24 de set de 2017

PARQUES E ÁREAS VERDES


Florianópolis, conhecida por suas praias e belezas naturais, que encantam os visitantes, também tem suas carências, entre as quais destacamos a falta de parques e áreas verdes.

Residente em Coqueiros, e frequentador do parque que leva o nome do Bairro, vejo que por ser um dos raros parques da cidade, ele vem atraindo a frequência de moradores também de outros bairros, que não dispõem de um local público, para o lazer das famílias e prática de esportes e exercícios físicos ao ar livre.

Neste contexto, é oportuna a decisão tomada pela Prefeitura, de  promover melhoramentos no Parque de Coqueiros, pois desde que deixou de ser administrado pela Associação Amigos de Coqueiros, que teve a ideia e executou o que hoje lá existe, pouco ou quase nada foi feito para melhorar o que foi obra da comunidade organizada.

Entretanto, como a cidade vem crescendo, e com ela também suas necessidades, importante que o poder público esteja preocupado com a criação de parques e áreas verdes em todos os bairros, pois a capacidade do Parque de Coqueiros tem limite, que já está sendo atingido.

14 de fev de 2017

IMPRENSA CENSURADA

Há quase 50 anos o presidente Costa e Silva colocava em vigor o ato institucional mais duro do regime militar: fechou o Congresso, aboliu o habeas corpus e autorizou a censura.

A sociedade brasileira, não afeita a regimes ditatoriais, durante longo tempo reagiu até que, finalmente, viu restabelecida a democracia, com todas as instituições plenamente funcionando.
Infelizmente, a cultura política brasileira há muito tempo contaminada com o nefasto germe da corrupção, alimentada com a impunidade reinante há longo tempo atingiu nível insuportável, minando as bases da economia e nos conduziu a esta longa recessão, com o inevitável crescente desemprego.

Se as instituições democráticas continuam funcionando, como era o desejo dos brasileiros que lutaram para isso, não podemos esconder que  legislativo e executivo, longe de atender os anseios da população, estão mais preocupados com a defesa de interesse pessoais e corporativos, mesmo que os meios sejam os mais escusos.

Ainda agora vivemos problemas sérios, com esses dois poderes praticamente irmanados na defesa de tudo que a ética e a moral na administração pública condena.

Foi nessa linha que o presidente Temer para defender Moreira Franco da esfera da Lava Jato usou o artifício indecente de arranjar um meio de lhe garantir o foro privilegiado e, assim, também procura, embora negue, usar de todos os artifícios para enfraquecer a Laja Jato, no que é acompanhado por senadores e deputados citados na investigação.

Agora, decepcionando todos que esperavam e acreditavam numa atuação moralizadora da administração pública, e de atuação firme na defesa dos princípios democráticos, praticamente reeditando norma do AI-5 o presidente pede a censura da imprensa, um dos pilares básicos da democracia. Como nem todos no Judiciário são imunes a práticas ditatoriais, encontrou um juiz que pensa igual. Espera-se que o Judiciário, como última trincheira do cidadão e da defesa das garantias constitucionais, em instância superior revogue essa esdrúxula decisão.

31 de ago de 2015

TREM DA ALEGRIA DOS CARTÓRIOS

Uma vergonha a PEC DOS CARTÓRIOS, que visa garantir a boquinha" a que foi nomeado sem ter prestado concurso público, como determina a legislação brasileira, Constituição de 1988, ignorando os milhares de concursados aprovados, que estão aguardando nomeação.

"O lobby atinge até o relator da PEC, deputado João Campos (PSDB-GO): o escritório dele funciona em um imóvel de propriedade de Maurício Sampaio – afastado provisoriamente da gestão de um dos cartórios mais lucrativos do país. Não há cobrança de aluguel."

"O CNJ combate e enviou um parecer aos presidentes da Câmara e do Senado alertando para a inconstitucionalidade da PEC. “Ninguém pode conquistar um cargo público, de caráter vitalício, por usucapião. Se eles (os substitutos) querem a vaga, podem tentar o concurso”, diz o documento. O Executivo tem a mesma posição."

Dos deputados que em primeiro turno votaram e aprovaram a PEC DO TREM DA ALEGRIA DOS CARTÓRIOS, 7 catarinenses votaram contra, sendo que 9 votaram a favor desse vergonhoso TREM DA ALEGRIA.



 

6 de fev de 2014





BAIRRO DE COQUEIROS
Há cerca de dez anos, ali no Bairro de Coqueiros, próximo ao Parque de Coqueiros, está o prédio da foto, uma antiga e decadente construção, de propriedade da Casan, que vem servindo de abrigo para viciados e moradores de rua. A velha construção bem que poderia ser demolida e, em seu lugar construída uma creche, ou outro equipamento público que seja útil à comunidade de Coqueiros, mas a Casan, uma empresa pública, nem promove a demolição daquilo que se transformou no “patinho feio” do Bairro, nem recupera o imóvel.


6 de jul de 2013

O CRIME COMPENSA

Por Luiz Rogério de Carvalho

Acabo de ler na Folha de São Paulo que a Polícia Federal investiga novos crimes, cometidos por Carlinhos Cachoeira, já condenado a 39 anos de prisão pela prática de vários crimes, como corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato, também de desvio de recursos públicos, por meio de corrupção de agentes estatais e, no entanto, permanece solto porque recorre em liberdade.
O excessivo número de recursos processuais, existentes no ordenamento jurídico processual penal brasileiro, facilita a vida de criminosos ricos que, dispondo de grandes recursos financeiros, podem contratar bons advogados, para procrastinar os processos, às vezes indefinidamente, fazendo com que o crime compense.
Como o judiciário está preso ao texto legal, impedido de decidir fora do que está na lei que, muitas vezes, leva o julgador a decidir contra sua própria vontade, a competência de bons advogados, bem remunerados com o dinheiro sujo, continua garantindo a liberdade de quem deveria estar na cadeia.
Esta triste realidade, só pode ser mudada através de alteração nas leis processuais, apresentadas e aprovadas no Congresso. Entretanto, diante do que estamos vendo no legislativo brasileiro, onde, os interesses pessoais se sobrepõe aos coletivos, e os exemplos de lisura e honestidade são escassos, pouca esperança nos resta, a não ser a alternativa da pressão exercida por meio de movimentos populares.



1 de jul de 2013

VITÓRIA DA CIDADANIA

Em homenagem à sociedade brasileira que, mobilizada na luta pela derrota da famigerada PEC 37 saiu vencedora, em mais uma vitória da cidadania, transcrevo a Nota Pública emitida pela CONAMP:

NOTA PÚBLICA
A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP –, entidade que congrega os membros dos Ministérios Públicos dos Estados, Militar e do Distrito Federal e Territórios, vem a público enaltecer a efetiva aplicação dos princípios democráticos e republicanos, em sintonia com o interesse público e a manifestação de vontade da sociedade brasileira, que nortearam a Câmara dos Deputados na histórica Sessão Plenária do dia 25 de junho de 2013, confirmando a imprescindível atuação do Ministério Público e de outras instituições no legítimo exercício da investigação criminal, ao rejeita r a PEC n. 37/11.
Reafirma o propósito de prosseguir na defesa da regulamentação da investigação criminal, sob os influxos da Constituição Cidadã de 1988, objetivando o fortalecimento das instituições e o aprimoramento do sistema de justiça criminal do Brasil, em permanente diálogo com o Congresso Nacional.
Mantém o compromisso de colaborar na construção de uma agenda positiva que atenda às demandas sociais e às grandes questões nacionais, na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Assim, o Ministério Público seguirá firme no desempenho de suas atribuições constitucionais, com ênfase na defesa dos direitos humanos, no combate à corrupção e à impunidade e no aprimoramento do controle externo da atividade policial.
Por fim, a CONAMP agradece o marcante apoio do povo brasileiro, do Parlamento, das instituições e entidades públicas e privadas comprometidas com a preservação da ordem constitucional, em reconhecimento ao poder investigatório do Ministério Público e de outras instituições.
Brasília/DF, 26 de junho de 2013.
          Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti
                      Presidente da CONAMP
                             (em exercício)
              
Imagem removida pelo remetente.

25 de abr de 2013

CORRUPÇÃO CORPORATIVA


Por Luiz Rogério de Carvalho

Deve chegar ao Congresso Nacional abaixo assinado, com mais de duzentas mil assinaturas contra a famigerada PEC 37, PEC da impunidade, que é do maior interesse dos corruptos, pois, visa tirar do Ministério Público o poder de investigação.
É notório, que o Ministério Público, sem ter exclusividade na investigação de crimes e corrupção, especialmente daqueles que envolvem políticos corruptos, que sobejam na vida pública brasileira, tem sido a instituição que, melhor e com mais competência técnica, atendendo aos anseios da sociedade, vem atuando no sentido punir os corruptos.
Daí por que, membros do poder executivo e legislativo, estão tão apressados em aprovar a PEC 37, que visa deixar o poder de investigação, com exclusividade, para a Polícia Civil e Polícia Federal. É clara a intenção, pois, Polícia Civil e Polícia Federal que, por terem competência legal e técnica, também devem continuar com poder de investigação, não podemos esquecer, são órgãos subordinados ao poder executivo.
É óbvio, que essas “corporações” desejam tirar do seu caminho o Ministério Público, defensor do direito e da cidadania, responsável pelo maior número de processos que tramitam contra os corruptos, que solapam a economia, a moral e a ética na administração pública.

Vote contra a PEC 37

13 de fev de 2013

CORPORATIVISMO POLÍTICO

Por Luiz Rogério de Carvalho
 
Há bastante tempo, membros do poder executivo e legislativo, e até judiciário, inconformados com a atuação do Ministério Público, vêm tentando tirar dos promotores de justiça o poder de propor investigação e ações contra atos de improbidade na administração pública, supostamente praticados.

O Ministério Público, com suas prerrogativas constitucionais, no geral, tem sido o maior defensor da probidade, da moral e da ética na administração pública, fiscalizando e exigindo a aplicação da lei, sempre que ela não é cumprida, por isso tirar seus poderes tem sido a vontade de maus políticos, assim como calar a imprensa que denuncia seus desmandos.
Agora, a Assembleia Legislativa de São Paulo, depois que o MP obteve liminar suspendendo um imoral “auxilio moradia” declarou guerra contra o Ministério Publico, visando alterar a Constituição Estadual, propondo que só o chefe do Ministério Público Estadual tenha poderes para investigar e propor ações quando a autoridade reclamada for governador de Estado, vice governador, secretário de Estado, deputado estadual, membro da Poder Judiciário, membro do Ministério Público, conselheiro do Tribunal de Contas e até prefeitos.

Ora, senhores deputados, é sabido que o chefe do Ministério Publico Estadual é nomeado pelo governador, portanto um cargo político. Mesmo que sua destituição só possa ser concretizada pela maioria dos deputados, seria incorreto concentrar no chefe do Ministério Público a iniciativa das ações. Seria como retirar do juiz de primeiro grau o direito de julgar uma ação, transferindo esse direito, com exclusividade, para o Tribunal de Justiça.

 

1 de fev de 2013

PARQUE DE COQUEIROS - FLORIPA


Por Luiz Rogério de Carvalho
Há cerca de dois anos, foi colocado no Parque de Coqueiros um aerogerador, tendo ao seu lado uma grande placa informando tratar-se do primeiro parque público iluminado com energia limpa. Nessa placa, está o emblema da Prefeitura Municipal de Florianópolis, e também, a título de propaganda comercial, o emblema da firma FC Solar.

Ocorre que, desde sua colocação no Parque, esse aerogerador nunca produziu nenhum wat de energia, pois não existe nem instalação para o aproveitamento e condução da energia elétrica.

Conclui-se daí, tratar-se de cessão de uma área pública para propaganda comercial de uma empresa privada, o que é ilegal.

O que se espera é que a nova administração municipal, ciente da irregularidade, mande retirar o aerogerador, que a empresa cessionária, para não oferecer riscos pessoais, há bastante tempo já bloqueou as hélices.

RUI FALCÃO


Por Luiz Rogério de Carvalho
O presidente do PT, Rui Falcão, disse ontem que a imprensa e Ministério Público em conluio com os que perderam privilégios, tentam interditar a política, que pode levar o país ao fascismo.
Ora Sr. Falcão, basta ver quem compõe a  maioria dos condenados no “mensalão” para saber quem detinha “privilégios”.
O que o presidente do  PT está querendo, na verdade, é um país nos moldes da Venezuela onde Chaves, tolhendo liberdades democráticas tenta perpetuar seu partido no poder.
Graças a Deus o Brasil ainda tem uma imprensa livre e corajosa e um Ministério Público independente, que o PT inconformado quer calar e, também como o chavismo venezuelano, se perpetuar no poder, com todos os “privilégios”.

28 de set de 2012

Igrejas "Evangélicas"

Por Luiz Rogério de Carvalho

Tenho acompanhado a evolução numérica das igrejas ditas evangélicas, especialmente daquelas que, notoriamente, têm a preocupação financeira em primeiro lugar, visto que o pagamento do dízimo é obrigatório, e seus dirigentes, como se percebe, promovem até cursos de treinamento, ensinando métodos de convencimento, para conseguir tirar dos adeptos o máximo em dinheiro.
A técnica empregada por essas igrejas, que fazem verdadeira lavagem cerebral nos “fiéis”, levando-os ao fanatismo, tem sido muito eficiente, pois basta verificar o crescimento da maioria delas, que pagam às redes de televisão, pela compra de horários, verdadeiras fortunas, sendo que, algumas, já possuem suas próprias emissoras de TV.
Não fosse só o poder econômico dos dirigentes, que está em constante crescimento, não satisfeitas, enveredaram para a atividade política, onde já detém expressiva representação em quase todas as casas legislativas do país, sendo que, no Congresso Nacional já se constituíram em forte representação, autodenominada bancada evangélica. Isto num país que tem uma Constituição laica.
Observa-se também, que a maioria das igrejas evangélicas, com determinação e competência, sabendo da influência dos esportistas, especialmente jogadores de futebol, nas camadas mais simples da população, vêm cooptando muitos jovens jogadores, para participar das atividades religiosas. Por isso, é comum nos estádios ver jogadores, especialmente os ídolos, no momento da comemoração do gol, despir-se da camisa do seu clube, ou simplesmente levantando-a, para mostrar, na camisa que veste por baixo, slogans religiosos, símbolos de sua “fé”, o que, na realidade, representa uma verdadeira propaganda.
Diante disso, é fácil constatar porque essas igrejas, e seus dirigentes, despontam como verdadeiros gigantes do poder econômico, superando o crescimento de grandes corporações econômicas produtivas, pois a acumulação de recursos é muito fácil quando se recebe de muitos, e com isenção de qualquer tipo de imposto.

Dom Dadeus: Judiciário invade jurisdição da Igreja


01/11/2011
Para arcebispo, sentença que o condenou é "inválida"
Religioso diz que apontará as "mazelas do Judiciário"
A Arquidiocese de Porto Alegre divulgou em seu site nota sobre entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (31/10), em que o arcebispo Dom Dadeus Grings lançou a carta intitulada “Judiciário invade jurisdição da Igreja”. Na carta, o religioso faz críticas ao Judiciário por conta de uma ação de danos morais em que foi condenado, juntamente com Diocese de São João da Boa Vista, a pagar R$ 940 mil.
Segundo a nota, o processo decorre da década de 90, quando Dom Dadeus, atendendo ao pedido da população de Mogi Guaçu (SP), posicionou-se a favor de uma obra da prefeitura local. O entrave era um terreno. A família envolvida ingressou na justiça, sentindo-se prejudicada e pedindo indenização em valor “dez vezes acima do normal”. A aquidiocese informa que a ação já transita em julgado e definiu o valor citado a ser pago por Dom Dadeus e pela Diocese de São João da Boa Vista.
Dom Dadeus classificou a decisão como “agressão”, “arbitrária” e “impraticável”. O Arcebispo de Porto Alegre afirmou não ter recursos para pagar a soma definida pela justiça, ao mesmo tempo em que parafraseou São Gregório VII para definir sua postura diante do ocorrido: “Porque amei a justiça e odiei a corrupção, fui condenado pelo judiciário brasileiro”.
Leia a carta na íntegra :

JUDICIÁRIO INVADE JURISDIÇÃO DA IGREJA
Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre
Chegou ao fim mais um capítulo da agressão do Judiciário contra a Igreja Católica. Após 16 anos de tramitação, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou-me, juntamente com a Diocese de S. João da Boa Vista, onde fui Bispo de 1991 a 2000, a pagar uma indenização, por danos morais, no montante de R$ 940.000,00, reforçando o que se chama de “indústria das indenizações”, com bases totalmente arbitrárias e impraticáveis. Volta à mente a questão dos precatórios! Que cidadãos recorram ao Judiciário para dirimir suas questões é de direito, mas que o Judiciário não distinga o certo e do errado, a verdade da falsidade, não tenha critérios objetivos para julgar e, principalmente, não reconheça os limites de sua jurisdição nem siga os Acordos internacionais, põe toda a sociedade em risco. O problema da corrupção no Brasil tem sua base exatamente ali, no Judiciário. Todos sabem disso, nas poucos têm coragem de denunciá-lo! Nossa Presidente começou a faxina no Executivo. Quando será a vez do Judiciário, onde o problema é muito mais grave?
Eis o fato: Na década de 90, no Município de Mogi Guaçu, SP, concluiu-se um clamoroso processo judiciário que, por razões que chamei de falta de lisura, demorou mais de 10 anos. Sob ameaça de intervenção, foi decretada uma indenização milionária, dez vezes acima do real. Diante da calamidade pública, alguns cidadãos recorreram a mim, como Bispo da região. – Lembre-se o provérbio que, diante de problemas insolúveis, se manda queixar-se ao Bispo - Trouxeram-me o volumoso processo, que li estarrecido. Escrevi, em consequência, diversos artigos, fazendo ponderações em defesa do Município. Não agi em causa própria. Em reconhecimento o Município outorgou-me, solenemente, o título de Cidadão. A sociedade aplaudiu minha intervenção. A família envolvida, porém, me entregou pessoalmente, na Igreja da Imaculada, uma carta, declarando-se atingida, mesmo que não a tivesse nomeado. Respondi, em carta particular, reconhecendo ser justo reivindicar o que de direito, mas não dez vezes mais. Tinha em mãos o relatório das dificuldades das negociações. Adverti que seus advogados, com suas invectivas, “não me deixavam a impressão de lisura”. Por esta expressão, nesta carta não publicada, sou condenado a pagar R$ 940.000,00, a título de danos morais. É justo?
Era obrigação minha, de pastor, orientar a referida família e chamar a atenção aos desvios. Ela, pelos vistos, passou a carta aos seus advogados que, a partir de então, começaram a me atacar, tanto por jornais como pelo rádio e televisão, culminando num duplo processo. Chegaram a afirmar que eu poderia ser condenado de dois a três anos de prisão, provocando celeuma entre a população, que, em conseqüência, promoveu um ato público de desagravo em meu favor.. Tive, por isso, que esclarecer a opinião pública.
O judiciário, em nenhum momento, examinou a lisura dos advogados, para ver se a impressão que eu tivera era correta. O judiciário nunca procurou investigar acerca dos ataques que os advogados dirigiram contra mim e as calúnias que proferiram. Se sofreram “danos morais”, foi pelas agressões e pelo processo que eles promoveram contra ao Bispo e a Diocese. Desde o início, o Judiciário se mostrou parcial, em defesa de “sua gente”.
O montante da indenização ultrapassa qualquer bom senso. Vê-se que os Juizes estão desligados da realidade. Os ministros da Igreja católica não recebem salários polpudos, como eles, nem amealham fortunas.
O que, porém, leva a dizer um redondo e sonoro não à sentença condenatória e dar um basta aos desmandos do Judiciário é sua invasão no campo da jurisdição da Igreja. O Judiciário não reconhece seus limites. Em primeiro lugar, os juizes bem sabiam que os querelantes buscavam lucro fácil. Alexandre Jobim classifica a indústria da indenização como “artimanha de algumas pessoas para ganhar dinheiro” E por incrível que pareça, obtêm, com facilidade, o aval do Judiciário. Arrolaram a Diocese para garantir o dinheiro, com o objetivo de arrancá-lo do povo católico. Com isto reconheceram, publicamente, que estavam invadindo a missão específica da Igreja e não de um cidadão particular. O Judiciário se joga, pois, diretamente contra a Igreja. Contraria frontalmente sua missão profética de se pronunciar sobre questões de ordem social e moral.. Na verdade o Judiciário quer silenciar a Voz da Igreja frente ao bem comum, como tenta com a imprensa, para acobertar a corrupção no país.
Em segundo lugar, os juizes acintosamente não respeitaram o Acordo entre a Santa Sé e o Brasil, assinado solenemente em Roma, no dia 13 de novembro de 2008, já ratificado pelo Congresso nacional. Trata-se de um acordo internacional, de respeito mútuo das competências. Não pode ser desrespeitado impunemente.
Não posso, por coerência e dever de consciência, acatar esta sentença inválida e desrespeitosa porque contrária aos requisitos do direito nacional e internacional, como intromissão – e não é a primeira – nos assuntos internos e na competência da Igreja. Estou disposto a dar a vida por esta causa.. Se me quiserem prender – conforme o Advogado querelante há 14 anos preconizava, - estou às ordens. Só assim o mundo saberá quanto nosso Judiciário é corrupto e arbitrário.
Diante da gravidade do assunto escreverei nova cartilha para apontar as mazelas do Judiciário e assim colaborar na sua urgente reforma. Ou o Brasil muda o Judiciário ou o Judiciário acaba corrompendo o Brasil. Parafraseando S. Gregório VII, posso dizer: “porque amei a justiça e odiei a corrupção, fui condenado pelo Judiciário brasileiro”. Deus nos proteja e guarde!
Apelo para o Supremo Tribunal de Jesus Cristo, o Justo Juiz!
Dom Dadeus Grings

9 de set de 2012

"O PRESENTE"

O anúncio pela presidente Dilma, da redução de 16% no preço da energia elétrica, feito com tanta ênfase, como se estivesse presenteando o consumidor com o desconto, não esconde a intenção de favorecer politicamente seu partido, em véspera de eleições.
Entretanto, essa redução, não passa do atendimento ao relatório do  ministro Valdir Campelo, do TCU, que pedia a devolução de R$ 7 bilhões, cobrados a mais dos contribuintes entre 2002 e 2009, durante o governo Lula.

21 de fev de 2012

CREMATÓRIO


Por Luiz Rogério de Carvalho
Funcionando desde 15 de dezembro de 2011, o crematório do Cemitério São José, da cidade de Blumenau, é o segundo do Estado de Santa Catarina. O primeiro foi instalado em Balneário Camboriu, e  já vem funcionando há vários anos.
Representando uma solução para muitas cidades, onde os cemitérios já estão com sua capacidade esgotada, a cremação é uma necessidade imperiosa, também aqui em Florianópolis, capital do Estado, que ainda não dispõe de um crematório, muito embora seja do conhecimento das autoridades, que áreas ocupadas pelos cemitérios existentes já estão saturadas, algumas já apresentando risco de contaminação dos lençóis freáticos, que poderão poluir aqüíferos existentes.



17 de fev de 2012

VITÓRIA DA CIDADANIA

Luiz Rogério de Carvalho
O Supremo Tribunal Federal, em sessão histórica, aprovou a Lei da Ficha Limpa, para as eleições deste ano, atendendo aos anseios da sociedade que, durante muito tempo, vem clamando por leis que protejam os eleitores dos maus candidatos, aqueles que, muitas vezes, acobertados por decisões e liminares equivocadas, e usando do poder econômico, alguns adquiridos por meios ilícitos, conseguiram se eleger.
Não nos esqueçamos, também, que essa vitória nasceu da iniciativa popular que, apoiada por várias entidades nacionais mobilizou a sociedade, quando, com a assinatura de mais de um milhão e seiscentos mil eleitores, apresentou o projeto de Lei da Ficha Limpa.
É um marco que, inegavelmente, representa um avanço, uma conquista democrática, que visa diminuir a distância, ainda existente, entre o legítimo poder do voto e o espúrio “poder” político.

30 de ago de 2011

REFÚGIO SEGURO

Luiz Rogério de Carvalho

Conforme noticiou o jornal “A Folha de São Paulo”, de hoje, houve uma previsão, anunciada por deputados, de que a deputada federal Jaqueline Roriz seria absolvida na Câmara, onde responde pela pratica de ato indecoroso, quando flagrada em vídeo, recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM, dinheiro proveniente de propinas, fato de conhecimento geral, pois divulgado pela televisão nacional, e, que muitos deputados alegam que o fato ocorreu antes que ela tenha sido eleita deputada distrital. E, com esse argumento, justificavam a absolvição.

Embora aprovado na Comissão de Ética o pedido de cassação, por 11 votos a 3, onde os votos foram abertos, no plenário da Câmara, onde a votação é secreta, a deputada foi absolvida da acusação da prática de ato indecoroso, consolidando-se assim, o entendimento que, também bandidos, corruptos e ladrões do dinheiro público, desde que não tenham sido condenados, em última instância, podem ser eleitos, e podem, sem risco, assumir cargos eletivos, desde que os fatos de que são acusados tenham acontecido antes da eleição, mesmo que, só depois de eleitos, esses mesmos fatos venham se tornar de conhecimento do público, do eleitor.

Diante disso, somos obrigados a admitir que a Câmara de Deputados, além de abrigar homens sérios, que ainda existem no Brasil, pelo meio da votação secreta, que esconde os cínicos e hipócritas, pode, também, tornar-se um refúgio seguro para ladrões e corruptos.

24 de mar de 2011

A VITÓRIA DA CORRUPÇÃO

Por Luiz Rogério de Carvalho

A aplicação da Lei da Ficha Limpa, empatada no STF, esteve muito tempo aguardando o voto do novo ministro, e a parte séria do Brasil esperava que fosse chegado o momento de passar uma vassoura, com creolina, e começar uma limpeza na política brasileira, pois depositava no novo ministro a esperança de novos e bons dias.

Ledo engano, pois o voto aguardado, que encerrava a esperança, para barrar a entrada dos “fichas sujas”, veio como um balde de água fria, um “tapa na cara” dos brasileiros decentes, permitindo a permanência de desonestos e corruptos, que continuarão decidindo os destinos da nação. Foi uma decisão que não apenas adiou a aplicação da Lei da Ficha Limpa para 2012, mas, tristemente, marcou a vitória da corrupção.

1 de mar de 2011

A GRANDE DIFERENÇA

Por Luiz Rogério de Carvalho

O Ministro de Defesa alemão, Karl Theodor zu Guttenberg, após ter sido descoberto que plagiara sua tese de doutorado, diante do escândalo que sua atitude provocou, numa cultura que prima pela honestidade e integridade dos cidadãos, especialmente dos ocupantes de cargos públicos, admitindo seu erro, e levado pela polêmica na imprensa e oposição, não teve outra opção a não ser renunciar ao cargo de ministro.

Este fato nos leva a refletir sobre a enorme diferença cultural existente entre os diferentes povos. Em vários países, homens públicos, flagrados em atos desonestos, especialmente a corrupção, que não é privilégio só de políticos brasileiros, diante da vergonha, e da certeza da punição, muitos, antes mesmo de renunciar a seus cargos, são levados ao extremo de cometer o suicídio.

Enquanto isso, no Brasil vamos convivendo com uma situação totalmente diferente, pois, homens públicos, que usando de seus cargos se locupletam, mesmo denunciados pela evidência de seus atos de corrupção, desde que não tenham sido julgados e condenados em última instância, com sentença transitada em julgado, continuam transitando livremente pela administração pública. São eleitos, tomam posse, ocupam altos cargos, e decidem sobre a vida de seus compatriotas.

É muito triste, mas é a nossa realidade.

25 de fev de 2011

A PRESIDENTA, A PRESIDENTE...

por Luiz Rogério de Carvalho

Sabe-se que, pela ótica do vernáculo e, de acordo com os luminares da língua portuguesa, qualquer um dos tratamentos está correto.

Entretanto, está sedimentado nos usos e costumes brasileiros, especialmente na imprensa nacional, a expressão “a presidente”, que soa de modo muito mais agradável aos ouvidos da esmagadora maioria brasileira, fato que só é ignorado pelos membros do executivo federal, e partidários do governo que, insistem, remando contra a corrente, contrariando a voz do povo, em mudar o vetusto tratamento.

Pelo que se tem visto, o tratamento “a presidenta” somente será usado pelos membros do governo federal, e outros subalternos, que, em seus pronunciamentos, parece que cumprindo ordens superiores, teimam em mudar o tratamento habitual. E o programa “A Voz do Brasil” tem sido o veículo pelo qual insistem em consolidar essa inovadora bobagem.

7 de fev de 2011

EDUCAÇÃO

Por Luiz Rogério de Carvalho

Conceituado jornal publica matéria divulgando pesquisa do MEC, mostrando que, de 2005 a 2009, caiu em 50% o número de profissionais saídos das faculdades formadoras de professores, nas áreas do ensino fundamental e médio.

É fácil entender o desinteresse pela carreira do magistério, pois ainda não temos uma política de educação que estimule os jovens, seja pela existência de salário atraente, e de uma carreira promissora, com boas condições de trabalho. Por isso, enquanto não houver uma cruzada nacional, que vise à valorização do professor, o problema da educação continuará sem solução, e com o agravante de termos aumentado o número de professores sem qualificação, e nenhuma formação pedagógica.

É lamentável, pois bastaria seguir o exemplo de países asiáticos que, conscientes de que o verdadeiro progresso só se adquire através da educação, investiram no que é básico para a formação de uma juventude qualificada e capacitada, cujo resultado é o invejável crescimento econômico.

20 de jan de 2011

APOSENTADORIA DE GOVERNADOR

Por Luiz Rogério de Carvalho

Vi, no jornal O Estado de São Paulo, entrevista do senador Pedro Simon justificando o fato de ter requerido, e estar recebendo R$ 24,1 mil mensais de aposentadoria pelo exercício do cargo de governador do Rio Grande do Sul.

O senador alega que requereu o benefício, vinte anos depois de ter adquirido o direito, levado pela necessidade, pois os R$ 10 mil que recebe como subsídios no Senado, são insuficientes para viver, com esposa e filho.

Praticamente concordando com o aspecto imoral da aposentadoria, encerra a entrevista dizendo que acha que OAB vai ganhar a ação que proporá no STF, visando o cancelamento das aposentadorias que, em vários Estados, beneficia ex-governadores.

Com todo o respeito e admiração, que sempre dediquei ao senador, incansável defensor da moralidade pública, confesso, foi com tristeza que li a entrevista. Até suponho que o senador, do alto dos seus 80 anos, sendo uma reserva moral, por motivo de ambição familiar, tenha sido induzido a claudicar.

Essa aposentadoria privilegiada, prática odiosa e imoral, está sendo usada também aqui no Estado de Santa Catarina, sendo que, além de ex governadores, também um ex vice-governador que, tendo exercido o cargo de governador, em substituição, por nove meses, recebe o indevido provento.

14 de jan de 2011

ÁREA DE RISCO É REGRA

Por Luiz Rogério de Carvalho

A presidente Dilma, em visita ao município fluminense de Friburgo, uma das cidades atingidas pela tragédia que ceifou a vida de centenas de pessoas, declarou que no Brasil, morar em áreas de risco é regra e não exceção.

Tem razão a Presidente, pois embora existam leis que proíbem a construção em encostas perigosas e áreas de preservação permanente, por absoluta irresponsabilidade das autoridades, a legislação não é cumprida, e, pela inexistência de fiscalização proliferam as construções irregulares e perigosas. Muitas dessas construções são até incentivadas por candidatos inescrupulosos que, em campanhas eleitorais, com olhos nos numerosos votos de famílias pobres, prometem garantias impossíveis.

Triste é a nossa realidade, pois as administrações, sem a necessária coragem para enfrentar com determinação o problema das invasões de áreas públicas e construções irregulares em áreas de risco, preferem “empurrar com a barriga”, e a cada ocorrência de uma nova tragédia, como esta do Estado do Rio de Janeiro, na tentativa, mais de convencer os eleitores, com discursos requentados, prometem soluções e liberação de verbas para enfrentar as situações, promessas nem sempre cumpridas, e obras sempre paliativas.

4 de jan de 2011

EQUIVOCADA DECISÃO

Por Luiz Rogério de Carvalho

Sob todos os aspectos, a meu ver, lamentável e equivocada a atitude do ex-presidente Lula ao negar a extradição do criminoso Cesare Battisti. Só mesmo tendo sido levado para o campo ideológico, Lula pode ter tomado a desastrada decisão, que contraria todos os princípios de respeito aos tratados internacionais.

Conceder refúgio político a um assassino, já julgado e condenado em seu país, um Estado democrático, que lhe deu todo o direito de defesa, só mesmo tendo Lula, ainda que inconfessadamente, procurado ser coerente com a defesa, que sempre fez da presidente Dilma que, durante a ditadura militar, atuou como guerrilheira, na defesa de suas idéias.

Ocorreu em lamentável equívoco o ex-presidente, pois o contexto é totalmente diferente, o criminoso Batistti foi julgado e condenado em seu país, pela prática de quatro assassinatos, e o Brasil é signatário de tratado internacional de extradição de criminosos.

24 de dez de 2010

NA CONTRAMÃO DA MORALIDADE

Por Luiz Rogério de Carvalho

O deputado maranhense Pedro Novaes, aliado de José Sarney, e indicado pelo comando do PMDB para ser ministro do Turismo da presidente Dilma, descoberto que pagou conta de festa em motel com dinheiro público, comentando seu ato, simplesmente disse que considera ter cometido um erro, e que o dinheiro será devolvido aos cofres públicos. Com tamanha desfaçatez, considera que o fato, de somenos importância, com a devolução, terá restabelecida a normalidade, sem pensar que apenas usou de um artifício para esconder a sujeira.

A senadora catarinense Ideli Salvatti, também indicada para ser ministra da presidente Dilma, no Ministério da Pesca, ganhou espaço nos jornais brasileiros acusada de usar indevidamente verbas de diárias do Congresso para pagar hotel em Brasília, enquanto recebia auxílio-moradia. A senadora pediu ao Senado que apague do site da casa a informação de que os gastos foram indevidos, tudo apara varrer a sujeira para debaixo do tapete, dizendo que houve erro da assessoria (de costas largas) e mandou devolver o dinheiro aos cofres públicos. Também aqui, em mais uma atitude do tipo “me engana que eu gosto”, mais um político espera ter convencido os eleitores de que seus atos sempre foram praticados dentro dos mais estritos princípios da moralidade.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), apresentou projeto de Lei que dá anistia fiscal e penal a contribuintes brasileiros que remeteram para paraísos fiscais dinheiro público obtido por corrupção e fruto de tráfico internacional de drogas, num verdadeiro estímulo ao crime que, assim, compensa. Embora a Associação dos Juízes Federais (AJUFE) tenha enviado nota técnica a todos os senadores mostrando a inconveniência e a imoralidade do projeto de Lei o relator da matéria já recomendou a aprovação. É triste.

12 de out de 2010

PALHAÇO TIRIRICA

por Luiz Rogério de Carvalho

No caso da eleição do palhaço Tiririca, para a Câmara Federal, fato que expôs o Brasil a uma situação vexatória no cenário internacional, e que aguarda na Justiça Eleitoral um exame para verificar se o candidato é mesmo analfabeto, conta, agora, com um novo ingrediente, que é a manifestação do presidente da Comissão de Moralidade Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC), Eduardo Capella, dizendo ser possível que o juiz não submeta Tiririca à prova de um ditado, porque nesse tipo de teste, “talvez não passaria a maioria dos 513 deputados federais”.

Essa declaração, no meu entendimento, foi muito infeliz, pois é do conhecimento geral que alunos do primeiro ano escolar já são submetidos a exames de ditado. Portanto, a declaração do ilustre advogado, além de representar uma defesa prévia do palhaço Tiririca, invoca uma realidade política muito triste: a maioria dos representantes dos brasileiros, na Câmara Federal, não passaria no teste de um simples ditado, que é feito aos alunos do primeiro ano escolar.

10 de out de 2010

CIGARRO...CANCER

por Luiz Rogério de Carvalho

Entristecido, com o grande número de conhecidos, amigos, filhos e esposas que, pelo maldito vício do cigarro são levados à morte, não posso silenciar diante desta realidade, que infelicita milhares de lares com a morte prematura e cruel de pessoas que ainda poderiam viver muito, mas, que o câncer impiedoso a todos acaba matando, depois de longo sofrimento.

O que me deixa um pouco desanimado, é ver que muitos viciados no cigarro, mesmo diante de fatos que comprovam a sua letalidade, e sendo um dos principais causadores de câncer de pulmão, estômago, laringe, garganta, boca e outros órgãos, mesmo presenciando a morte e o sofrimento de amigos e parentes, parecem bloqueados no entendimento, e aos mais contundentes argumentos não dão a menor importância. Até parece que o vício, que lhes está roubando a saúde, também lhes tira a capacidade de raciocinar com bom senso.

Felizmente, também encontramos o outro lado, que não podemos ignorar, e até devemos citar, como exemplo e estímulo, na esperança de que os fumantes venham a se libertar das garras desse terrível e devorador monstro. São pessoas que, conscientizadas, muitas até auxiliadas por medicamentos e profissionais da área da saúde, depois de alguns sacrifícios para romper as correntes do vício, que aprisiona, vencendo dificuldades inerentes, conseguiram a liberdade e, hoje, apregoam as vantagens de viver sem cigarro.

24 de jun de 2010

A VELHA PONTE



Por Luiz Rogério de Carvalho

Durante décadas a ponte Hercílio Luz, de Florianópolis, como única ligação entre a ilha e o continente, cantada em prosa e versos, fotografada por milhares de turistas, pairando altaneira sobre o mar que separa o continente do lindo “pedacinho de terra”, também ficou conhecida como o mais bonito cartão postal da capital catarinense.
Com o aumento do número de veículos que por ela passava, e com o desgaste natural de seus materiais, a ponte, que sempre foi objeto de um permanente serviço de manutenção, viu ser construída, ao seu lado, uma nova e moderna ponte de concreto, à qual, não muito tempo depois, veio somar a construção de mais uma, também de concreto, também moderna.
A vetusta ponte Hercílio Luz, que tanto serviu aos catarinenses, ligando a Ilha-Capital ao resto do Estado, que, no limite de sua capacidade sempre cumpriu sua missão, eis que, pela idade avançada, e por causa da natural exaustão de seus materiais, mesmo com a constante e onerosa manutenção mantida ao longo dos anos, foi interditada para o tráfego de veículos, permanecendo até hoje como um belo monumento, que encanta moradores e visitantes.
Mesmo sabendo que a ação do tempo é implacável sobre tudo que é construído pelo homem, administradores públicos e políticos catarinenses insistem em transformar o cartão postal em ponte útil para a passagem de um metrô de superfície, uma necessidade para o transporte coletivo urbano, mas, que nada garante que a velha ponte irá suportar.
Aliás, este mirabolante projeto, cuja licitação foi anunciada pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira, em 2007, tem tudo para ser mais um ingrediente adicionado à sua plataforma de campanha política de candidato ao Senado, mais uma utilidade da velha ponte, que além de ser um colírio para nossos olhos, com os milhões gastos em reformas e manutenção, tem sido a garantia do caviar e do scotch de muita gente.

22 de jun de 2010

PANGA



por Luiz Rogério de Carvalho


Atualmente, com o auxílio dos diferentes meios de comunicação, grande número de pessoas, seguindo orientação médica, e buscando melhorar a qualidade de vida, vêm mudando seus hábitos, seja através da prática de caminhadas e outros exercícios físicos, seja mudando o hábito alimentar. Nisto, podemos dizer que é grande o número de pessoas que estão deixando de comer carnes vermelhas, substituindo-as por peixes e outras carnes brancas.

Entretanto, assim como o aumento do consumo, também está ocorrendo um acelerado aumento do preço do pescado, especialmente o peixe de mar, aquele que, pelas condições de alimentação natural, reúne as melhores condições para uma alimentação saudável.

É aqui que entra uma situação que está intrigando muitos consumidores, pois, pelo aumento do custo do peixe de mar, grande número de restaurantes está oferecendo aos seus clientes um peixe de água doce, um bagre de nome Panga, importado do Vietnam, que é produzido industrialmente no delta do rio Mekong, um dos rios mais poluídos do mundo. Este peixe, alimentado artificialmente com os mais variados tipos de alimentos e subprodutos, cresce muito mais que outras espécies, e engorda muito. Tirada a gordura, ele até tem um sabor agradável, o que leva muitos consumidores a apreciá-lo.

Acontece que, levados pelo fator custo/lucro, e o peixe vietnamita é muito barato, um grande número de restaurantes está substituindo o peixe de mar pelo Panga importado, mas, sem dizer ao consumidor de que peixe se trata. Quando é fornecido qualquer peixe de mar o nome dele é informado, entretanto, quando é Panga o nome é omitido, isto numa inconfessada intenção de confundir.


6 de jun de 2010

SAUDAÇÃO À BANDEIRA - II



Por Luiz Rogério de Carvalho

Em nome desta assembléia de homens livres, aqui reunidos, eu te saúdo Bandeira do Brasil, pelo que representastes no passado, sendo fonte de inspiração de nossas conquistas democráticas, e pelo que representas no presente, como símbolo emblemático de nossas mais ardentes aspirações.

Bandeira do Brasil, mesmo em outras épocas e com outras cores, sempre fostes o símbolo sagrado do solo e do povo brasileiro, tu, que estavas com os inconfidentes de Minas, e, com Tiradentes subiu ao patíbulo, em 1792.

Bandeira do Brasil, que também esteve com o maçon Gonçalves Ledo, quando, liderando movimento libertário, e motivando D. Pedro I, o levou ao grito do Ipiranga, onde foi declarada a independência brasileira.

Bandeira do Brasil, tu estavas com Joaquim Nabuco, que dedicou sua vida, com obstinação e competência na luta pela abolição da escravatura, curando a chaga, que teve o Brasil como último país ocidental escravista.

Bandeira do Brasil, que ao longo da história pátria inspirou tantos outros valorosos brasileiros, os maçons, aqui reunidos te saúdam na esperança de que neste ano de eleições inspires os eleitores, para que escolhamos pessoas certas para dirigir nosso país, que tanto tem sido vilipendiado pela ação de maus políticos, maus brasileiros, que distanciados dos reais interesses nacionais, fazem da política mero instrumento para a realização de seus projetos pessoais.

Bandeira do Brasil ilumina, também, o Judiciário Brasileiro, para que as leis sejam aplicadas a todos, com igualdade de condições, como dispõe nossa Constituição. Que a celeridade processual seja a garantia da sua aplicação, eliminando a situação hoje existente, onde a morosidade garante aos infratores, aos corruptos, especialmente os poderosos, a certeza da impunidade, pois, como bem disse o mestre Rui Barbosa, na sua brilhante Oração aos Moços: “Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”.

Finalizando, querida Bandeira do Brasil, receba dos obreiros da paz, aqui reunidos, o renovado compromisso de defender-te, agora e sempre, pois acreditamos na grandeza do porvir do solo que representas.

Salve Bandeira do Brasil.

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8 de mai de 2010

"BICO" PARA POLICIAIS



Por Luiz Rogério de Carvalho


Há muito tempo que não se via uma proposta tão indecente quanto esta do governador Pavan, de instituir o “bico” para policiais civis e militares.

É do conhecimento de todos, que a eficiência do policiamento depende do número de homens, do preparo que recebem, e também do grau de satisfação quanto à remuneração.

Santa Catarina, a despeito das promessas, não cumpridas, de Luiz Henrique, se recente de estabelecimentos prisionais, e não tem o número de policiais necessários para garantir a segurança de seus cidadãos, assim como também paga muito mal os policiais, que, por necessidade, alguns até podem aceitar a existência do “bico”, essa excrescência, que só poderia ser proposta por um governador que foi denunciado pelo Ministério Público Estadual pela pratica de crimes de corrupção passiva, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa, este último também um “bico”, criminoso.


3 de mai de 2010

"UMA FACULDADE PARA BLUMENAU"



por Luiz Rogério de Carvalho


Convicto de que o verdadeiro progresso só se consegue através do conhecimento, acompanhando outros blumenauenses que lutavam pela criação de uma Faculdade em sua cidade, participei do movimento “Blumenau Precisa de Uma Faculdade” iniciado em 1962, que, com o espaço criado pelo jornal “A Nação”, órgão dos Diários Associados, e dirigido em Santa Catarina pelo jornalista Maurício Xavier, passou a defender a ideia, publicando, em todas as edições, em destaque, a frase “BLUMENAU PRECISA DE UMA FACULDADE”.

O movimento ganhou corpo, reunindo as classes representativas da cidade e, em todas as ocasiões, especialmente em encontros com representantes das várias correntes da sociedade, a ideia era defendida, e atuação dos políticos era cobrada.

Engajado na campanha, em 23 de Julho de 1963, com o entusiasmo da juventude, escrevi o artigo “UMA FACULDADE PARA BLUMENAU”, publicado no Jornal “A Nação”, na edição nº 327, de 24/07/1963, que abaixo transcrevo:

“Numa iniciativa digna de louvores, foi criado nesse jornal uma Coluna de Debates destinada a tratar, com a participação de leitores, de assuntos de interesse da coletividade, assunto de qualquer natureza, desde que abordado dentro de um princípio elevado, obedecendo à ética jornalística e trazendo um conteúdo que realmente seja do interesse da população blumenauense. Como o assunto que está em foco trata de uma das necessidades de nossa terra (digo nossa, porque Blumenau é realmente uma cidade acolhedora, e todos aqueles que aqui chegam, dentro de pouco tempo sentem-se à vontade para assim se expressar), necessário se faz conjugarmos esforços e, desta “Coluna de Debates” não silenciarmos enquanto não for atingido nosso objetivo: UMA FACULDADE, para os jovens, principalmente aqueles que, embora desejosos de aumentar seu conhecimento, sendo inteligentes e dispondo de todos os requisitos necessários para se tornarem homens úteis ao seu Município e ao Brasil, não o fazem por falta de condições financeiras que lhes permitam arcar com enormes despesas em outras partes do país. Quem não sabe das dificuldades que um jovem encontra para cursar uma Escola Superior? Quem desconhece as dificuldades de empregos que há nas cidades universitárias mais próximas? Com uma Faculdade em Blumenau tudo seria mais fácil. Não haverá necessidade de deixar um emprego garantido, para aventurar um segundo em outro lugar.

É, pois, necessário que aproveitemos todas as oportunidades para exigir de nossos Representantes na Câmara de Vereadores, na Assembleia Legislativa e mesmo na Câmara de Deputados Federais, uma vez que lá também há um blumenauense, para que façam valer os seus mandatos, lutem em prol desta causa simpática, e façam alguma coisa para que Blumenau tenha a sua Faculdade. Não importa que seja de Filosofia, de Direito ou de Ciências Econômicas. O que realmente interessa é que seja criada uma Faculdade. Funcionando a primeira, as outras virão depois. Particularmente, optamos pela criação da Faculdade de Ciências Econômicas, uma vez que esta será mais fácil de fazer funcionar, pois os professores poderão ser encontrados aqui em Blumenau. Alguns já se prontificaram a dar aulas gratuitamente. Mas o importante, insisto em frisar, é que uma Faculdade seja instalada. Qualquer uma trará benefícios a Blumenau e sua gente.

A propósito desse assunto, correm rumores na cidade que o “líder” do movimento, vereador Dr. Bernardo Wolfgang Werner, está empenhado em fazer funcionar ainda este ano uma Faculdade em Blumenau. Se isso se confirmar, o que desejamos, desde já hipotecamos-lhe solidariedade. Blumenau, 23 de julho de 1963.”

1981, decorridos 18 anos, eis que recebo meu diploma de Bacharel em Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas de Blumenau - FURB, hoje Fundação Universidade Regional de Blumenau, aquela cuja semente que, modestamente ajudei a plantar, encontrando solo fértil germinou e frutificou, tornando-se uma das mais importantes instituições de ensino superior do país.

2010, jubilado na OAB/SC, e tendo exercido por cerca de 30 anos o ofício de advogado, relembro, com saudade e orgulho, do empenho de tantos abnegados companheiros, que dedicaram seu tempo na busca e conquista de um ideal que, modestamente, tive a honra de participar.


24 de mar de 2010

O FUMANTE



Por Luiz Rogério de carvalho


É muito difícil convencer um fumante, do mal que o fumo lhe causa , assim como do inconveniente que ele representa aos demais não fumantes, compulsivamente fumantes passivos, pois os longos anos de vício já criaram nele uma falsa noção de que fumar é coisa normal, e de que todos devem tolerar essa “normalidade”.

Se ele está em sua casa ou apartamento, aí então nem falar em não gostar do cheiro da fumaça do seu cigarro. Quando muito, o fumante vai para próximo de uma janela, e aí acha que todos os demais estão protegidos. Até esquece que a massa de ar da rua, sendo muito maior, empurra para dentro do ambiente interno todo o produto do seu prazer.

Felizmente, hoje já temos lei que proíbe o fumo em lugares fechados públicos. Esta lei protege até os próprios fumantes, aqueles que, em seus estabelecimentos comerciais, inconscientemente, fumando, criariam uma barreira entre seus possíveis clientes, que não fumam.

Também, nas relações pessoais mais íntimas, o cigarro é um grande entrave, pois, para o não fumante, beijar um fumante é quase como estar beijando um cinzeiro, tal o gosto desagradável da nicotina, acumulada nos órgãos internos do fumante. Daí o resultado de muitos desentendimentos, e até separações de casais.

Sendo o tabaco um causador, comprovado, de tantos aborrecimentos, de tantas doenças que matam, e afetam a saúde pública com enorme custo social, melhor seria que, em intensas campanhas, os governos incentivassem o abandono do cigarro, desestimulando essa indústria que, embora rentável e pagando altos impostos, na realidade produz a morte.


10 de mar de 2010

ESQUERDA FESTIVA



Por Luiz Rogério de Carvalho


Grande parte dos que ainda se intitulam esquerdistas no Brasil, na realidade, não passam de membros da “esquerda festiva”, aquela composta por pessoas com altos salários, geralmente recebendo dos cofres públicos, e usufruindo, como grandes consumistas, de todos os benefícios que o capitalismo oferece.

Assim, é muito fácil defender o regime totalitário de Fidel Castro, o socialismo, e o comunismo já sepultado na Rússia, bem como ser simpático ao “Socialismo Bolivariano” do populista Hugo Chaves, que vem avançando, na mesma proporção em que retrocede a democracia na Venezuela.

Sobre este assunto, o inteligente e polêmico economista Roberto Campos, assim definiu a esquerda festiva: “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais da esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês; trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”.

12 de fev de 2010

O BEIJA-FLOR



por Luiz Rogério de Carvalho


Preocupado com a degradação do meio ambiente, e com destruição da flora e da fauna, ele era um vigilante nas proximidades de sua residência, onde, freqüentemente, desativava os alçapões que alguns garotos, sem uma esclarecida consciência ecológica, armavam para aprisionar passarinhos, para viverem cativos em apertadas gaiolas.

Certo dia, fazendo a costumeira limpeza no jardim, viu um ninho de beija-flor, cuidadosamente construído entre os galhos de uma roseira em flor, onde estavam depositados três ovinhos.

A alegria da descoberta foi evidente e, desde então, passou a observar o dono do ninho, o lindo beija-flor que, após seu passeio diário para a colheita do néctar nas flores das imediações, à tardinha, voltava para chocar seus ovinhos.

Os dias passavam, cheios de alegre e curiosa expectativa pelo desenvolvimento da futura família do lindo beija-flor, quando, numa tarde, viu que três cabecinhas se movimentavam dentro do minúsculo ninho, protegido com as folhas e ornamentado com as rosas. Foi então que, com maior dedicação passou a observar e cuidar de seus novos visinhos. Chegando do trabalho, passando próximo da pequenina residência, com emoção e alegria, acompanhava o crescimento dos pequeninos beija-flores.

Mas, mesmo morando no jardim, para as avezinhas nem tudo foram flores, pois, numa manhã de sol radiante, quando saía de sua garagem para ir ao trabalho, nosso amigo sentiu seu coração bater mais forte quando viu, voando com grande velocidade e, possivelmente trazendo alimentos para seus filhotes, a mãe beija-flor, que se chocou com o vidro do seu automóvel, caindo irremediavelmente morta. Pegando a avezinha, e olhando para os filhotinhos, agora órfãos, sentiu que a única alternativa possível seria a adoção.

Com habilidade e carinho, sobre o ninho, que ficou sem a proteção do corpo materno, aproveitando os galhos da roseira construiu uma cobertura, e passou a alimentar as pequeninas aves com mel misturado com água, que fornecia com um conta-gotas, na esperança de que tudo desse certo, e deu, pois a cada dia via progresso, e sentia a alegria dos filhotes, e sua, ao receberem o precioso alimento.

As pequenas aves cresceram e, já emplumadas, ensaiavam seu primeiro vôo, até que, numa linda tarde ensolarada, quando nosso amigo chegou para alimentá-las, viu que duas já tinham alçado vôo, ficando apenas uma para receber o último alimento do dia.

Foi lindo, pois depois de introduzir sua lingüinha no conta-gotas, num gesto de agradecimento, representando o grupo, bateu asas e voou livre, em busca de novas flores.

O ninho ficou vazio, mas o coração do nosso amigo ficou cheio de alegria, por ter contribuído com uma pequena parcela para a continuação da vida.

14 de jan de 2010

AMIGO CURT



por Luiz Rogério de Carvalho


Perseguido na Alemanha nazista, por sua origem judaica, antes da 2ª guerra Curt emigrou para os Estados Unidos, onde se alistou no exército americano, que veio a combater as tropas de Hitler.

Durante os primeiros combates, foi ferido no braço por uma granada, o que lhe impossibilitou de continuar na guerra, e o deixou com um defeito físico para toda a vida. Com um braço praticamente inutilizado para manusear o fusil, Curt foi dispensado do exército, com o posto e vencimentos de sargento da reserva.

Ainda nos Estados Unidos, conheceu Lot, uma simpática jovem americana, inteligente e dedicada, com quem se casou. Pouco tempo depois emigrou para o Brasil. Aqui, em sociedade com um amigo, na cidade de Blumenau, onde sempre morou, fundou uma fábrica de chocolates, onde sempre atuou como sócio-gerente, e encarregado das vendas no interior do Estado, pois viajar, conhecer novos lugares e pessoas, era um dos seus prazeres.

Ao lado do trabalho na fábrica, Curt sempre encontrou tempo para dedicar à comunidade, especialmente no preparo da juventude, que dizia ser a semente do progresso de qualquer nação.

Tendo participado, na juventude, do movimento escoteiro na Alemanha, decidiu dedicar-se à causa na cidade que adotou no Brasil. Foram muito difíceis os primeiros tempos de organização do Grupo de Escoteiros, pois sem recursos financeiros para custear as instalações, foi necessário recorrer à comunidade, pedindo auxílio.

Com seu sotaque enrolado, falando um português bem arrastado, mas sempre irradiando simpatia, e um sorriso espontâneo e permanente, foi conquistando o respeito, a confiança e a colaboração da comunidade e, em pouco tempo, reuniu os recursos necessários para dar ao Grupo de Escoteiros de Blumenau uma bem montada sede própria, onde reunia a tropa e, com seu entusiasmo contagiante transmitia aos jovens os ensinamentos deixados por Baden Powell, fundador do escotismo.

Sua preocupação e dedicação à juventude não se resumia ao trabalho dedicado ao movimento escoteiro, pois, sendo membro ativo da maçonaria, sempre presente às reuniões e encontros festivos, especialmente nas programações que reunia as famílias, era sempre esperado o momento em que o Curt chamava as crianças para, organizadas em fila, esperar pela surpresa, que era ansiosamente aguardada. À frente da garotada, colocava na cabeça uma cartola que, dobrada, trazia no bolso, desenrolava e pendurava na parede uma faixa que continha desenhos, símbolos e palavras. Apontando para os desenhos, esperava que fosse, por todos, repetido o seu significado. Ao final de cada série de desenhos, todos repetiam uma música que, em alemão, ele cantava com muito entusiasmo. Ao final da apresentação, como prêmio pela participação, as crianças e, muitas vezes adultos, recebiam chocolates, tirados de uma sacola.

Este costume cultivado pelo Curt, de animar as festas, agradando as crianças, foi mantido durante muitos anos, mesmo sem a cartola, que foi emprestada a um grupo de teatro que se apresentou na cidade, e “esqueceu” de devolvê-la.

Nunca se declarou ateu, entretanto, sempre se manifestou ardoroso naturalista, dizendo que somos parte desta bela e majestosa natureza, por muitos, agredida e desconsiderada.

Certa manhã, recebi um telefonema de um amigo, avisando que o Curt tinha morrido, vítima de enfarto fulminante, quando caminhava pela rua. Depois de informado que o velório seria na sede do Grupo de Escoteiros de Blumenau, para lá me dirigi, onde encontrei um grande número de pessoas, amigos e admiradores que, consternados, se despediam do Curt.

No sepultamento, cumprido o ritual religioso pelo pastor da igreja da comunidade, como ninguém dissesse nada sobre o Curt, a viúva, Lot, discretamente pediu-me que pronunciasse algumas palavras, já que éramos amigos.

Atendendo ao pedido, com emoção, falei sobre suas qualidades, falei que, certamente, Curt que tanto amara a natureza, agora estava voltando ao seu seio, de onde veio, que voltava a viver na seiva das árvores, no canto dos pássaros, e no marulhar das ondas, nesta maravilhosa natureza, onde mais se deve procurar a religião, pois, como há muito tempo tinha lido em Eça de Queiroz, não é nas hóstias místicas que anda o corpo de Jesus – é nas flores das laranjeiras.

Sepultado meu amigo, depois de alguns dias, encontrei minha amiga, a viúva Lot, que, logo de início foi dizendo que mesmo tendo sido verdade tudo o que eu dissera sobre o falecido, no primeiro encontro que teve com o pastor, recebeu deste uma enérgica advertência, pois, para o cuidadoso pastor, ela escolheu um ateu para falar sobre seu marido.