28 de mai de 2009

QUE MACACO?



por Luiz Rogério de Carvalho


A desfaçatez, com que muitos políticos brasileiros tentam justificar irregularidades por eles praticadas só é comparável aos depoimentos de marginais, quando interrogados pela autoridade policial.

Ainda hoje, vi e ouvi o senador José Sarney, presidente do Senado, interrogado por um repórter sobre o fato de que vários senadores, embora morando em apartamentos funcionais, pagos pelo Senado, estavam recebendo auxílio moradia. Ele, que tem residência própria, tentando se desculpar para o repórter e a opinião pública, disse que iria devolver o valor recebido irregularmente, e que nem sabia que esse valor, três mil e oitocentos reais, vinha sendo depositado em sua conta.

É do conhecimento de todos que os órgãos públicos, ao pagar seus servidores, em formulário especial descriminam todos os valores pagos.

Esta desculpa esfarrapada lembrou-me do excelente humorista brasileiro, José Vasconcelos que, em suas apresentações, entre as engraçadas estórias e piadas, contava a de um larápio que, ao ser surpreendido por um policial, quando furtava um macaco hidráulico e o levava às costas, tentando livrar-se do flagrante, quando lhe foi dito que estava preso porque furtara um macaco, disse simplesmente: que macaco? Não furtei nada, tire esse bicho das minhas costas.


23 de mai de 2009

REFLEXÃO

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por Luiz Rogério de Carvalho


Chegando aos setenta e um anos de idade, o homem, olhando pelo retrovisor da existência, é levado a rever e avaliar o que fez ao longo de sua vida. É um balanço geral, no sentido de encontrar um resultado, não sob o ponto de vista material, pois este tipo de resultado pouco acrescenta, além de conforto para si e seus descendentes e, geralmente, muita encrenca entre eles.

Será que, embora lutando para aplainar suas imperfeições, chegou a imprimir em alguém o selo da bondade, da virtude, da moral e da razão? Terá ele conseguido, pelos seus atos, convencer alguém de que nossa vida vale mais pelo que somos e praticamos, do que pelo fato de que adquirimos e possuímos muitos bens materiais?

Refletindo, lembrei-me de um fato acontecido numa cidade onde morei: no velório de um homem muito conhecido na comunidade, que enriquecera na prática da agiotagem, que, emprestando dinheiro a pobres e viúvas em dificuldades financeiras, garantindo-se com uma hipoteca, acabava sempre aumentando seu patrimônio à custa do ainda maior empobrecimento de seus devedores. Pois, na madrugada de seu velório, quando as poucas pessoas que ali estavam nada de positivo tinham para dizer em seu favor, eis que entra um bêbado, muito conhecido, e depois de algum tempo olhando para o morto, sentindo que ninguém manifestava o menor elogio à sua vida, quebrando o silêncio, sem mais nenhum comentário, disse simplesmente: sabe que ele até não era tão ruim!

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2 de mai de 2009

O AVAL DO PRESIDENTE

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por Luiz Rogério de Carvalho


O brasileiro comum, ainda estarrecido com as recentes divulgações de atos de corrupção praticados pelo ex-diretor geral do Senado que, durante anos, sob o manto da impunidade locupletou-se com o dinheiro público, agora, vê ainda aumentada sua descrença nas instituições e, especialmente nos políticos que dirigem o país.

É o caso da orgia das passagens aéreas, quando parentes e amigos de políticos se beneficiavam viajando pelo país e para o exterior usando a “generosidade” de muitos deputados federais, entre eles um daqui de Santa Catarina, Fernando Coruja, em quem votei, e até escrevi neste Blog, sob o título “O Recado das Urnas”, dizendo que ele, não tendo sido eleito para o cargo de Prefeito de sua cidade, o povo ganhou, por não perder um bom e sério legislador. Ledo engano, pois foi um dos campeões da farra das passagens aéreas com o dinheiro público.

Agora, quando pela atuação da imprensa livre a nação tomou conhecimento de tantos descalabros, e o próprio Congresso Nacional, para não sofrer ainda um maior descrédito, adotou algumas tímidas medidas para moralizar a indecente e costumeira prática de financiar turismo com o dinheiro público, eis que o presidente Lula, numa atitude que não serve de exemplo para nenhum governante, vem dizer que não vê nada de errado ou crime no fato de políticos levarem suas mulheres para Brasília, com a passagem aérea paga com o dinheiro do contribuinte.

Tal declaração, vinda do supremo mandatário da Nação, parece pretender jogar um balde de água fria nas campanhas que várias entidades vêm promovendo no combate à corrupção e na retomada da moral e da ética na política e na administração pública brasileira.
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