19 de dez de 2007

ENGANAÇÃO


por Luiz Rogério de Carvalho


É incrível a desfaçatez, com que alguns ditos homens públicos tentam iludir as pessoas, o contribuinte, o consumidor de serviços públicos.

Ainda ontem, aqui em Florianópolis vi, na TV, uma advertência da CASAN aos consumidores, para que aumentem a capacidade de seus reservatórios, para evitar a falta d’água, especialmente nos dias de verão, que se aproxima.

Como é que a população vai armazenar água, de forma abundante, se ela já é escassa nas estações de tratamento e nos reservatórios da CASAN? Só mesmo se algum milagre está sendo planejado pelos seus dirigentes, pois, objetivamente, nada tem sido feito para aumentar a produção e distribuição, e nos livrar desse terrível mal anunciado, que inferniza todos os habitantes desta linda e mal cuidada Capital, ameaçando o ramo turístico, importante setor de nossa economia.

Em entrevista na TV, o presidente da CASAN justificava a possível e eminente falta d’água na cidade de Florianópolis durante o verão de 2008, alegando que o aumento do número de turistas, esperados para a temporada de verão, será o grande vilão, e único responsável pela escassez do produto.

Esses homens públicos, na campanha eleitoral prometem resolver os problemas como o da energia elétrica, para evitar a repetição de apagões; nos palanques e nos comícios, anunciam que falta d’água será coisa do passado, pois a produção será aumentada e a rede ampliada, para atender à demanda, aumentada com fluxo do turismo, “verdadeira vocação de nossa cidade”.

Eleitos e reeleitos, esquecem as promessas e, achando que somos todos idiotas e desmemoriados, inventam desculpas as mais esfarrapadas, para esconder sua incompetência e despreocupação com a causa pública. A população que, esperançosa, acreditou nas anunciadas soluções para os problemas existentes, continua sofrendo as agruras que lhe são impostas por “administradores” que, mais parecem preocupados com seus interesses pessoais, e com a reeleição.

Esta preocupação, agora parece ainda mais evidente, pois, com o anúncio às vésperas de um ano eleitoral, da construção, em Florianópolis, de um metrô de superfície, cuja licitação já está sendo anunciada, antes mesmo de ter sido ouvida a comunidade, através de seus órgãos representativos, como orienta o Estatuto das Cidades e o bom senso, para que uma obra dessa proporção somente seja executada, se provada que é a melhor alternativa para a solução dos graves problemas do nosso trânsito já caótico.

E ainda querem que acreditemos na sinceridade de intenção, quando, nos debates na televisão, nos comícios eleitorais nas praças públicas, prometem tudo fazer para o progresso do Estado, das cidades, e o bem estar de seus habitantes. É querer demais.

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