8 de set de 2007

VIVENDO NO INTERIOR



por Luiz Rogério de Carvalho


Meu sogro, fazendeiro já nos seus 88 anos, um dia chamou os filhos e disse que estava decidido em vender a fazenda, e foi logo dizendo que parte do resultado seria dividido entre os filhos.

Diante dessa decisão tomei a iniciativa de pedir para que a parte que tocaria à minha mulher não fosse vendida, pois eu desejava construir uma casa no terreno, que fica na bela região da Coxilha Rica. Isso porque eu já pensava no que fazer na minha aposentadoria, que era viver uma boa parte dela em contato com a natureza, longe do barulho e dos problemas da cidade.

O projeto foi feito, e a casa foi construída. Ficou uma beleza e, com o tempo, ainda ficou mais bonita, pois melhoramentos e embelezamentos foram agregados.

É verdade que durante vários anos, antes de mudar-me para lá, a propriedade dos sonhos funcionou como uma amante argentina, pois morando em Blumenau a cerca de 300 quilômetros de distância, no máximo uma vez por mês gozava as delícias da região serrana. Isto sem contar com as despesas sempre crescentes, para a manutenção e conservação do imóvel que, por ser pequeno, não dava retorno econômico apreciável. Valia muito mais pelo sossego e a paz de espírito que o lugar oferecia.

Depois de aposentado ainda advoguei durante alguns anos, até que resolvi fechar o escritório e ir morar no sítio, que fica a 50 quilômetros da cidade de Lages.

Com a intenção de morar dez anos na tranqüilidade da doce vida do campo, o tempo corria rápido e eu já pensava em segurá-lo, pois era muito boa a vida no interior. Mas, como nos nossos planos nem sempre conta só a nossa vontade, a morte de minha sogra, que era nossa companheira no sítio fez com que minha mulher ficasse com muito medo de continuar morando longe da cidade e de familiares.

Dizia que dois velhos sozinhos são muito vulneráveis. Acabou vencendo, e hoje moramos em Florianópolis, nesta bela e agradável capital que, com seus encantos, procura me fazer esquecer da nossa morada ao lado de lindas araucárias, onde as gralhas, as curucacas e os sabiás faziam mais belas as nossas manhãs.

Foram seis, dos dez anos programados para morar naquele pequeno paraíso, onde a paz e a tranqüilidade fazem parte da verde paisagem serrana. O que ficou foram as amizades feitas ao longo desse tempo inesquecível, pois a gente do interior, simples e sincera, ainda sem a necessidade de viver correndo, dedica mais tempo aos amigos, as prosas são mais longas, os "causos" mais interessantes.

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