7 de set de 2007

A CEGUEIRA EVITÁVEL



por Luiz Rogério de Carvalho


Consta que aproximadamente uma criança fica cega a cada minuto no planeta.

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) revela que 80% da cegueira mundial poderiam ser evitadas, sendo 60% curáveis e 20% previsíveis, se o teste do reflexo vermelho, ou simplesmente o “teste do olhinho” fosse adotado como medida de rotina em todas as maternidades.

Estima-se que existam cerca de 400 mil crianças cegas no mundo, e 94% estão nos paises em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que existam entre 25 e 30 mil crianças cegas.

Esta estatística, que é assustadora, revela também que na maioria dos serviços de neonatologia do Brasil os olhos dos recém-nascidos não são adequadamente examinados.

Como resultado, mais de 50% dos recém-nascidos só têm a alteração descoberta quando estão cegos ou quase cegos para o resto da vida. Revela o estudo da SBOP , que as seqüelas seriam prevenidas em grande parte se o problema fosse tratado no tempo certo.

O “teste do reflexo vermelho” recebe esse nome porque, quando a luz é projetada no olho do bebê sadio, um reflexo vermelho ou amarelo-avermelhado proveniente da retina se apresenta. Tanto a intensidade como a coloração do reflexo devem ser semelhantes em ambos os olhos, ou seja, simétricos.

A reflexão da coloração avermelhada normal da retina ocorre porque os meios oculares (córnea, cristalino e vítreo) encontram-se transparentes. “A ausência do reflexo ou a presença de reflexos diferentes em um ou outro olho podem significar alguma alteração congênita. Neste caso, a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista com urgência”. É o que explica Célia Nakanami, chefe do setor de oftalmopediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O teste também pode ser realizado nas consultas rotineiras em crianças maiores, de qualquer idade, e não só no berçário, pois muitas doenças passíveis de diagnóstico pelo método podem aparecer tardiamente.

Estima-se que atualmente 0,4% dos recém-nascidos seja portador de catarata congênita. Esse número é decorrente da alta incidência de infecções congênitas como a rubéola. Já nos paises desenvolvidos sua maior causa é genética.

A catarata congênita é detectada pelo teste do olhinho, quando apresenta um reflexo vermelho que não é visto de maneira clara ou uniforme. Daí a importância do diagnóstico precoce desse tipo de catarata, para a eficácia do tratamento cirúrgico, procedimento que poderá deixar danos irreversíveis se realizados muito mais tarde. Outras doenças dos olhos também podem ser diagnosticadas precocemente através do “teste do olhinho”

O teste, que dizem ser simples e rápido, pode ser feito pelo próprio pediatra do hospital ou da maternidade, e o único equipamento necessário para o exame é um oftalmoscópio direto, cujo investimento, pelo custo-benefício é muito baixo.

Pela importância de que o “teste do olhinho” se reveste, o município de São Paulo, a capital carioca, e várias outras cidades do Brasil já adotaram esse procedimento nos seus sistemas de saúde. Espera-se que sejam seguidos pelos demais municípios brasileiros.

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