28 de out de 2007

A GÊNESE E O CRIME


por Luiz Rogério de Carvalho

Cesare Lombroso, professor, e respeitado criminologista italiano, foi autor da teoria de que o criminoso tem um biótipo característico, e que a descendência tem grande influencia no seu comportamento anti-social. Relacionou as características físicas do indivíduo à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos com comportamento criminal.

Não obstante a importância que o Dr. Lombroso teve na sua época, hoje a sua teoria está totalmente descartada, pois sabe-se que o fator preponderante na formação da conduta criminosa é, indubitavelmente, o meio ambiente em que o indivíduo nasce, cresce e vive.

De uma família bem estruturada, com pai e mãe de boa formação moral, e renda suficiente para alimentar, vestir e educar os filhos, salvo as exceções, que confirmam a regra, só pode-se esperar o surgimento de bons elementos, úteis à sociedade.

Isto acontece quando a sociedade organizada, através de seus órgãos representativos, tem a preocupação de criar e manter escolas, creches, hospitais e toda a estrutura de proteção social, que a Constituição Federal estabelece como direito do cidadão.

No Brasil, onde o modelo econômico, historicamente, tem a renda nacional concentrada nas mãos de poucos, durante décadas não houve a preocupação de estabelecer políticas que visassem a diminuir a distância que separa os ricos dos pobres.

Hoje, como resultado, enfrentamos os mais agudos problemas sociais, com um enorme contingente de jovens oriundos das camadas mais pobres que, sem educação formal, e sem trabalho, portanto sem oportunidade de ascender socialmente, enveredaram para a criminalidade, levando à classe trabalhadora e ordeira a angustia da insegurança.

Aqui no Estado de Santa Catarina o Governador, quando assumiu, disse que a segurança seria uma das prioridades no seu governo, entretanto, até agora o projeto de construção de novas unidades, para abrigar e recuperar os menores infratores, ainda não saiu do papel, se é que existe tal projeto.

Entendemos que a delinqüência juvenil é um cancro social sim, que tem de ser combatido pelo Estado, com políticas efetivas de segurança, mas também, e sobretudo, de inclusão social.

Ainda há poucos dias, no Jornal do Almoço da TV RBS, líder de audiência em Florianópolis, uma reportagem mostrava um menor infrator que, por falta de vaga em estabelecimento de reeducação do Estado, estava algemado no porta-malas do veículo policial à espera de um lugar para recebê-lo.

O comentarista do jornal, de dedo riste, manifestava sua posição no sentido de que os menores infratores devem ser tratados como bandidos. Devem ser colocados em reformatórios, no estilo antigo, com tratamento unicamente policial.

Batendo na mesa, espumando de raiva, dizendo ser maldito o Estatuto da Criança e do Adolescente , o comentarista, provavelmente saudoso dos tempos dos porões da ditadura militar, dizia que tais reformatórios deveriam receber o nome de general Golbery do Couto e Silva.

Pelo nome sugerido, certamente tais reformatórios preconizados pelo comentarista, teriam suas câmaras de tortura equipadas com instrumentos como “choque elétrico”, “pau de arara”, “pimentinha”, “cadeira do dragão”, "afogamento" e outros, que foram usados nos porões do famigerado DOI CODI.

24 de out de 2007

CRIME ECOLÓGICO



por Luiz Rogério de Carvalho


Em matéria divulgada no Jornal Nacional, no dia 20/10/2007, foi mostrada a situação em que se encontra a Mata Atlântica, no Estado de Santa Catarina que, devido ao desmatamento indiscriminado, conta com menos de 7% de florestas, da mata original.

A reportagem é importante, para mostrar que depois da destruição de 93% da mata atlântica, ainda continua o desmatamento, caminhando para a rápida extinção de várias espécies, como as remanescentes araucárias, canelas e imbuias, para dar lugar à plantação de pinus.

É inacreditável que esse crime ecológico esteja sendo praticado sem o conhecimento do IBAMA e da FATMA(Fundação Catarinense para Defesa do Meio Ambiente), pois basta transitar pelas rodovias BR 282, 116 e 470 para ver que, mesmo às suas margens, no lugar das muitas matas antes existentes, hoje estão sendo plantados milhares de pinus, essa árvore exótica, verdadeira praga para a natureza, pois embaixo dela nada cresce. A fauna e a flora tornam-se praticamente impossíveis.

A Região Serrana do Estado de Santa Catarina onde a paisagem destacava-se pela beleza do verde de seus campos, e pela imponência de exuberantes araucárias, mescladas com a diversidade de outras árvores nativas, hoje está vestida de um verde sem esperança, representado por uma mata homogênea, com finalidade econômica sim , mas, sem levar em conta o alto custo para o meio ambiente, pois até as margens de rios e ribeirões estão sendo desmatadas.

Se, ao longo das rodovias, é visível o desmatamento para o plantio de pinus, é fácil imaginar o tamanho do dano ambiental que vem ocorrendo mais para o interior do Estado, onde a fiscalização deve ser praticamente inexistente, pois, conforme mostrou o Jornal Nacional, o desmatamento e os mares verdes de pinus, que estão invadindo as remanescentes matas nativas do Estado de Santa Catarina só foram descobertos por meio de fotografias feitas por satélite.

Uma das partes mais bonitas da Região Serrana Catarinense, a Coxilha Rica, abriga uma rica fauna e diversificada flora, e é conhecida pela beleza e qualidade de seus campos. Ali, a criação de gado de corte sempre representou a força da pecuária regional.

Pois até aquela maravilhosa região está sendo invadida pela febre do pinus e, se não for controlado o seu plantio, logo a veremos transformada numa imensa floresta de árvores exóticas, ilegalmente substituindo os verdes campos, e a mata nativa, habitat natural de tantos animais selvagens, incluindo o Leão Baio, o puma brasileiro.

22 de out de 2007

A ARTE DE SER FELIZ



por Mauro Roberto Cunha - Outubro/1964 - (In Memoriam)


NASCER, VIVER e MORRER – imperativo da natureza que tem acompanhado a marcha da humanidade na consecução de seu fim, estabelecido pelo Criador.

As plantas brotam da terra, reproduzem-se e murcham. Os animais procriam, proliferam a espécie, e desaparecem no mesmo anonimato em que nasceram.

O homem, entretanto, se tem idêntico princípio e o mesmo fim, se vem do pó e ao pó retorna, é o único ser vivo a quem foi dada a bela e difícil tarefa de VIVER. Viver, em sua acepção mais ampla, não significa anteceder a morte, mas tem um sentido que muitas vezes escapa à medida comum de nossos sentidos, de nossa percepção consciente.

VIVER é lutar sem, contudo, deixar escravizar-se pelos louros da vitória ou pela humilhação da derrota. É combater o vício praticando a virtude. É proteger os fracos sem tornar-se poderoso.

VIVER é semear o amor sobre a terra para que as gerações alimentem-se de seus frutos. É ver no Belo e no Perfeito um estímulo, mas jamais pretender igualar-se a eles. Viver é o mesmo que pisar no mundo sendo senhor de seus passos, contemplar o infinito sem prostrar-se à incredulidade.

VIVER é enfim, nascer todos os dias, para si mesmo e para a vida, descobrindo e valorizando o tesouro que há em cada uma de nós.

É nesse complexo sistema de atos em que o fenômeno humano atua com força criadora, porque uma lei colocou no homem um enigmático tesouro jacente e mandou que ele o descobrisse, medindo seu valor, avaliando sua extensão e projetando-o multidimensionalmente .

E quem agiu de acordo com a vontade dessa lei, terá cumprido a sua inalienável missão, terá acendido sobre a terra uma centelha de eternidade. Terá conseguido desvendar, finalmente, o segredo da verdadeira ARTE DE SER FELIZ.

19 de out de 2007

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO



por Luiz Rogério de Carvalho

O Governo, após constatação, em auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União, acaba de proibir, pelo prazo de 90 dias, a concessão de empréstimos consignados - aquele com desconto direto em folha de pagamento - a funcionários públicos federais, pois existe a suspeita de que graves irregularidades estão ocorrendo, especialmente, o desconto superior a 30% do salário do aposentado.

Oxalá, essa proibição temporária seja transformada em definitiva, estendendo-se aos funcionários públicos estaduais e municipais, pois esse tipo de empréstimo consignado tem sido motivo da desgraça de grande número de aposentados que, pressionados pelas dificuldades, ingenuamente, assumem compromissos acima de suas possibilidades, cujos descontos em folha de pagamento representam significativo desfalque no orçamento, já apertado.

É comum ouvir que aposentados, sensibilizados com as dificuldades dos filhos, netos ou amigos, fizeram empréstimos em seus nomes, e que tiveram de pagar, pois o repasse prometido não foi cumprido.

Para as instituições financeiras, cuja voracidade não tem limite, essa modalidade de empréstimo, sem nenhum risco, representa um excelente negócio, que tem contribuído, de forma substancial, para engordar ainda mais os seus lucros.

Para os Bancos e Financeiras, o empréstimo consignado, por ser seguro e gerar um enorme volume de negócios, é tão importante que, nas esquinas das principais cidades brasileiras, já é comum ver pessoas entregando folhetos convidando os aposentados a contrair o famigerado empréstimo.

Em uma das mãos, está a oferta do DVD pirata, na outra, a propaganda do empréstimo consignado.

15 de out de 2007

O CHEQUE



por Luiz Rogério de Carvalho

Era o único filho de um pai muito rico que, mesmo sabendo que o moço era um baita malandro, nunca deixou de fazer até o impossível, para ver se o danado acertava o rumo na sua doida vida.

Para estudar, foi colocado no melhor colégio da região serrana, que era dirigido pelos padres franciscanos, conhecidos como bons educadores e disciplinadores. Foi pura perda de tempo, pois o rapaz, nem tinha chegado à metade do ano, e já estava de volta à casa paterna, alegando que não dava para agüentar aqueles padres loucos de bravos.

Ficando em casa, agora sem estudar, tinha todo o tempo para incomodar os pais, que já não sabiam mais o que fazer para encaminhar o meninão.

Completando dezoito anos, a primeira coisa que fez foi pedir ao pai, que lhe comprasse um caminhão, pois sua vocação era ser um caminhoneiro, e viajar pelas estradas do Brasil, transportando mercadorias.

Sem convicção, mas na esperança de que o filho, que não queria mesmo estudar, se realizasse nessa atividade, comprou o desejado caminhão, e lá se foi o nosso personagem fazer sua viagem inaugural.

Depois de duas semanas, quando o pai começava a acreditar que tinha encontrado o meio de vida ideal para o filho tornar-se independente, e deixar de incomodar, como era o seu costume, eis que ele chega em casa, de ônibus, dizendo que tinha quebrado o caminhão e, por isso o vendera. Só que dinheiro já não tinha mais, pois, soube-se depois, tudo fora perdido no jogo, e gasto em festas na zona, quando dizia que, com ele, não tinha puta pobre.

Agora queria comprar um automóvel, pois dizia que o aluguel de carro de praça era um bom negócio. Tanto insistiu, que conseguiu convencer o pai a comprar o tal automóvel.

Antes de por o carro na praça para alugar, numa curva, perdeu a direção e bateu num muro destruindo toda a frente do veículo. Para não mandar consertar, vendeu o carro por menos de 10% do valor. O que sobrou torrou à noite numa mesa de jogo de cartas.

Desta vez, o pai perdeu a paciência e resolveu admoestá-lo severamente, dizendo que não daria mais nem um tostão para ser gasto irresponsavelmente. O velho já estava cansado de tanto pagar as dívidas que o filho fazia, e que não pagava. Já era conhecido como o pai do maior caloteiro da cidade.

Os cheques que ele dava, freqüentemente voltavam por falta de fundos. Notas Promissórias, assinadas por dívidas de jogo, já não eram mais aceitas, por isso até andou apanhando de um credor numa certa madrugada.

Sem crédito nem com o pai, o nosso personagem, bom de conversa, resolveu ir para o interior, na tentativa de ali enganar alguém que não o conhecesse. Conseguiu.

Comprou à prazo, uma égua muito bonita, que levou para disputar uma corrida na raia da cidade. Pois a égua ganhou a penca, e logo apareceu alguém interessado em comprá-la. Depois de muita pechincha, resolveu vendê-la por 1.200,00

O comprador disse que daria 800,00 em dinheiro, à vista, e o restante seria pago com um cheque de terceiro. O negócio foi fechado, mas, quando o comprador da égua entregou o cheque de 400,00, a resposta veio rápida, e taxativa: cheque meu eu não aceito.

12 de out de 2007

JORNAL A NOTÍCIA



por Luiz Rogério de Carvalho

Na democracia, pressupõe-se, além da plena liberdade de pensamento e expressão, também a possibilidade de externar o pensamento das diferentes correntes de opinião, através dos meios de comunicação, sem que haja cerceamento ou patrulhamento ideológico.

Nesse contexto, a diversidade dos meios de comunicação é fator importante para a divulgação das idéias, sejam elas de esquerda ou de direita.

Assim, por mais que se queira defender o direito de grupos econômicos, de se expandir no ramo das comunicações, adquirindo empresas de televisão ou jornais regionais, quando essa expansão se apresenta de forma a permitir que determinado grupo detenha, na prática, o quase monopólio da comunicação, especialmente da imprensa escrita, onde os jornais, inegavelmente, representam relevante papel na formação da opinião, então, pode-se dizer que alguma coisa está errada.

A liberdade de expressão, embora existente, nem sempre é acompanhada pela possibilidade de acesso aos meios de divulgação, quando estes são oligopólios.

É inegável que os meios de comunicação, especialmente a imprensa escrita, através dos jornais, são fortes formadores de opinião na região em que atuam.

Assim sendo, quanto maior o número de jornais existentes em determinada região, maior é a possibilidade de criação e divulgação de idéias.

Por entender a imprensa, especialmente o jornal, com essa dimensão na construção e defesa de uma democracia sólida, foi que tomei conhecimento, com tristeza e preocupação, da transferência do jornal A Notícia, veículo de comunicação regional que, durante mais de 80 anos, serviu ao Estado, especialmente à região norte de Santa Catarina, com independência e eficiência, para um poderoso grupo de comunicação que, com muita competência, vem tornando-se hegemônico no sul do país.