, ferindo a legislação ambiental, apóiam-se em políticos e servidores públicos corruptos, na ânsia do enriquecimento.

É o que vem acontecendo, ao longo de vários anos, com construções irregulares, aprovadas por funcionários e vereadores desonestos e corruptos que, longe de exercer suas funções na defesa do bem público, aliam-se a “empresários” inescrupulosos que, nenhuma preocupação têm com o desenvolvimento ordenado e o bem estar social.

Felizmente, com a operação “moeda verde”, desenvolvida pela Polícia Federal, Ministério Público e, hoje, também a Câmara de Vereadores de Florianópolis, e na expectativa de que o Judiciário também fará a sua parte, temos a esperança de que a situação se modifique, e a lei passe a ser respeitada, para que nossa capital, apesar dos danos ambientais já sofridos, possa ter, daqui para frente, condições de crescimento disciplinado, respeitada a legislação, especialmente a ambiental, para que sejam preservados os mangues e as áreas verdes de preservação permanente, pois, só assim, teremos condições de dizer que vivemos numa capital que, além da qualidade de vida, também se destaca pelo respeito à lei e ao meio ambiente, com vista à melhor qualidade de vida da população que aqui já vive, e também daqueles que, atraídos pela propaganda, para aqui acorrem.

04/08/2007

SAUDAÇÃO À BANDEIRA



por Luiz Rogério de Carvalho


Para saudar-te, não tenho a pretensão de fazê-lo com o colorido das frases lapidares do poeta, mas sim, com palavras singelas de um modesto obreiro, e com a sinceridade de seu discurso, que procura representar o sentimento pátrio deste grupo de homens livres, aqui reunidos.

Saúdo-te, Bandeira do Brasil, reafirmando, nesta homenagem, nossa lealdade e fidelidade, desejando que as cores que ostentas sejam o símbolo do que almejamos para o nosso país.

Que o branco, símbolo da paz, jamais seja manchado pelo sangue, na guerra fratricida, nem com a sanha expansionista e hegemônica que, a pretexto de salvaguarda internacional, quase sempre escondendo objetivos econômicos inconfessados, levam paises a guerras injustificadas, com a perda de milhares de vidas de seus filhos.

Que o amarelo, que representa o potencial econômico e a riqueza de nosso país, seja símbolo também da prosperidade nacional, com essa riqueza melhor distribuída entre os brasileiros, e não concentrada numa minoria privilegiada, como acontece atualmente, o que coloca o Brasil na condição de um dos paises que apresenta a maior distância entre a pobreza e a riqueza, na vergonhosa posição de um dos campeões do mundo na concentração de renda, e da conseqüente injustiça social.

Que o verde de nossas florestas, assim como os mananciais naturais que, diretamente, influem na qualidade de vida dos brasileiros, sejam também respeitados, para que possamos deixá-los, como legado, às gerações que nos sucederem.

Que esse verde de nossas matas, teimosamente ainda existentes, seja também o símbolo da esperança, de que os homens públicos, especialmente aqueles eleitos com propostas progressistas e honestas, sejam coerentes depois da sua chegada ao poder, e desempenhem suas atividades, voltados para os sãos interesses da pátria e da coletividade, e não façam da função pública, para a qual foram eleitos, um meio de realização de interesses, meramente pessoais.

Salve Bandeira do Brasil, símbolo augusto da paz que, reverenciada por um povo bom e generoso, representa a esperança de um futuro melhor para todos os brasileiros, no país que sonhamos para nossos filhos, onde a riqueza seja bem distribuída e a desigualdade social deixe de ser a raiz da insegurança, que atormenta toda a sociedade.

Bandeira do Brasil, que paira altaneira, e tem sido sempre estímulo e inspiração do soldado, na defesa da pátria, receba neste instante, dos obreiros da paz, aqui reunidos, a reafirmação de nosso compromisso, de que na defesa da ética, da honra, da moral e da razão, máxima do nosso ideal, jamais nos afastaremos deste caminho, para honrar-te, e defender tudo o que representas.

Finalizando, Bandeira do meu Brasil, saúdo-te, também, com o verso patriótico de Castro Alves:


“AURIVERDE PENDÃO DE MINHA TERRA
QUE A BRISA DO BRASIL BEIJA E BALANÇA,
ESTANDARTE QUE À LUZ DO SOL ENCERRA
AS PROMESSAS DIVINAS DA ESPERANÇA”

01/08/2007

A VIDA...



por Luiz Rogério de Carvalho


Consternados, choramos quando a morte nos leva um ente querido, pois, mesmo sendo o fim de todos e, talvez, a única certeza que temos na vida, a dor que sentimos na perda é incomensurável, e consolar é apenas uma tentativa que fazemos, na esperança de aliviar a dor de quem padece.

Entretanto, ao longo de nossa caminhada, as perdas, por mais tristes e dolorosas que sejam, representando ferimentos que deixam profundas cicatrizes, têm no tempo, que é nosso aliado, o bálsamo milagroso, o melhor remédio para todos os males.

Com o passar dos anos, embora sentindo saudades, vamos acostumando com a nova realidade, e a vida vai reencontrando seu caminho, e restabelecendo seu ritmo normal.

Não nos conformamos, entretanto, porque não podemos refazer, é com a interrupção de uma vida jovem, que uma morte prematura implacavelmente interrompe, fazendo desaparecer, para sempre, todos os sonhos e projetos.

Era a esperança de viver muito, para viajar, conhecer muitos lugares e fazer novos amigos, de acompanhar o crescimento e a realização dos filhos, sentindo neles sua própria realização, ter a família aumentada com o nascimento dos netos, e neles ver a continuação da sua vida e, então, já na velhice, poder olhar para trás e dizer: foram longos, belos e pródigos os anos de minha vida, apesar das vicissitudes que também concorreram para torná-la ainda mais interessante.

Entretanto, a realidade, com sua cara muitas vezes cruel, se nos apresenta bem diferente daquela com que sonhamos viver, pois acima de nossa vontade, temos de admitir que estão desígnios superiores, bem mais fortes que nosso desejo de ser e de continuar feliz, ao lado da pessoa que amamos.

EDUCAÇÃO E CIDADANIA


por Luiz Rogério de Carvalho


Hoje saí de casa para ir ao Banco. Caminhando na calçada, logo tive de mudar o caminho e andar pela rua, correndo o risco de ser atropelado, porque um carro estava estacionado sobre a calçada, impedindo a passagem dos pedestres.

Um guarda de trânsito estava advertindo a jovem motorista, bonita e vistosa, de que ela seria multada pela infração praticada. Para meu espanto, ouvi a moça perguntar ao guarda, se era proibido estacionar sobre a calçada.

Saindo dali, a poucos metros de distância, atravessando a rua, na faixa de segurança, fiz sinal para um motorista, que vinha em velocidade excessiva, para que reduzisse a marcha, pois eu estava atravessando. Novamente fui surpreendido, desta vez, pela buzina do motorista, que xingou, como se eu estivesse errado, atravessando na faixa, e ele correto, na sua alta velocidade, e ignorando a faixa de segurança.

Há poucos dias, andando pela rua, encontrei dois jovens aparentando idade entre 15 e 17 anos. Do outro lado da calçada, eu os observava.
Andando, conversavam, e um deles com uma latinha na mão, tomava seu refrigerante, com um canudinho. De repente, observei, que sem a menor preocupação ele jogou lata e canudinho na calçada, bem próximo de uma lixeira.

Então, fico pensando, não será o nosso mal distribuído desenvolvimento econômico, acompanhado da conseqüente injustiça social, fruto também de uma sub cultura, da falta de educação em geral, cuja superação é indispensável para que atinjamos o nível de países desenvolvidos? Penso que sim. E essa mudança, necessária no comportamento das pessoas, deve abranger toda a sociedade.

Os adultos, já acostumados com a prática de atos irregulares, como se fossem corretos, para esses, não vejo outro meio de corrigi-los a não ser por meio de dura repressão, com multas, que sejam sentidas diretamente no bolso.

Penso, ainda, que uma mudança de hábitos, mais significativa e permanente só se conseguirá com uma educação eficiente, numa escola que transmita não apenas conhecimento, mas também que ensine às crianças, já na primeira fase escolar, seus direitos e deveres de cidadão.

USINAS HIDRELÉTRICAS


por Luiz Rogério de Carvalho


Ao relutar em ceder às pressões e irritação do Planalto, para conceder licença ambiental para a construção das duas usinas do Complexo Rio Madeira, em Rondônia, uma obra que, além dos benefícios, também poderá vir a causar um enorme prejuízo para o meio ambiente da região, e para o eco sistema de modo geral, a ministra Marina Silva mostrou uma real preocupação com as graves conseqüências que uma aprovação apressada pode produzir.

Foi por uma decisão apressada, com base num estudo de impacto ambiental fraudado, certamente com a conivência de funcionários corruptos, a serviço de empreiteiras, que a usina Barra Grande, em Santa Catarina, foi construída, inundando mais de 6.000 ha de florestas, sendo que mais de 2.000 ha constituídos de floresta primária de araucárias, a maior reserva do sul do país, numa extensão de quase 100 quilômetros, na serra catarinense.

O crime ambiental perpetrado naquela região foi de proporções gigantescas, causando um dano ecológico que jamais será reparado.

Além da floresta nativa, mata ciliar, milhares de araucárias, remanescentes de uma espécie praticamente em extinção, grande parte da vida selvagem, de muitas espécies, que era abrigada pela mata, também sofreu golpe mortal, pois sem abrigo e alimento, o destino fatal foi o completo desaparecimento.

Portanto, ligando os fatos, pela semelhança, é fácil imaginar as pressões políticas que a ministra deve ter sofrido, diante do projeto de construção das duas usinas, Santo Antônio e Jirau, cujo investimento está estimado em mais de 20 bilhões de reais.

Para as empreiteiras e outros “interessados”, cujo principal objetivo é o lucro e a “vantagem”, não importa que a construção represente ameaça de desaparecimento de inúmeras espécies de peixes, principais fontes de alimento da região, que inunde enormes áreas de florestas, fazendo desaparecer importantes espécies da fauna e da flora local.

Por isso, mesmo diante da urgente necessidade que o país tem de aumentar sua capacidade de energia hidrelétrica, a resistência da ministra, de somente ceder licença ambiental depois de profundo e sério estudo do impacto ambiental naquela região amazônica, deve merecer respeito, apoio e o aplauso de toda a sociedade.

30/07/2007

CÃES ABANDONADOS NA RUA



por Luiz Rogério de Carvalho

Está ficando insustentável e preocupante a situação, criada com a existência de tantos animais perambulando pelas ruas da cidade, com destaque para o bairro de Coqueiros, em Florianópolis, aonde resido.

Alguns cães são vira-latas, nascidos e criados na rua, outros, são cães que, pela aparência de serem animais de boa linhagem, mas, já envelhecidos, devem ter sido abandonados por seus donos que, numa atitude cruel, depois de terem tido companheiros fiéis durante anos, como objetos descartáveis, os jogam na rua, para passar fome, contrair doenças e, na maioria das vezes, morrer sob as rodas de algum veículo, no trânsito movimentado.

Por sorte, existem pessoas bondosas que, preocupadas com o problema, com pena dos animais, adotam alguns mais afortunados, que voltam a ser bem tratados, como todos os cães deveriam ser.

Outras pessoas, dizendo-se amigas dos animais, apenas os tratam na rua, mantendo-os assim expostos aos riscos de atropelamentos, e a contraírem doenças, como a raiva, que pode ser transmitida para seres humanos. É como a esmola, mitiga a fome imediata, mas não dá futuro.

Entretanto, não obstante o desleixo de algumas pessoas, e a preocupação de outras, com os cães que habitam nossas ruas, não se pode isentar de responsabilidade o órgão público responsável pela equação e solução de problemas como esse, que representam também ameaça à saúde pública, e sujeira para as ruas da cidade.

A Prefeitura Municipal tem obrigação de cuidar do problema, seja recolhendo os cães de rua, para serem medicados e esterilizados, a fim de evitar uma proliferação descontrolada, seja para depois de recolhidos e medicados, serem encaminhados para adoção.

A exemplo de muitas prefeituras, de inúmeros municípios brasileiros, também a Prefeitura Municipal de Florianópolis, se não tem, deveria ter um departamento especializado, com a tradicional “carrocinha”, e funcionários treinados para a captura e o recolhimento dos cães de rua, desejosos de serem adotados.

22/06/2007

Relembrando



por Luiz Rogério de Carvalho


Cabecinha branca, conversador, tranqüilo e sereno, com seus mais de setenta anos de idade, tinha atitudes e pensamentos de jovem, que contagiavam, e era exemplo para todos que o conheciam.

Era um homem franzino, mas com uma grande disposição para o trabalho, os mais rústicos e pesados, que poucos moços o acompanhavam nos árduos afazeres da vida campeira.

Chegando na casa de qualquer vizinho, onde estivessem executando algum trabalho, mesmo sem perguntar se precisavam de ajuda, logo tomava a iniciativa e, sem que se percebesse, já lá estava ele com as mãos na massa, e destacava-se pela eficiência.

Assim era "seu" Jany, pequeno proprietário rural que, além do trabalho na sua propriedade, cuidando de suas criações, que eram uma beleza, também prestava serviços para os fazendeiros da região.

Homem de confiança, e despachado, sempre muito procurado, tinha sua agenda sempre cheia.

Nos domingos e feriados, muitas vezes tive a satisfação de receber a visita daquele velho e saudoso amigo que, chegando sem alarde, na sua bonita e bem encilhada égua tordilha, apeava e ia logo dizendo que vinha para “um bom dedo de prosa”.

Contando suas histórias campeiras, sempre interessantes, na varanda de minha casa, no verão, ou à beira do fogão, no inverno, ao sabor do chimarrão, as horas passavam alegres e despercebidas.

Estimado por todos, na região, era conhecido também pelo fato de que não admitia falhar, nem consigo, nem com os outros.

Contam, seus conhecidos mais antigos que, certa vez, combinou com um fazendeiro da região, que este passaria na sua casa às cinco horas da manhã, para fazerem uma lida na fazenda.

Tendo ido dormir muito tarde, e cansado, quando o fazendeiro chegou, de madrugada, e buzinou na frente da casa, chamando, "seu" Jany acordou-se, assustado, pois tinha perdido a hora de levantar, coisa que nunca lhe tinha acontecido.

Quando o fazendeiro o chamou, ele, de pronto respondeu, lá do quintal: estou aqui "seu" Antônio. Estava com a enxada na mão, capinando, e só de cuecas.

Não sabia o fazendeiro, que ele pulara a janela, e simulava um trabalho, para não ser surpreendido ainda na cama, coisa que jamais lhe acontecera, e que o faria sentir-se ferido no seu orgulho de homem cumpridor de suas obrigações.

Aquele homem simples e trabalhador, bom e prestativo, que nunca se queixou de nenhuma doença, de repente sentiu que suas forças estavam faltando, seu trabalho já não rendia como antes, embora a vontade ainda fosse férrea.

A dor começou a maltratá-lo, a pele foi amarelando, e estava emagrecendo tanto, que teve de ser levado ao hospital, onde foi diagnosticado câncer no fígado, em estado bem avançado.

Fui visitá-lo, no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, e ele, cheio de esperança, dizia que precisava voltar logo para o sítio, porque tinha as ovelhas para tosquiar, a roça de milho para colher, e os terneiros, recém nascidos, para cuidar.

Não viveu muito, pois, embora acostumado às árduas lutas da vida campeira, não conseguiu vencer a última batalha, contra a doença. Em pouco tempo o levamos para a sua última morada, no cemitério da Vigia.

Na lembrança de seus amigos, e de quem o conheceu, ainda continua vivo e alegre, contando suas longas e divertidas estórias e histórias, acontecidas nos campos da Coxilha Rica.


13/06/2007

Tributo à Memória de meu Pai



por Luiz Rogério de Carvalho

José Arruda de Carvalho, Zeca, como carinhosamente era chamado, foi um homem sempre preocupado com a humanidade, que viveu seu tempo como um verdadeiro cristão.
A caridade foi uma das principais preocupações em toda sua vida. Dividir o pão com seu semelhante constituía sua grande alegria, pois o sofrimento de quem sentia fome era, para ele, motivo de grande tristeza. Por isso, da porta de sua casa, jamais alguém voltou de mãos vazias.

Quando morou em Lages, ainda novo, muitas vezes recolheu, para dormir na sua “Alfaiataria Carvalho”, mendigos que estavam dormindo na rua, e expostos ao inclemente frio do inverno serrano; lembro-me, também, de uma ocasião, em Florianópolis, quando um desconhecido dizendo estar com sua filha doente, internada no Hospital Infantil, disse que não tinha onde dormir, por não poder pagar um dormitório. Meu pai, consternado com a situação aflitiva de seu semelhante, não teve dúvidas, o levou para dormir em seu apartamento, não se preocupando com o risco que poderia ter corrido, por hospedar um estranho.

A bondade, com que sempre tratou todos, crianças, jovens ou velhos, fez dele um homem que, mesmo discordando de opiniões contrárias às suas e, às vezes, de forma veemente, nunca abandonou a urbanidade em suas relações pessoais.
Generoso para todos e, extremamente amoroso com seus familiares e amigos, sempre foi um defensor intransigente dos oprimidos e tolerante com os fracos, nos quais sempre encontrava alguma qualidade para enaltecer.

Por toda as suas qualidades e virtudes, que o fizeram credor de amizade e simpatia em todos os lugares por onde passou, tenho a certeza de que sua alma encontra-se em algum lugar sagrado, onde habitam os espíritos iluminados.
Seu corpo material que, consternados, devolvemos à terra, certamente, reintegrado à natureza, também viverá, nos mares, nas praias, nas águas dos riachos e das cascatas, no cantar sonoro dos pássaros, no perfume das flores e no verde das florestas que, em vida, ele tanto amou e preservou, plantando e regando árvores, tantas que, alegre, viu frutificar.

Da sua existência na terra, percorrida com trabalho e dificuldades, mas, também permeada de amor, esperança e alegria, ficou, como legado mais precioso, para seus filhos e amigos, a lembrança imorredoura e o exemplo de uma vida digna.


06/06/2007

Amigos Inseparáveis



por Luiz Rogério de Carvalho


Eram cinco amigos, inseparáveis. Volnei, o mais velho, o líder, aquele que sempre orientava os outros nas brincadeiras, e até nas molecagens que faziam na rua, nem sempre muito ortodoxas. Era o filho mais novo de uma família numerosa. O pai dele, “major” Otacílio, cartorário, homem sisudo, de poucas palavras, mas, de muito bom coração, e preocupado com o futuro do filho e de seus amigos, que ele sabia ser uma turminha da pesada, preocupante...

A casa do Volnei era o ponto de reunião da turma, e refúgio daquele que, durante a semana, por algum motivo estava, temporariamente, de bronca com seus pais.
Tinha também o Emir, o “turco gordo”, filho do seu Jorge da venda, e da dona Samira. Ela, sempre alegre e bonachona, nos convidava para saborear os saborosos quitutes da cozinha árabe que, como ninguém, sabia fazer. O Emir, grande gozador, era o algoz do seu irmão mais velho, que tocava violino e pensava ser um futuro “Paganini”. Altino, o italiano, estava sempre risonho, contando piadas picantes e fazendo planos para o futuro. Era filho do seu Otto e da dona Custódia. De seu Otto, a gente pouco sabia, pois, pouco estava em casa. Sabíamos que era contador de uma madeireira, de um parente, e mais nada. Já a mãe do Altino, a dona Custódia, sempre chamando a todos de meus filhos, era de uma grande doçura, igual à geléia de uva que fazia. Embora trabalhasse muito e, por causa de um antigo reumatismo, sentisse fortes dores nas mãos, estava sempre alegre e disposta.

Paulo e Rafael, filhos do alfaiate, eram dois meninos que muito cedo começaram a trabalhar, como jornaleiros, e agora faziam parte daquela divertida “turminha da pesada”, de estudantes gazeteiros que, aos domingos, depois de vender, na fila do cinema, suas velhas revistas “de quadrinhos”, invariavelmente, iam assistir ao seriado do Flash Gordon, no antigo Cine Carlos Gomes, que tinha o apelido de “Cine Poeira”.

Tudo corria bem com a turma, até o dia em que, tentado a brincar com o perigo, Volnei pegou o revólver do seu Otacílio e, com ele na cintura, convidou os outros amigos para um passeio no campo, nas proximidades da cidade. Depois de muito caminhar, sentados para descansar, à beira da estrada, Volnei, ingenuamente, brincando com o 38, sem perceber, fez disparar um tiro que, para acabar com a alegria da aventura, teve um triste destino. A bala atingiu a barriga do Altino, e atravessou o seu intestino, fazendo várias perfurações.

Desesperados com o fato de ver o amigo ferido, e sangrando, todos juntos, na primeira carona que apareceu, balançando aos pulos da velha camionete Chevrolet 46, levaram Altino para o hospital, onde chegaram suando de nervosos e de medo.
Depois de uma longa espera, a primeira informação foi de que o amigo estava sendo operado, e seu estado era crítico.

Foram dias de angústia e expectativa, já que a vida do amigo corria real perigo.
Os amigos, e também suas mães, em suas orações, pediam a salvação e o pleno restabelecimento de Altino. Suas preces foram ouvidas, e depois de muitos dias hospitalizado, o “italiano” apareceu, muito pálido, pois perdera muito sangue, mas, já em plena recuperação.

Foi grande a alegria de todos ao saberem que o amigo estava, finalmente, salvo.
O impacto que esse fato causou naquela turminha, sem dúvida foi um marco divisório em suas vidas. Talvez aquele período de espera, angustiante, e a torcida pela vida do companheiro, tenham servido para reflexão e para a tomada de um novo rumo.

Todos voltaram a interessar-se mais pelos estudos, e maior senso de responsabilidade instalou-se em cada um, fazendo com que, embora subsistisse a mesma amizade, ela tenha amadurecido.
Os anos passaram-se, e os amigos ficaram distantes, no tempo e no espaço.

Volnei foi servir no Batalhão de Suez, ficou por lá bastante tempo, quando voltou, não demorou muito em Lages, logo foi para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso superior.Ingressou na Varig, que parece ter sido seu primeiro e único emprego. Muito competente e dedicado, acabou promovido a gerente, em Los Angeles, onde encerrou a carreira, com merecida aposentadoria.

Não agüentando a saudade, voltou ao Brasil. Hoje, casado e feliz, mora no Rio de Janeiro, em Copacabana.

Altino, entre Blumenau e Itajaí, sempre idealista, e sempre interessado em atividades culturais e literárias, acabou abrindo uma livraria em Blumenau. Mais preocupado com a literatura que com o comércio, a “Livraria Don Quixote” teve vida curta. Foi para Itajaí, estudou direito e hoje é cartorário em Itapema, cidade praiana do litoral catarinense. Continua o mesmo italiano de cabelo espetado, simpático e amigo de todo o mundo, e quando duvidam das histórias de sua juventude, que alegremente conta aos amigos, abaixa a calça e mostra, na barriga, a cicatriz da operação, feita para consertar o estrago que uma bala 38 fez no seu intestino.

Emir, o alegre e gozador “turco gordo”, com toda a família, mudou-se para Curitiba, formou-se em engenharia, casou-se e continua morando na capital paranaense, onde dirige uma bem sucedida empresa de construção civil.

Paulo, depois de mudar-se para Blumenau, onde estudou e teve uma longa atuação como líder estudantil, para manter-se, trabalhou em várias empresas, terminando como propagandista de laboratório até mudar-se para Porto Alegre, onde se formou em Direito. Ingressou no serviço público e, hoje, também aposentado, advoga um pouco, levando uma vida tranqüila, pois os filhos já estão formados e encaminhados.

Rafael, cedendo aos encantos da primeira paixão, casou-se muito novo, ainda franguinho. Por isso, necessitando trabalhar para sustentar a família, interrompeu os estudos, e muito cedo deixou Lages e a turma, indo morar em Blumenau, onde só muito mais tarde voltou a estudar. Concluiu o curso de Direito, advogou durante algum tempo, ingressou no serviço público, e hoje está aposentado, morando em Florianópolis, onde contempla as belezas da ilha, reúne-se com os amigos, escreve algumas reminiscências, e curte os netos.

Antes de mudar-se para Florianópolis, Rafael, já aposentado, e morando no sítio, na região de Lages, num belo dia, chegando para almoçar no restaurante do Lages Hotel, ainda pensando nas compras que iria fazer, para atender às necessidades de sua gostosa e curta vida rural, eis que, na porta do hotel, foi surpreendido com a agradável presença do velho amigo Volnei, que não via há mais de 40 anos. Depois de um grande e afetuoso abraço, Volnei disse que estava ali porque tinha vindo do Rio de Janeiro, com um único objetivo: na noite anterior tinha promovido um reencontro festivo com os amigos, o que acontecera no melhor clube da cidade, e com traje à rigor. Durante a conversa, entre risos de alegria, Volnei contou da aflição da sua procura pelos amigos, e da tristeza de não ter encontrado dois da antiga “turminha da pesada”. Um deles era o Paulo, de quem, por mais que procurasse, não conseguira o endereço. O outro, era Rafael que, embora estando a poucos quilômetros dos amigos festeiros, morava numa região rural e de difícil comunicação.

Este encontro foi breve, pois Volnei esperava a condução que logo o levaria ao aeroporto, no seu retorno para o Rio de Janeiro, mas, também foi o tempo suficiente para, durante o almoço, recordar bons momentos, e marcar uma data para um novo reencontro e, desta vez, esperam contar com a sorte, para reunir os cinco amigos da antiga “turminha da pesada”.

05/06/2007

Em São Joaquim


por Luiz Rogério de Carvalho

Era lá pelo ano de 1946, nossos pais morando no sítio das “Três Pedrinhas” que, na época, ainda não tinha escola, Pedro e eu estudando em São Joaquim, morávamos na casa da vó Júlia, ali bem pertinho do Grupo Escolar Manoel Joaquim Pinto, onde estudávamos.

De manhãzinha, depois de chamados pela vó Júlia, que nos acordava bem cedo, era nossa obrigação colocar os pirulitos nos tabuleiros, pois a vó Júlia que levantara muito mais cedo já os tinha preparados. Estavam prontinhos para serem vendidos por nós, durante o recreio do colégio. Essa venda representava um complemento importante na renda de minha vó, viúva e com parcos recursos. Mulher de valor, que tendo ficado viúva aos vinte e oito anos, sozinha, conseguiu criar e educar seus seis filhos.

Pedro e eu tínhamos nosso tempo de recreio tomado pela tarefa de vender os gostosos pirulitos que vovó fazia. Por isso, pouco tempo nos sobrava para as brincadeiras, que eram representadas sempre pelos brinquedos da época. Jogo de bolinhas de vidro, bilboquê, pião, etc. Só depois de vendidos todos os docinhos de minha vó é que nós íamos brincar, aproveitando o restinho do tempo de recreio.

Como compensação, depois de feitos os deveres da escola, à tarde, podíamos brincar à vontade.

Nossa diversão preferida, especialmente no verão, era ir nadar no “pocinho” do seu Júlio Cantalice. Lá, passávamos boa parte da tarde, nadando e mergulhando nas águas claras do rio São Mateus.
Para alegria da garotada, que lotava o “pocinho” , bem próximo, havia um pomar de maçãs, de propriedade também do seu Júlio, onde a gente se divertia e se deliciava com as maçãs, que o velho cultivava, tudo entre risos e brincadeiras, até que o seu Júlio nos descobria, e assustados corríamos em disparada, fugindo do local, alguns ainda pelados, com as roupas na mão, e comendo as maçãs.

04/06/2007

A BOLA



por Luiz Rogério de Carvalho


Em São Joaquim, minha terra natal, moramos em muitos lugares, tantos, que nem todos tenho na lembrança. Alguns lugares, entretanto, foram mais marcantes e, ainda hoje, lembro muito bem das coisas que aconteciam na nossa infância de meninos pobres, moleques, alegres e felizes.

A casinha de tijolos aparentes, no matadouro, foi, com certeza, uma daquelas onde moramos, que deixou marcas mais profundas na minha lembrança, pois foi bem pertinho dali, num campinho onde jogávamos nossas peladas de futebol, que fui inaugurar a minha primeira bola, que ganhei num tão esperado natal.

Passada a festa natalina, no dia seguinte, faceiro e alegre, com a bola debaixo do braço, rumei para o campinho, no outro lado da rua. De tão contente, nem vi que ali estava o famoso nego Tito, filho do Zé Tereza, garotão bem maior que todos os outros, e muito malvado com os menores.

Muito orgulhoso com a minha bola, fui logo anunciando que foi meu presente de natal, e que todos estavam convidados para jogar, na sua inauguração.
Foi aí que apareceu o danado nego Tito. Chegou, prepotente e arrogante, pegou a bola, que era de borracha, e com um violento chute mandou direto a uma cerca de arame farpado.

Nem é preciso dizer que a bolinha, que chegara pulando de alegria, igual a mim, projetada com a enorme força do nego Tito, encontrando a primeira farpa aguda do arame, ali mesmo caiu, murcha e triste.
Triste, porque nem conseguiu ser a esperada alegria da molecada que, sem outra alternativa, voltou a jogar com a velha e surrada bola de meia.
Triste também foi a volta para casa, chorando a perda da minha primeira bola de futebol, de borracha, mas que bola linda.

22/05/2007

LEÃO BAIO



por Luiz Rogério de Carvalho

Uma linda Leoa e seu filhote, saindo de um capão de mato atravessaram a estrada, olhando para os lados, meio desconfiados. Entraram na mata, na esperança de que ali estariam protegidos e teriam alimento. Durante muito tempo vagaram à procura de caça, para saciar a fome. Cansados, desistiram de procurar alguma presa, pois a mata, antes uma grande floresta, agora era pequena. Foi o que sobrou, na substituição da mata nativa por uma imensa floresta de pinus.

Depois de andar muito pela floresta, já cansada, a Leoa viu ser inútil procurar alimento, pois debaixo daquelas árvores exóticas poucos animais sobrevivem. Foi, então, que resolveu buscar alimento na propriedade de quem cortara a mata, que sempre fora abrigo de toda a vida selvagem. Andando mais um pouco, encontrou um rebanho de ovelhas, acompanhadas de alguns cordeiros. Com a fome apertando seu estômago, e já sem leite para alimentar o filhote, a Leoa não teve dúvidas, atacou o primeiro cordeiro. Saciada a fome, continuou caminhando sem rumo à procura da floresta perdida.

No dia seguinte, toda a vizinhança estava sabendo que o fazendeiro, que já perdera outros cordeiros, agora teve mais um prejuízo, causado pelo ataque do “terrível” Leão Baio. Formou-se, então, com o auxílio de vizinhos, um bem armado grupo, que saiu à caça da fera “assassina”.
Armados de espingardas, e orientados por cães treinados e bem alimentados, logo encontraram os rastros. Nos campos próximos, ouviram-se os latidos e, de repente, tiros de espingarda, seguidos de profundo silêncio.

A Leoa e seu filhote, depois de muito tempo fugindo de seus perseguidores, foram mortos, bem próximo de uma grande represa, que alimenta uma usina hidrelétrica, construída aonde antes existia uma grande e linda floresta de araucárias e inúmeras outras espécies de árvores nativas.

Na casa do fazendeiro, que teve o "grande prejuízo" com a morte do cordeiro, na parede, como troféu, está o couro de um leãozinho. No chão, um lindo tapete, feito com o couro da grande e bela Leoa.
Empobrecidos, em toda a região, ainda choram fauna e flora.